domingo, 13 de janeiro de 2019

A HORA DO JOGO


Segundo a autora, pode-se aplicar a técnica denominada a Hora do Jogo, até a idade de 9 anos (PAIN, 1985). Para jogar é necessário ter um espaço transicional, um espaço de confiança, de criatividade, o mesmo espaço que se precisa para aprender. 

Na hora do jogo são utilizados materiais preponderantemente não figurativos. 

Colocam-se dentro de uma caixa, com tampa separável, elementos com as seguintes características: 

- para desenhar, recortar, pegar, costurar, olhar, ler, escrever, caixas de diferentes tamanhos, para modelar, para juntar. Colocam-se diferentes elementos com mesmo fim, cola, durex, grampeador, furador, possibilitando o desdobramento se assim o sujeito quiser. Os papéis devem ser variados, tanto na forma como na cor e tipo. 

Podem ser colocados blocos de construção e folhas impressas prontas (de modo a verificar a liberdade ou a submissão), lápis de cor, lápis preto, borracha. Os materiais não precisam ser novos, mas devem ter uma boa conservação. A caixa deve ser de fácil acesso e cômoda, estando ela no chão ou na mesa. 

A consigna é a seguinte: "Aqui está uma caixa com muitas coisas e você pode brincar com tudo o que quiser; enquanto isso, eu vou anotar o que você vai fazendo. Um pouco antes de terminar, eu vou te avisar." Geralmente procura-se fazer uma sessão de 50 a 60 minutos de duração para a administração dessa técnica. 

Com o auxilio dos dados observados durante a técnica, o terapeuta deve analisar as respostas tanto verbais como gráficas do sujeito, tentando levantar hipóteses da significação do aprender para ele, a mobilidade inter-relacionada com inteligência e desejo, a construção do símbolo, tentar observar as modalidades de aprendizagem que aparecem ver a capacidade do sujeito para criar, imaginar, refletir, argumentar, etc. 

Há alguns momentos da Hora do Jogo que devem ser destacados para facilitar a análise do examinador, são eles: o inventário, a organização e a integração. 

- No inventário a criança classifica os materiais, seja por mera manipulação, seja experimentando o funcionamento, ou seja, olhando dentro da caixa, favorecendo as possibilidades de ação. 

- O momento seguinte é o da organização, dedicado à postulação de um jogo. O material passa a ser utilizado para uma ação, uma organização simbólica. Nessa fase a criança combina, ajusta os materiais na busca de um fim antecipado, aceitando e descartando possibilidades. 

Depois desses momentos o próximo será o da integração, a aprendizagem propriamente dita, quando o sujeito incorpora o que fez aos seus esquemas anteriores, jogando, brincando com sua confecção. É o momento em que dá sentido à sua criação. Possivelmente sujeitos com problemas podem apresentar dificuldades em alguma dessas etapas. 

FONTE
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/diagnostico/10325



TÉCNICAS PROJECTIVAS [Teste Aperceptivo Infantil Psicopedagógico]


Este teste tem sua origem no CAT, de uso dos psicoterapeutas e psicanalistas para a compreensão de aspectos da personalidade. O psicopedagogo clínico utiliza três pranchas contendo desenhos de animais em situações humanas para compreender, basicamente, três aspectos que favorecem a identificação da modalidade de aprendizagem: 

- Como é significada a relação ensinante/aprendente; (prancha 1).
 
- Como circula o conhecimento na família; (prancha 2)

- Como se dá o aprendizado das convenções e normas. (prancha 3) 

Inicialmente o psicopedagogo apresenta ao paciente as três pranchas para que ele as conheça. Posteriormente mostrará uma por vez solicitando-lhe que conte uma história, oralmente, relacionada à prancha apresentada. Deverá, igualmente, ser atribuído um título a esta história. 

