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terça-feira, 6 de setembro de 2016

“Midiologia” – Mídia e Tecnologia



Atualmente o discurso sobre tecnologia e mídia tem ganhado maior espaço entre docentes e profissionais envolvidos com a educação. Diante das utilizações dos termos é importante entender sua diferença e também a forma com que eles se relacionam com a educação. Um grande número de pessoas confunde os dois termos, afinal eles são intimamente relacionados. Qual será, então, a diferença entre mídia e tecnologia?

Mídia significa meio, o termo é usado para designar os meios de comunicação utilizados para a difusão e compartilhamento das informações e ideias. Tecnologia é usada para fazer referência aos equipamentos e ferramentas, desde as mais simples até as mais complexas, para solucionar problemas e desenvolver ações. É nítido, então, que a mídia como meio de comunicação, faz uso das tecnologias disponíveis para complementação do seu processo de compartilhamento.
Depois de entender qual é a diferença e ao mesmo tempo a ligação entre mídia e tecnologia, outro questionamento é sobre a forma de utilização de cada um dos conceitos aplicados à educação. Será que devemos usar a tecnologia? Ou a mídia? A resposta para isso é clara. Ambas, intimamente ligadas, podem trazer benefícios para as práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas desde que sejam inseridas de forma consciente e com finalidades educativas. A aproximação da realidade vivida e da realidade estudada é um dos vários benefícios que tornam a aprendizagem significativa.
Usar lousa digital, computadores, tablets, por exemplo, ou acessar a internet, assistir a um telejornal ou vídeos online, ou ainda, acessar facebook e twitter na escola não garante que haja a devida inserção destas tecnologias e da mídia na escola. É preciso analisar os assuntos, produzir conteúdos e dar aos recursos tecnológicos finalidades que possam incentivar a facilitar a aprendizagem e a formação dos estudantes no intuito, de contribuir para o desenvolvimento autônomo, crítico, ativo e consciente.
Everton Renaud é filósofo, pós-graduando em Organização do Trabalho Pedagógico na UFPR e gestor de projetos educacionais que atuam com mídia e educação no Instituto GRPCOM.

FONTE/ http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/educacao-e-midia/midiologia-midia-e-tecnologia/

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O uso da tecnologia da informática na educação. Uma reflexão no ensino com crianças.




RESUMO: Este artigo reporta alguns fatores importantes da utilização de computadores por crianças e adolescentes na escola e consequentemente seus impactos diretos no aprendizado. A tecnologia da informação representa importante papel no cenário da educação, não devendo entretanto representar uma finalidade em si mesma, mas sim sendo utilizada como ferramenta auxiliar no processo cognitivo.

Palavras Chave: 1. Tecnologia; 2. Educação; 3. Criança; 4. Aprendizado

Se a utilização da tecnologia, principalmente a informática, em nosso cotidiano é condição sine qua non para a realização de nossas tarefas e afazeres mais básicos, o que não dizer para a difícil ascensão profissional?

Sabemos que a evolução tecnológica é como uma bola de neve, isto é, cresce a cada dia, e a ausência desse conhecimento faz-nos distanciar gradativamente do mundo real. Mas e o adolescente? E a criança? Os pais, alunos e profissionais da área acadêmica e outros profissionais pela educação de nossas crianças, vivem hoje uma grande preocupação: a necessidade de preparo técnico devido a presença marcante da tecnologia em nossas vidas, seja nos shopping centers, nos bancos, nas residências e principalmente nas escolas. Será que todas as pessoas efetivamente, estão preparadas para a implementação da tecnologia na educação?

Para nos localizarmos um pouco mais, vejamos o que seria tecnologia. Goodman & Sproull (1990) definem tecnologia como sendo o conhecimento de relações causa-efeito contido (embutido) nas máquinas e equipamentos utilizados para realizar um serviço ou fabricar um produto. Para usuários leigos da palavra, tecnologia significa o conjunto particular de dispositivos, máquinas e outros aparelhos empregados na empresa para a produção de seu resultado.


Já para Fleury (1990), uma abordagem muito diferente enxerga a tecnologia como um pacote de informações organizadas de diversos tipos, provenientes de várias fontes e obtidos através de diversos métodos, utilizado na produção de bens.

Para Gonçalves Lima (1994) a tecnologia é muito mais que apenas equipamentos, máquinas e computadores. A organização funciona a partir da operação de dois sistemas que dependem um do outro de maneira variada. Existe um sistema técnico, formado pelas técnicas e ferramentas e utilizadas para realizar cada tarefa. Existe também um sistema social, com suas necessidades, expectativas, e sentimentos sobre o trabalho. Os dois sistemas são simultaneamente otimizados quando os requisitos da tecnologia e as necessidades das pessoas são atendidos conjuntamente. Assim, é possível distinguir entre tecnologia (conhecimento) e sistema técnico (combinação especifica de máquinas e métodos empregados para obter um resultado desejado).

Neste caso, podemos concluir que a tecnologia seria representada por um conjunto de características especificas do sistema técnico no cenário em que a mesma atua. Podemos então definir resumidamente o que seria tecnologia, como sendo qualquer insumo de produto criado ou então inovado, e que este por sinal tenha seu devido mercado, representado pelas necessidades de utilização no meio em que se encontra inserido.

É notório, portanto, o uso de novas tecnologias pelo indivíduo na organização, onde pelo fator do próprio pré-requisito, é na escola (educação) que devemos nos preparar, isto é, é nesse momento que temos a chance de obtermos conhecimento e sabedoria a fim de estarmos preparados para a futura investida no mercado de trabalho, mas quando isto pode ocorrer? Já na infância?

Seguindo alguns princípios de Piaget (1975), vemos que por exemplo no caso de crianças, as mesmas devem ter um determinado tempo adequado para gozar a sua infância, ter um período ideal para entrada na escola e começar a partir dai a ser alfabetizada, ou seja, a criança deve alcançar e obter um certo grau mínimo de maturidade para aí sim se envolver com atribuições de maior responsabilidade.