É importante salientar que as pranchas deverão ser apresentadas nesta ordem específica: da galinha, dos macacos e por último dos cachorros, pois elas provocam um aprofundamento das questões inconscientes que aparecerão nos relatos. 

O enredo da história elaborada pode ser enquadrado em três categorias: 

1) Descritivo: Estamos chamando de descritivo o texto que não tem um enredo, ele se limita à descrição do que está representado na prancha, não se desloca do que vê. Este tipo pode revelar um paciente com dificuldade de estabelecimento de vínculos, com dificuldade de interagir com o objeto de conhecimento, provocando, assim uma modalidade hipoassimilativa. Por ser aquele paciente muito preso ao aqui e agora, com déficit lúdico e criativo, que se prende muito a modelos e esquemas preestabelecidos, que fala pouco, omitindo-se na maioria das situações. 

2) Descontextualizado: Neste caso o texto narrado apresenta um enredo, porém guardando muito pouco, ou quase nada, das situações apresentadas nas pranchas. Aqui podemos ter um paciente com dificuldades em lidar com a realidade, com os limites, que apresenta uma modalidade hipoacomodativa/hiperassimilativa. 

3) Integrado: Neste caso temos um texto narrativo, adequado ao tema representado nas pranchas, como começo, meio e fim. Neste sentido caberá analisar o conteúdo narrado buscando investigar os tópicos específicos do teste em questão. Após esta análise geral deve-se iniciar a investigação dos temas identificados em cada uma das pranchas conforme detalhado a seguir. 

Prancha 1 

Esta prancha apresenta uma situação relacionada à alimentação, com três pintainhos sentados ao redor da mesa diante de uma tigela contendo alimento e a silhueta de um galo ou galinha ao fundo. O tema a ser investigado com a apresentação desta prancha diz respeito à como o paciente percebe o conhecimento, interage e se apropria dele, ou não, e o papel do ensinante nesse processo, relacionando o alimento da tigela com o conhecimento a ser adquirido. 

Prancha 2 

Esta prancha apresenta uma cena em que aparecem vários macacos numa sala, sugerindo uma situação de conversa familiar com três adultos e um filhote. Nesta cena deve-se investigar como se dá a circulação do conhecimento na família e como o paciente se percebe e é percebido enquanto alguém que conhece/desconhece no grupo familiar. 

Prancha 3 

A terceira prancha retrata dois cachorros, um filhote e um adulto, num ambiente que sugere um banheiro e numa situação que pode ser associada à higiene. Neste enredo podem ser investigadas a relação prazerosa ou autoritária e punitiva entre quem ensina e quem aprende aprendizagem de regras, a percepção de limites.

Os objetivos que contemplam essa técnica são: 

- verificar na criança a inter-relação que esta estabelece com o desconhecido e o tipo de obstáculo que emerge dessa relação; 

- possibilitar uma leitura dos aspectos relacionados á função semiótica da criança, por meio de símbolos e verificar o nível dos processos acomodativos e assimilativos; 

- fazer uma leitura dos conteúdos manifestos pela criança em relação aos aspectos afetivos-emocionais, relacionando-os com a aprendizagem. 

FONTE
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/diagnostico/10325

EOCA - Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem


EOCA - Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem 
A realização da EOCA tem a intenção de investigar o modelo de aprendizagem do sujeito sendo sua prática baseada na psicologia social de Pichón Rivière, nos postulados da psicanálise e método clínico da Escola de Genebra (BOSSA, 2000, p. 44). 


Além disso, tem como objetivos: 

 - Detectar sintomas e formular hipóteses sobre as prováveis causas das dificuldades de aprendizagem; 

- Levantar os possíveis obstáculos que emergem na relação do sujeito com o conhecimento e obter dados a respeito do paciente nos aspectos afetivos e cognitivos, a fim de formular um sistema de hipóteses e delinear linhas de investigação. 