Sabemos, é verdade, que pelo simples fato de uma criança olhar e manipular um computador, pode levá-la a ter um certo impacto num primeiro momento, levando em alguns casos a alterações no quadro psicológico, pois o tratamento é feito com a máquina através de um processo mecanicista e artificial e não através do relacionamento com outros seres humanos. Devemos nos preocupar em propor e executar todas as técnicas viáveis e até aqui conhecidas tradicionalmente de aprendizado com as crianças, visando a influenciar sua imaginação, coordenação motora e criatividade como sempre fizemos. Mas e o computador, devemos utilizá-lo?

Vivemos numa época de ênfase na informação, tais como a presença das revistas, telejornais e internet, onde é preciso estarmos sempre informados. Mas é importante lembrar que informação não é conhecimento. O conhecimento envolve o estabelecimento de relações entre informações isoladas. Se pensarmos neste sentido, muito do que é chamado do conhecimento escolar é apenas informação, desconectada: conceitos vazios, para serem memorizados e esquecidos. A informação é descartável, justamente por não ter vínculos nem com outras informações, nem com conhecimento, mas, sobretudo, por não termos com ela vínculos emocionais, Guerra (2001).

Como sabemos, o computador (hardware) só é capaz de processar dados, mas em nível lógico (software) podemos trabalhar com informações, editando textos, automatizando processos, a partir dos fundamentos trazidos pela teoria da informação, podemos esboçar o seguinte fluxo do conhecimento e da sabedoria:

COMUNICAÇÃO ® INFORMAÇÃO ® CONHECIMENTO « SABEDORIA

O conhecimento, supostamente é adquirido primeiramente através do processo de comunicação existente no meio localizado, gerando informações ao mesmo. Através destas informações, poderemos adquirir ou não o conhecimento esperado. Isto nos leva a discorrer um pouco sobre a sabedoria. A sabedoria é desenvolvida através da vivência, e não exclusivamente pela inteligência. Envolve saber dispor do conhecimento e da ação de modo a trazer o máximo beneficio para os indivíduos. Se o conhecimento muitas vezes nos leva a uma postura arrogante, a sabedoria só se atinge a partir da humildade, podendo ser entendida em função da ação associada e no contexto e no momento específico desta ação, não podendo ser expressa em termos de regras, isto é, não pode ser generalizada, nem transmitida diretamente, sendo inseparável da realização pessoal daquele que busca o saber.

Já a tecnologia da informação se traduz nas ferramentas tecnológicas utilizadas em um determinado meio (sistema), representada a partir da existência dos softwares, video e teleconferências, bem como o uso da internet, Walton (1994).

Existem várias criticas em relação à utilização dos computadores na escola, principalmente nos níveis da pré-escola e ensino fundamental, segundo Seltzer (1994). Para o autor, as máquinas devem ser consideradas como mero instrumento para uma porção de atividades úteis, mas que estas últimas não englobam seu uso na educação de matérias que não sejam a computação propriamente dita, pelo menos até as últimas séries do segundo grau. O autor comenta que o ensino apresenta um cenário ruim causado não pelo fator tecnológico, mas sim pelo fato de existir um inter-relacionamento humano, onde, deveria ser dado maior importância à relação aluno-professor, ou seja, para que essa relação fosse sensivelmente mais humana.

Mas devemos simplesmente nos esquecer dos computadores na educação em pleno término do século vinte? Não, acreditamos que devemos sim participar deste avanço tecnológico com a sociedade em geral e também em estar utilizando essas tecnologias com as crianças. É claro que a utilização deste equipamento (computador) não deve, em hipótese alguma, ser utilizado como um fim em si mesmo, mas sim como uma ferramenta auxiliar no processo de ensino e aprendizagem, despertando desta maneira algum tipo de interesse maior na questão do conhecimento.

Em experiências vividas na área acadêmica com alunos de Pedagogia (primeiros e segundos anos do curso), verificamos que essa é uma preocupação existente dessa classe de educadores e que as principais vantagens constatadas na utilização de computadores na educação com os alunos são:
  • despertar da curiosidade;

  • aumento da criatividade, principalmente nos casos de utilização no auxilio á aprendizagem de crianças deficientes, até então realizada de uma forma não tão eficaz, como é o caso de programas utilizados pela prefeitura da cidade de São Paulo, na gestão de 1992;

  • uma ferramenta poderosa como auxílio no aprendizado, como por exemplo a utilização de softwares educacionais (multimídia);

  • uma produtividade maior em relação ao tempo necessário ao estudo propriamente dito;

  • necessidade de um continuum de treinamento, para o acompanhamento tecnológico;
E, onde as principais desvantagens seriam:
  • a falta de preparo dos próprios educadores e educandos;

  • as influências negativas causadas pela utilização de técnicas relacionadas com a tecnologia (computadores), ou seja, a utilização excessiva das máquinas e se realmente a utilização da tecnologia (computadores) significará um aperfeiçoamento efetivo do ensino no país. Neste caso comenta-se a eficácia da viabilização de projetos computacionais internamente nas instituições de ensino.
De certa maneira, este é um cenário que a cada dia que passa, o processo de aprendizagem aumenta, causado prontamente pelas aquisições de novos equipamentos (computadores) pelas instituições de ensino público e privado, juntamente com os incentivos de treinamentos e uso em geral pelas pessoas, dentre os quais os próprios professores e alunos.

Em pesquisas realizadas em escolas que se utilizam da informática como método de ensino, percebemos que o processo de aprendizagem é efetuado de uma maneira simples e fácil, levando a criança a apreender brincando. Nestas escolas especificamente, o processo de aprendizagem é acompanhado de perto por uma equipe de psicólogos e pedagogos, que analisam todo o processo de aprendizagem de seus estudantes, muito embora com o advento e uso cada vez maior da internet, esse acompanhamento e feedback possa se tornar mais difícil.