Para Visca, a EOCA deverá ser um instrumento simples, porém rico em seus resultados. Consiste em solicitar ao sujeito que mostre ao entrevistador o que ele sabe fazer, o que lhe ensinaram a fazer e o que aprendeu a fazer, utilizando-se de materiais dispostos sobre a mesa, após a seguinte observação do entrevistador: "este material é para que você o use se precisar para mostrar-me o que te falei que queria saber de você" (VISCA, 1987, p. 72). 

O entrevistador poderá apresentar vários materiais, tais como:

- folhas de ofício tamanho A4, borracha, caneta, tesoura, régua, livros ou revistas, barbantes, cola, lápis, massa de modelar, lápis de cor, lápis de cera, quebra-cabeça ou ainda outros materiais que julgar necessários. 

O entrevistado tende a comportar-se de diferentes maneiras após ouvir a consigna. Alguns imediatamente pegam o material e começam a desenhar ou escrever etc. Outros começam a falar, outros pedem que lhe digam o que fazer, e outros simplesmente ficam paralisados. 

Neste último caso, Visca nos propõe empregar o que ele chamou de modelo de alternativa múltipla (1987, p. 73), cuja intenção é desencadear respostas por parte do sujeito. Visca nos dá um exemplo de como devemos conduzir esta situação: "você pode desenhar, escrever, fazer alguma coisa de matemática ou qualquer coisa que lhe venha à cabeça..." (1987, p. 73). 

Durante a EOCA, é importante observar três aspectos: 

a temática, a dinâmica e o produto. 

O primeiro aspecto concentra-se em tudo o que o sujeito diz. Verifica-se o aspecto manifesto e o latente, se possível, da relação do sujeito com a aprendizagem. 

O segundo aspecto consiste na análise de tudo que o sujeito faz: gestos, postura corporal, expressões faciais, etc. 

O terceiro aspecto, o produto trata do que o sujeito realizou o que deixa impresso no papel ou na sua construção. 

Com esses três aspectos, teremos o primeiro sistema de hipóteses sobre o sujeito. Estas deverão ser submetidas a uma verificação mais rigorosa nos passos seguintes do diagnóstico. 

FONTE
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/diagnostico/10325

Anamnese



Essa técnica consiste em uma entrevista mais abrangente através de um roteiro onde a mesma é realizada com a família. É ela que possibilita a integração das dimensões de passado, presente e futuro do paciente, permitindo perceber a construção ou não de sua própria continuidade e das diferentes gerações, ou seja, é uma anamnese da família. 

Com essa entrevista, tem-se por objetivo colher dados significativos sobre a história de vida do paciente. 

Da análise do seu conteúdo, obtemos dados para o levantamento de hipóteses sobre a possível etiologia do caso, por isso é necessário que seja bem conduzida e registrada. A anamnese busca contemplar os seguintes objetivos: 

- Obter dados a respeito das possíveis causas da problemática de aprendizagem do sujeito, investigando em profundidade a sua história de vida, desde a concepção até o momento atual;

- Analisar, por meio de uma leitura dos fatores oriundos das relações vinculares e do desenvolvimento biopsicoafetivo e cognitivo, a presença de indicadores de uma problemática que justifique uma investigação mais profunda; 

- Levantar hipóteses sobre as causas dos sintomas e dos fatores de manutenção do comportamento; 

- Investigar, no desenvolvimento da criança, a forma pela qual "aprendeu a aprender" que possa justificar a defasagem em suas ações sobre o real; 

- Obter dados, pesquisando as relações vinculares familiares, sobre a forma pela qual a criança internalizou determinados modelos de aprendizagem; 

- Delinear os instrumentos do diagnóstico, com base nas hipóteses levantadas. O psicopedagogo poderá utilizar o roteiro descrito, formulando perguntas, mas deixando os pais falarem de forma detalhada, interrompendo-os caso o discurso caminhe na direção indesejada ao objetivo da questão. 