Mostramos abaixo, alguns links interessantes na internet desses centros estudantis:

  • http://www.ig.com.br/paginas/servicos/meuamigo_computador/index. html;

  • http:IIwww.kidbit.com.br/;

  • http:/Iwww.futurekids.pt/;

Estes sites por exemplo, possibilitam aos usuários um acesso fácil aos conhecimentos disponíveis no mundo inteiro, proporcionando aprendizagens atualizadas, dinâmicas e interativas, promotoras de uma educação personalizada e não-linear, oferecendo às crianças uma navegação educativa e objetiva na internet, com curiosidades, jogos, conhecimentos atualizados, exposição de trabalhos e espaços de opinião.

Como exemplo e acompanhamento que realizamos em uma dessas escolas (a "kidsescola", como nome fantasia), vemos respectivamente sua missão e reflexão:

A Missão da KIDSESCOLA é...
"...ajudar as escolas a tornarem-se futureschools e ajudar as crianças a tornarem-se kidsescola - criando uma comunidade educativa mundial que integra o poder da tecnologia para facilitar e melhorar o desempenho dos estudantes».

Objetivo da KIDSESCOLA

KIDSESCOLA não ensina apenas informática, mostra sobretudo como aplicar as Novas Tecnologias da Informação a uma diversidade de atividades quotidianas, pois o seu objetivo é fazer com que a tecnologia faça parte do dia a dia de TODOS (crianças, adolescentes, adultos e professores), transmitindo-lhes as aptidões necessárias à sua autonomia tecnológica, pessoal e profissional, isto é, potencializar o computador como num instrumento de resolução de problemas, criatividade e expressão.

Tendo em nossos apontamentos aqui evidenciados, concluímos e deixamos até mesmo como reflexão em estudos futuros que, o fator fundamental no processo de aprendizagem com a utilização da tecnologia de informática com crianças e adolescentes, é que, não podemos em hipótese alguma tornar esse método (ferramenta) como prioritário no ensino, isto é, como condição sine qua non, mas sim em uma segunda ordem de escala e importância, como sendo um "pano de fundo", permitindo somente a estas crianças e adolescentes a utilização lúdica da tecnologia, preparando-as assim para uma melhor vida futura e presente, através do acompanhamento dessa evolução tecnológica, despertando desta maneira a utilização racional dessa tecnologia nas novas eras.

BIBLIOGRAFIA

FLEURY, Afonso C.C. Capacitação tecnológica e processo de trabalho: comparação entre o modelo japonês e o brasileiro. São Paulo, RAE, v. 30, n. 4, p. 23-30, out/dez. 1990.

GONÇALVES, José Ernesto Lima, Os impactos das novas tecnologias nas empresas prestadoras de serviços. São Paulo, RAE, v. 34, n. 1, p. 663-681, jan/fev. 1994.

GOODMAN, Paul 5. et aL Technology and organizations. San Francisco, Jossey Bass, 1990. 281 p.
GUERRA, Carlos Gustavo Marcante, Ampliando a construção da mente, Capturado em 17 de Fevereiro de 2001. ONLINE, Disponível na INTERNET: http://www. eps.ufsc.br/^cgustavo/transdisciplinar/mente.html#informacao;

PIAGET, Jean A Construção do Real na Criança. Rio de Janeiro, 2. ed.. Zahar Editores, 1975, 360 p.
SELTZER, WALDEMAR W. Computadores na Educação:Porquê, Quando e Como. 5º Simpósio Brasileiro de Informática na Educação. Porto Alegre, RS, Campus PUCRS, 1994, 290 p.

WALTON, Richard E. O uso de TI pelas empresas que obtêm vantagem competitiva, tecnologia de informação. São Paulo, Atlas, 1994.

http://www.ig.com.br/paginas/servicos/meuamigo_computador/index.html; Capturado em 17 de Fevereiro de 2001. ONLINE, Disponível na INTERNET.
http://www.ig.com.br/paginas/servicos/meuamigo_computador/index.html; Capturado em 17 de Fevereiro de 2001. ONLINE, Disponível na INTERNET.

http://www.futurekids.pt/; Capturado em 17 de Fevereiro de 2001. ONLINE, Disponível na INTERNET.
______________

por/Alessandro Marco Rosini * Mestre em Administração de Empresas e Doutorando em Comunicação e Semiótica pela PUCSP. Consultor em Tecnologia e Sistemas de Informação.

http://www.ipv.pt/millenium/Millenium27/15.htm

domingo, 24 de julho de 2016

Entrevista (Midiatização: a complexidade de um novo processo social)

Para pensar sobre a influência da mídia na sociedade, em nossas vidas, e no processo de midiatização, um ponto é crucial: o elemento crítico. E esse é o foco que o professor José Luiz Braga, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos, privilegiou na entrevista que concedeu pessoalmente para a IHU On-Line. Ao falar sobre o debate acerca da midiatização na pesquisa acadêmica, Braga identifica que, “de uma forma ou de outra, o tema da midiatização da sociedade aparece como preocupação em todos os programas de pós-graduação em comunicação, no sentido de contemplar o estudo da mídia no seu contexto, na sociedade, como elemento de transformação, como um desafio, um processo”. Para Braga, as transformações sociais em função da mídia não acontecem em decorrência das inovações técnicas, como se os avanços tecnológicos é que levassem a essa ou àquela mudança. Mas, explica ele, “o avanço tecnológico é socialmente determinado”. E continua: “Ao invés de pensar a transformação como uma incidência passiva da tecnologia na sociedade, percebo-a como a efervescência de invenções das pessoas no uso da tecnologia”


Para o professor José Luiz Braga, são as demandas da sociedade que provocam os avanços tecnológicos e não o contrário.



Jose Luiz Warren Jardim Gomes Braga é doutor em Comunicação, pela Université de Paris II, Institut Français de Presse, e mestre em Educação, pela Florida State University. Foi pesquisador em TV Educativa no Instituto de Pesquisas Espaciais (Projeto Saci) e presidente da COMPÓS (Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação) de 1993 a 1995. É autor de, entre outros, A sociedade enfrenta sua mídia - dispositivos sociais de crítica midiática (São Paulo: Paulus, 2006) e um dos organizadores de Midiatização e processos sociais na América Latina (São Paulo: Paulus, 2008).
Confira a entrevista.

 
IHU On-Line - Como a questão da midiatização aparece nas pesquisas universitárias?


José Luiz Braga – O estudo da mídia acabou se tornando um núcleo da discussão comunicacional. Há quem defina o campo comunicacional como a disciplina que estuda a mídia. Eu não defino dessa maneira. Acho, entretanto, que o que caracteriza o comunicacional é uma preocupação com os fenômenos da interação humana. De qualquer modo, percebo que, aí, a midiatização da sociedade é um elemento central. Independente da perspectiva com que se olhe a mídia – e há vários olhares, muito diferenciados -, esse é um objeto consensual. Embora tudo o mais se discuta, ninguém vai dizer que não interessa estudar a mídia. Na pesquisa universitária brasileira, nós já avançamos no sentido de não dar foco excessivo aos meios de comunicação. Hoje falamos da mídia em termos de processos. Não se trata de negar o “meio”, mas perceber que há processos mais difusos, a partir da mídia, que precisam ser observados. Então, a questão da midiatização aparece hoje fortemente. Precisamos desentranhar o que há de comunicação nos diversos campos do conhecimento; não separar em disciplinas, segundo a visão positivista, mas desentranhar. E a midiatização parece ser o lugar em que esse desentranhamento pode ser feito. De uma forma ou de outra, o tema da midiatização da sociedade aparece como preocupação em todos os programas de pós-graduação em comunicação, no sentido de contemplar o estudo da mídia no seu contexto, na sociedade, como elemento de transformação, como um desafio – um processo, justamente.    


IHU On-Line – Qual a origem do termo “midiatização” e há quanto tempo ele vem sendo usado?


José Luiz Braga – É difícil datar o surgimento do termo. Começa-se a falar na palavra “midiatização”, às vezes, significando simplesmente a forte presença da mídia na sociedade. O que antecede essa expressão é a palavra “midiatizada”, a partir da ideia de que vivemos em uma sociedade midiatizada ou midiática. Essa ideia parte de uma ação da mídia sobre a sociedade. O foco em midiatização como objeto central de estudo é bem recente, dos últimos dez, doze anos. A midiatização, ou processos midiáticos, que é como denominamos nossa área de concentração no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos, abarca processos que acontecem mesmo quando não estamos diante da mídia. A midiatização não acontece só quando se está produzindo e se está recebendo informação. Um exemplo seria o seguinte: você sai do cinema e, quando encontra seus amigos e sua família e fala sobre o filme, continua no âmbito da midiatização. Da mesma maneira aconteceu com o livro. Nós vivemos ainda no mundo da escrita, independente de estarmos diretamente trabalhando com materiais escritos.  


IHU On-Line - O senhor pode explicar em que sentido vê a midiatização como um processo interacional de referência?

José Luiz Braga É um desafio definir e pensar o que seria midiatização ou comunicação em uma perspectiva macro. Em uma perspectiva micro é relativamente simples. Temos processos sociais que já existiam sem a mídia e, portanto, as interações ocorriam fora de qualquer interferência midiática. Aos poucos, esses processos passam a ser midiatizados, perpassados pela mídia. Por exemplo, o carnaval no Rio de Janeiro. Ele se organiza como festa de rua. Num determinado momento, começa a ser mostrado. E, num outro momento ainda, ele se organiza em função da mídia. Os eventos passam a se organizar segundo o olhar midiático. Houve, então, uma midiatização. Do ponto de vista social geral, a partir daí percebo a midiatização como processo interacional de referência. Isso permite evitar a ideia de substituição. Sob um viés apocalíptico, ouvimos que a mídia está eliminando a escrita e que esta será substituída. Já a visão integrada ou deslumbrada pode dizer que a escrita “já era”, é linear, não tem profundidade, é cartesiana, racionalista, formal, fechada e que, felizmente, temos agora os grandes meios eletrônicos. As duas visões são simplistas. Os novos processos sociais caracterizam grandes mudanças, mas isso não significa que destroem ou salvam alguma coisa. Significa que trazem outros problemas e outra sistemática social. Os outros modos continuam a existir. Por exemplo, a escrita não eliminou a oralidade. Então, a midiatização como processo interacional de referência transforma os demais processos, mas mantém espaços de oralidade e de escrita. A escola é essencialmente uma instituição do livro. E, no entanto, ela é um espaço de oralidade, caracterizado pelo processo de referência, que é o livro. Quanto à midiatização, esta vai se tornando hoje o processo de referência para as interações – mas devemos assinalar que isso ainda está em curso, com lacunas e desafios.


IHU On-Line - Considerando o poder e a força de influência da midiatização, em que sentido ela provoca mudanças no âmbito da cultura e da política? Que mudanças poderiam ser citadas aqui a partir dos últimos avanços tecnológicos?