Os dados obtidos, com enfoque na internalização dos modelos de aprendizagem, devem ser interpretados para subsidiar o levantamento de hipóteses e delineamento da investigação, ou seja, dos instrumentos a serem aplicados no sujeito ou de outras investigações, como a entrevista com a professora e outros profissionais que estejam assistindo a criança no momento.

FONTE
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/diagnostico/10325

DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO E PROCEDIMENTOS PSICOPEDAGÓGICO



 O Diagnóstico Psicopedagógico  é, em si, uma intervenção, pois o psicopedagogo tem de interagir com o cliente, a família e a escola, partes envolvidas na dinâmica do problema. 
O psicopedagogo utiliza o diagnóstico psicopedagógico para detectar problemas de aprendizagem. Rubinstein (1996) compara o diagnóstico psicopedagógico com um processo de investigação, no qual o psicopedagogo assemelha-se a um detetive à procura de pistas, selecionando-as e centrando-se na investigação de todo o processo de aprendizagem, levando em conta a totalidade dos fatores envolvidos. 

É ele, portanto, a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento necessário. É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo, para isso, a conhecimentos práticos e teóricos. 

Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da "... escuta psicopedagógica...", para que "... se possam decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção". (BOSSA, 2000, p. 24). Afirma que o diagnóstico psicopedagógico é, em si, uma intervenção, pois o psicopedagogo tem de interagir com o cliente, a família e a escola, partes envolvidas na dinâmica do problema. 

A autora declara que: durante e após o processo diagnóstico, serão construídos um conhecimento e uma compreensão a respeito do processo de aprendizagem. Isso permite que o psicopedagogo tenha maior clareza a respeito dos objetivos a serem alcançados no atendimento psicopedagógico. (RUBINSTEIN, 1996, p.28) 

Quanto aos procedimentos, entende-se que a atuação do psicopedagogo, tanto na clínica quanto na instituição, é de natureza multidisciplinar, até porque a psicopedagogia assim se constitui; o uso de procedimentos para diagnóstico e intervenção provém de diversos procedimentos para diagnóstico, e a intervenção decorre de diversas áreas - embora a psicopedagogia já conte com recursos próprios. 

O psicopedagogo pode usar como recurso a entrevista com a família; pode, também, investigar, o motivo da consulta, procurar conhecer a história de vida da criança, realizando a anamnese, entrevistar o cliente, fazer contato com a escola e outros profissionais que atendem a criança, manter os pais informados de seu desenvolvimento e da intervenção que está sendo realidade e encaminhar o caso para outros profissionais, quando necessário. (RUBINSTEIN, 1996) 

Desta forma, o diagnóstico psicopedagógico clínico deve concentrar-se em levantar hipóteses, verificar o potencial de aprendizagem, mobilizar o aprendiz e o seu entorno (família e escola) no sentido da construção de um olhar sobre o não aprender. (RUBINSTEIN, 1996, p. 134) 

Os recursos constituem instrumentos para a realização do diagnóstico e da intervenção psicopedagógica. Por meio dos jogos, o sujeito pode se manifestar, sem mecanismos de defesa, os desejos contidos em seu inconsciente. Levando-se em conta que o sujeito possui poucos recursos (de vocabulário, por exemplo) para se comunicar expressar o que sente e o que deseja, ele pode fazer o uso de jogos, desenhos e brincadeiras para manifestar suas emoções. Cabe, pois, ao psicopedagogo estar atento para escutar e analisar as mensagens; enfim, para ouvir o sujeito. 

FONTE
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/conteudo/diagnostico/10325

Jogo: Memória Matemática Parte 02 - Lamlupe (Laboratório Multidisciplin...

Jogo: Memória Matemática Parte 01 -

A psicopedagogia no Brasil: Novas Perspectivas

Palestrante: Pp. Jossandra Barbosa Presidente do Sindicato dos Psicopedagogos do Brasil - SINDPSICOPP-BR Historiadora Psicopedagoga Neuropsi...