José Luiz Braga – Em relação aos avanços tecnológicos, eu gostaria de destacar uma questão lateral. Parto da perspectiva de que o processo não é mera da tecnologia, como se o avanço tecnológico é que determinasse essa ou aquela mudança. Creio que o avanço tecnológico é algo socialmente determinado. Não aparece uma tecnologia desenvolvida por um inventor que está fora do mundo, fora da sociedade. São as demandas da sociedade que provocam o avanço. Não é a mídia, a televisão, que cria uma sociedade nova. É uma sociedade caracterizada por diversos eventos que precisa de processos interacionais novos, porque os atuais não conseguem dar conta do que está em efervescência. Isso determina a criação tecnológica. É claro que a tecnologia, uma vez criada, começa a ser usada para outras coisas. Afinal, já que temos algo novo, o que podemos fazer com isso? Então, o primeiro aspecto é que a sociedade tem necessidade de viver da tecnologia. O segundo aspecto seria que é ainda a sociedade que pega uma tecnologia inventada e diz “vamos fazer isso ou vamos fazer aquilo”. São fenômenos que não estavam implicados no próprio gesto da invenção e, portanto, não estão implicados na tecnologia. É claro que há um terceiro aspecto: a tecnologia é autopoiética; começa a se gerar a si mesma. Começa-se a inventar tecnologia por tecnologia. E aí eu venho com as perspectivas interacionais. É a interacionalidade que inventa a tecnologia. A força do interacional é usar a mídia para fazer coisas que não eram possíveis fazer antes. Estamos em uma fase em que somos “aprendizes de feiticeiro”. A “feitiçaria”, que é a tecnologia, está inventada, e a sociedade aceleradamente inventa coisas. E não falo de descobrir, mas de inventar mesmo. A internet e os blogs são o exemplo mais óbvio disso. O jornalismo colaborativo é outro exemplo de uma invenção que a sociedade criou usando a tecnologia da internet como “matéria-prima”. Ao invés de pensar a transformação como uma incidência passiva da tecnologia na sociedade, percebo-a como a efervescência de invenções das pessoas pelo uso da tecnologia.


IHU On-Line – Atualmente, nós dispomos de dispositivos sociais que nos auxiliam na realização de uma crítica midiática?


José Luiz Braga – Sim, existem dispositivos sociais para uma crítica da mídia. Mas, no que se refere à mídia, nenhum chegou ao nível imponente dos dispositivos sociais do livro. Não existe nada comparável à escola com relação à mídia. E eu vejo a escola como o dispositivo social de interação referente ao livro. No entanto, há uma porção de dispositivos em relação à mídia também. Infelizmente, alguns já estão desaparecendo, como os cineclubes, onde o público se reunia para debater sobre os filmes assistidos no cinema. Outros dispositivos são, por exemplo, o ombudsman e as cartas do leitor, para que a crítica seja feita pela própria sociedade. 


IHU On-Line O senhor vê a sociedade brasileira e latino-americana acionando críticas da sua mídia? De que formas essa crítica se manifesta? 

José Luiz Braga – De forma muito incipiente e circunscrita. É apenas um grupo de pessoas e nem sempre são letrados. São indivíduos que, por alguma razão, demonstram um interesse que ultrapassa o que a mídia mostra. Num estudo que eu fiz sobre as cartas do leitor, percebi o quanto esse dispositivo de crítica é decepcionante, apesar das altas expectativas positivas que ele gerava em termos de crítica. As pessoas geralmente não conseguem perceber a mídia. Ela é transparente, as pessoas só veem os assuntos que estão sendo tratados. Mesmo assim, dá para selecionar alguns comentários que criticam a mídia e são tipicamente concretos, que é o que importa. Não são críticas genéricas à imprensa, mas algo bem pontual, do tipo “vocês foram tendenciosos na cobertura de tal fato”, ou “vocês não estão cumprindo o papel ético que deveriam cumprir”.

IHU On-Line - Quais seriam os processos de aprendizagem adequados em uma sociedade de interação midiatizada? 

José Luiz Braga – Com a midiatização, além dos processos da escola, da escrita e da oralidade, surgem novos processos, com os quais nós temos que aprender a lidar. Não dá para definir a priori o que é adequado e o que não é, porque, junto com os meios, surge a preocupação educacional do uso que se fará deles e como se pode aprender com eles. Os considerados “pobres de escola” aprendem a usar os novos meios para superar as lacunas de aprendizagem deixadas pela escola. Aqui na América Latina, esse processo é muito mais interessante do que na Europa, que tem uma escola muito mais rigorosa. Então, definir o adequado é complicado quando não sabemos muito bem o que temos em mãos. É por isso que eu coloco a crítica como processo de aprendizagem. Se não posso definir de antemão em que a mídia é adequada, um espaço possível de aprendizagem é o acionamento, em situações concretas de dispositivos críticos. O papel da escola é estimular esses dispositivos, praxiologicamente fazendo sua crítica, para ver como eles podem ser menos simplórios e canhestros, estimulando o seu desenvolvimento.

IHU On-Line - Que relações podem ser estabelecidas entre comunicação e educação quando o assunto é midiatização e a influência da mídia na vida das pessoas?

José Luiz Braga – As interfaces entre a Educação e a Comunicação não implicam necessariamente “cooperação”, mas também tensionamento. Os processos também se desenvolvem pelo tensionamento. A aprendizagem ultrapassa o âmbito da escola e entra num nível não controlado, que é o campo da mídia, onde se aprende de tudo, para o bem ou para o mal. O problema aqui é a ausência de controle, que não se pode fazer por hierarquia ou autoridade. O controle, nesse caso, viria da crítica. A produção de TV Educativa mostra o quão delicada é essa relação entre comunicação e educação. Não se trata apenas de problemas práticos, mas de visões completamente diferentes e de como superar isso. O trabalho educacional é o de enfrentar diretamente a delicadeza dessas questões. Devemos trabalhar o tensionamento, ao invés de tentar “resolvê-lo”, no sentido de colocá-lo para debaixo do tapete. A dificuldade de trabalhar em harmonia acontece porque os objetivos, os processos e as lógicas da educação e da comunicação são diferentes. Trata-se de construir algo novo, para trabalhar uma aprendizagem que não será totalmente controlada pela escola. Estamos na área da invenção social, onde aprendizagem e socialização estão integradas. 

IHU On-Line – E, ainda dentro dessa discussão sobre as relações entre comunicação e educação, como o senhor vê o fenômeno da Wikipédia, considerando-a como um instrumento de aprendizagem não apenas disponível na mídia, mas construído permanentemente nela e de forma coletiva pela sociedade?

José Luiz Braga – Esse é um exemplo muito interessante. Ele mostra a transmissão de um conhecimento, que não é mais preestabelecido, dicionarizado. É uma dessas experiências de articulação entre comunicação e aprendizagem que é absolutamente fundamental, mesmo sendo uma invenção em curso. Há riscos de aprendermos algo lá que seja insustentável, porque podemos acessar a Wikipédia em um momento em que determinado conteúdo não corrigido ainda estava lá, e é possível que amanhã de manhã já tenha saído. Não podemos esperar que toda a população está checando tudo, o tempo todo. Mas, quando percebemos os riscos, podemos trabalhar melhor com eles. Todos os campos de aprendizagem são tentativos, mesmo os mais tradicionais, como a sala de aula, pois não sabemos quais serão os modos segundo os quais cada estudantes se apropriará do conhecimento recebido. Teremos uma diversidade de interpretações em todos os cenários em que vivemos. Como escapamos da idiossincrasia individual? Como não somos radicalmente diferentes um do outro? Do ponto de vista social, o que nos faz pertencer a uma mesma realidade? Em perspectiva comunicacional, creio que construímos uma realidade comum porque interagimos, testamos constantemente com os outros a nossa interpretação.


IHU On-Line - Como o senhor caracteriza a midiatização na América Latina? De quais processos sociais ela se compõe?


José Luiz Braga – Um aspecto que temos que levar sempre em conta em termos de América Latina é o fato de que nós viemos de uma situação marginal do mundo da escrita. Isso faz uma diferença porque os processos sociais não fazem tabula rasa dos processos anteriores; a midiatização contemporânea surge no mundo da escrita. E nós somos menos do mundo da escrita do que o mundo europeu. Na América Latina, somos marcados pela oralidade, inclusive no mundo da academia. Digo isso para situar qual é o cenário latino-americano que entra em processo de midiatização. Ele entra com algumas vantagens e algumas desvantagens. Uma das vantagens favorece a televisão. A imagem não pede alfabetização. É um meio capaz de falar a todos diretamente e pode até ser usado para alfabetizar. Entre as desvantagens, lembro que o livro foi responsável no mundo europeu por processos de racionalidade que estão na base do pensamento político e democrático. É a escrita que realiza a separação necessária para a crítica. Eu só posso criticar se separo, se distingo. E esse é um problema na América Latina. A mídia aqui tende a ser mais superficial, porque os dispositivos críticos são mais frágeis. No caso da Europa, eles são muito mais competentes. Estou convencido de que, na Europa, a qualidade do sistema geral é mais coerente. Não basta criticar a produção da mídia e imaginar que um dia isso pode resolver os aspectos insuficientes de escolarização do receptor e gerar uma discussão social do sistema de resposta produtiva. Temos de trabalhar em todos os níveis. Jesús Martin-Barbero, quando insiste na necessidade de observamos o receptor, traz uma proposta muito latino-americana. Ele fala da importância de entender as mediações segundo as quais o receptor interpreta os meios. A Europa não pensaria nisso. De minha parte, creio que mais um passo seria dado pelo estudo das circulações sociais que os espectadores e usuários acionam após sua recepção – justamente através de um desenvolvimento dos dispositivos críticos.

Por: Graziela Wolfart

FONTE: http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2477&secao=289

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A Influência da Mídia na Educação

 A mídia é um fator fundamental na vida da sociedade, sem ela a sociedade fica aquém da realidade. Assistir televisão, navegar na Internet, falar ao celular são coisas do cotidiano da maioria da população mundial. Vive-se em uma era tecnológica em que se vêem ao vivo acontecimentos no mundo inteiro. E essa tecnologia influencia o tempo todo à sociedade e em conseqüência, a educação, tanto informal quanto formal. A influência da mídia na sociedade e na educação é um tema muito discutido e questionado. 

Este tema é bastante polêmico, pois muitos afirmam que a mídia pode ser uma influência negativa, já outros acreditam que a mídia deve ser de interesse de professores, pais, alunos, pois ela pode melhorar a educação.

A mídia é importante não somente na educação, mas também na sociedade, pois a partir dela o indivíduo aprende a interagir com o mundo a seu redor e também a ser uma pessoa crítica e de opinião na sociedade. 

2. MÍDIA E EDUCAÇÃO NO BRASIL


2.1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA





A educação a distância tem sido o grande desafio do preparo de participantes e professores, pois se trata de uma nova tecnologia e tudo que é novo requer que se trabalhe um processo de aprendizagem e adaptação.

Essa nova tecnologia recebeu notável impulso a partir da aplicação de novas tecnologias, notadamente aquelas que envolvem a Internet. A intensa capilarização das redes interconectadas de computadores vem ampliando o público desta modalidade de ensino ao mesmo tempo em que confronta aqueles que trabalham em educação com novos desafios dentro de uma realidade.

Novas tecnologias, ao se disseminarem pela sociedade, levam a novas experiências e a novas formas de relação como outro, com o conhecimento e com o processo de ensino-aprendizagem. Também foi assim com a escrita que é uma tecnologia. A própria origem da Educação e da Escola, tal como concebemos hoje, depende fundamentalmente desta tecnologia de registro e recuperação de informação que é a escrita. O desenvolvimento desta tecnologia promoveu grandes transformações na prática educativa.

Hoje para nós, é praticamente inconcebível ensinar e aprender sem os livros, objetos que somente começaram a ser usados em larga escala com o advento da máquina de imprimir e da técnica de corte de papel que permitiu que os livros se tornassem portáteis.


Atualmente, as novas tecnologias, especialmente as que estão ligadas às chamadas “mídias interativas”, estão promovendo mudanças na Educação, num processo que parece estar apenas começando. Para a maioria dos educadores elas são absolutamente desconhecidas. 
Uma parcela muito pequena teve algum contato ou usa com alguma freqüência estas tecnologias. E, mesmo para estes, elas representam uma imensa novidade.

As novas tecnologias são uma novidade que requer adaptação em termos operacionais, com isso é preciso aprender a mexer com equipamentos, a trabalhar com programas e assimilar conceitos e vocabulários próprios de uma nova área. Mas, além disto, estas tecnologias nos levam as novas experiências em sentido mais profundo. No mundo da comunicação mediada por computador vive-se num outro espaço e num outro tempo, diverso do tempo e do espaço vividos no mundo da comunicação de oralidade primária e da cultura escrita.

Com a chegada destas novas tecnologias, chega também um novo tempo e um grande desafio para a prática educativa que irá utilizar essa tecnologia, pois é preciso promover a ambientação de professores e alunos no espaço virtual dos sistemas on-line de educação a distância.

Existe ainda por parte de alguns alunos a aversão e difícil adaptação ao espaço virtual. O que grande parte deles acredita é que precisa ter um contato direto com o professor para que a interação ou até mesmo o aprendizado possa ocorrer. O problema era o modelo pedagógico no qual ele fora ambientado desde sua pré-escola. Um ambiente em que o aluno é visto fundamentalmente como um receptor de conteúdos, cuja tarefa é assimilar e reproduzir, mas quase nunca problematizar, analisar, refletir, isto é, discutir.

Se no ambiente virtual de ensino-aprendizagem são disponibilizados estes recursos e seu uso é incentivado, o aluno precisará desenvolver outra atitude, adquirir novos hábitos, deixar de ver-se como um receptor no final de uma linha e passar a ver-se como um nó de transmissão numa teia de linhas de comunicação. Este precisará deixar sua postura passiva e adotar uma postura ativa.

2.2 OS PROBLEMAS E DESAFIOS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NO BRASIL


A educação a distância evoluiu através de diversas gerações e baseia-se num modelo educacional em que a aprendizagem não tem limitações espaciais ou temporais (MOORE E KEARSLEY, 1996). 

Historicamente, o ensino a distância evoluiu através de diferentes gerações acompanhando o desenvolvimento tecnológico das telecomunicações, da informática e da internet. As tecnologias utilizadas aumentaram progressivamente em numero, complexidade e potencialidade, criando novos modelos de formação a distância.

A educação à distância disponibiliza inúmeras vantagens como: A flexibilidade no acesso a aprendizagem, podemos escolher a hora e local de estudo que queremos; Economia de tempo, não sendo necessário viajar, nem interromper as atividades diárias; A competência, onde é desenvolvida a organização de estudos e trabalhos intelectuais; A inclusão, que possibilita atender um grande número de pessoas.

Durante muito tempo o Brasil esteve alheio à evolução desta metodologia alternativa de ensino, mas finalmente neste novo milênio, o país está redescobrindo a educação a distância dentro do contexto, inserindo-se na revolução tecnológica que vem estabelecendo novos conceitos de comunicação, facilitando o contato entre as pessoas e permitindo o acesso a uma grande quantidade de informações necessárias à tomada de decisão no mundo globalizado.

Através de uma pesquisa realizada será mostrado a seguir um gráfico com a porcentagem dos estudantes brasileiros com acesso à Internet na escola:

Gráfico 1: Acesso a Informática nas Escolas

FONTE: INEP, 2009

Existem ainda grandes desafios para a implementação e desenvolvimento da Ead (Educação a Distância), no país. O Brasil hoje conta com cerca de 50 milhões de estudantes matriculados no ensino básico à espera de acesso a esse “mundo digital”. Devemos pensar que antes de falar do uso de tecnologias digitais, é necessário falar na integração do usuário às novas mídias, pois são poucos os estudantes que hoje no Brasil tem acesso à internet nas escolas. 

Alienada a isto, atualmente é difícil acreditar que a falta de acesso à energia elétrica também é um dos fatores que atinge 10 milhões de casas. Dos 55 milhões de alunos matriculados no 1º e 2º grau, 10 milhões estudam em escolas sem energia elétrica. Sem contar nas várias escolas que não possuem esgoto e nem água, que são fatores cruciais para a garantia de qualidade em qualquer modalidade de ensino.

A falta de energia elétrica impede ainda que estes alunos tenham acesso ao computador, televisão e vídeo, equipamentos cada vez mais usados pela mídia no processo de aprendizagem. Nem os professores podem se aperfeiçoar ou se qualificar assistindo os programas da TV. Esses estudantes do ponto de vista pedagógico estão alienados e impedidos de usufruírem equipamentos importantes no processo de aprendizagem.

Portanto, o ensino a distância é um fator de grande importância para a inclusão social e a democratização do conhecimento. Assim para romper essas barreiras e criar infra-estrutura necessária, é preciso uma ação conjunta dos governos federal, estadual e municipal. Com isso espera-se que esses fatores venham alavancar o processo de buscas de soluções alternativas para a democratização do ensino no Brasil. Levando, assim a uma melhor qualificação dos professores do ensino médio e conseqüentemente diminuindo a alta taxa de analfabetismo e a exclusão educacional.


2.3 A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NA EDUCAÇÃO

2.3.1 Recursos de Ensino


A mídia pode ser inserida em sala de aula através dos Recursos de Ensino. Estes segundo Gagné (1971, p. 247) “são componentes do ambiente da aprendizagem que dão origem à estimulação para o aluno”. Estes componentes são, além do professor, todos os tipos de mídias que podem ser utilizadas em sala de aula, tais como, revistas, livros, mapas, fotografias, gravações, filmes etc.

A utilização de recursos de ensino diminui o nível de abstração dos alunos, pois eles vêem na prática o que estão aprendendo na escola, e podem relacionar a matéria aprendida com fatos reais do seu cotidiano. Desta forma é mais fácil eles absolverem os conteúdos escolares. 

Dale (1966) criou uma classificação de recursos de ensino que é bastante utilizada. Ele nos trouxe o “cone de experiências”, que mostra que o ensino verbalizado, uso de palavras sem experiência, não deve mais ser usado pelo professor, pois os alunos aprendem mais quanto mais pratica experiências em torno do que está sendo ensinado. 



Figura 1: Pirâmide do Aprendizado
FONTE: (DALE, 1966, p. 221)



Segundo Dale (1966), os objetivos do uso dos recursos de ensino são: 

• motivar e despertar o interesse dos alunos;
• favorecer o desenvolvimento da capacidade de observação;
• aproximar o aluno da realidade;
• visualizar ou concretizar os conteúdos da aprendizagem;
• oferecer informações e dados;
• permitir a fixação da aprendizagem;
• ilustrar noções mais abstratas;
• desenvolver a experimentação concreta.

Para utilização dos recursos de ensino é preciso estar atento aos seus objetivos, eficácia e função em relação à matéria ensinada. Todos esses objetivos podem ser alcançados através de recursos de ensino, midiáticos, como, por exemplo, computador, internet, em que o aluno além de conhecer novas tecnologias, faz também interação com o mundo e novas informações. O aluno busca algo novo, algo atrativo, e a educação deve acompanhar essa busca. Mas não basta apenas usar a tecnologia, no ambiente de ensino/aprendizagem temos que rever o uso que fazemos de diferentes tecnologias enquanto estratégias, tendo clareza quanto à função do que estamos utilizando, não basta trocar o livro por um computador se na prática não promovemos a inclusão do aluno, no que se refere aos processos de aprendizagem.

O computador é conhecido como uma tecnologia da informação devido a sua grande capacidade na solução de problemas relacionados a armazenamento, organização e produção de informação de várias áreas do conhecimento. A utilização dessa tecnologia pode ser usada de varias formas, como programas de exercício-e-prática, jogos educacionais, programas de simulação, linguagem de programação entre outros, despertando assim um grande interesse do aluno.

Conforme observado por Valente (1993), o computador não é mais o instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno desenvolve algo, e, portanto, o aprendizado ocorre pelo fato de estar executando uma tarefa por intermédio do computador. O processo de interação se torna mais agradável com a presença da multimídia na aprendizagem, pois naquele momento o aluno está descobrindo o novo, o contemporâneo.

2.3.2 Recursos Audiovisuais


Recursos audiovisuais são os que estimulam a visão e/ou a audição. Esses recursos contribuem para a absorção de conteúdos através de comparações com fatos e elementos do cotidiano do aluno.

Os avanços tecnológicos nos últimos cinqüenta anos contribuíram para a formação de um mundo ao vivo e a cores. A queda do muro de Berlim, por exemplo, foi visto simultaneamente em todos os lugares do mundo que possuíam televisão. Hoje, as informações viajam rapidamente e tem-se que estar a atento a tudo, TV, Internet, celular, I-pod, MP3, MP4, todos esses recursos fazem parte do dia-a-dia das crianças do século XXI. Então, porque não utilizá-los em sala de aula?

Muito se discute sobre a qualidade na educação. A complexidade do ato educativo suscita inúmeras abordagens e múltiplas respostas, mas a análise de casos de sucesso indica alguns pontos comuns.

Vários estudos e pesquisas feitos a partir de instituições de ensino cujos alunos alcançaram pontuação elevada em provas feitas pelo Ministério da educação, apontam com fatores presentes nessas escolas, gestores com capacidade de liderança e autonomia para desenvolver projetos personalizados, são professores com boa auto-estima e comprometidos com o sucesso escolar e um ambiente escolar caracterizado pela pluralidade de estratégias didáticas.

São escolas que não dispõem de boas instalações e que a única riqueza que possuem é a “riqueza de estratégias pedagógicas”. Elas exploram todos os recursos que possuem incluindo os que estão na comunidade em que se inserem. Livros didáticos, obras literárias, jornais, TV, rádio, revistas, computadores, teatros etc., todos esses recursos integram harmonicamente o projeto pedagógico, incentivando os alunos, elevando a qualidade e conquistando o apoio das famílias.

Em casos como estes se pode perceber o quanto a mídia pode ajudar, fazendo dos professores, profissionais criativos, protagonistas da educação e não simples repetidores. A mídia nos dá a oportunidade de inserir nosso aluno no mundo tecnológico e ao mesmo tempo passar o conhecimento de matérias que devem ser vistas, de uma forma inovadora e compartilhada. Muitos pais e professores têm grande resistência à TV, Internet, mas se estas forem utilizadas como recurso de ensino, elas têm um grande valor na educação, pois com elas, não se trata de treinar um usuário de mídias, mas de formar um cidadão capaz de explorar, analisar e refletir criticamente sobre as inúmeras fontes de informação e comunicação que o cercam e de produzir em diferentes linguagens e mídias, comprometendo-se com o impacto dessa criação no meio que o cerca.

2.3.3 A TV e a Educação: méritos e deméritos


Conforme Maia (2003), a mídia é a designação genérica dos meios de comunicação social; jornais, revistas, cinema, rádio, televisão, internet. Assim ela está no dia-a-dia das pessoas. 

Hoje em dia, as informações estão ao nosso redor constantemente. Se quisermos saber sobre qualquer notícia do passado ou sobre as programações das baladas de sábado à noite, ou o endereço de tal loja, tudo isso se consegue rápido e fácil pela Internet. 

As notícias são transmitidas ao vivo, enquanto que no passado eram levadas por barcos através do oceano e levavam dias e até meses para chegar em outro continente. A televisão é um veículo de massa que melhor transmite informações por ser de fácil aquisição, devido ao seu baixo valor aquisitivo. Por isso, este trabalho dá especial destaque a este veículo midiático.

Quando se liga uma televisão o indivíduo receptor é invadido por várias informações, e ele pode ser influenciado ou não pelo que assiste. A maneira como são mostrados os programas também é importante, porque pode contagiar o público. Se determinado canal de televisão é a favor de um fato, e outro canal é contra, isso faz com que o público tenha uma visão crítica, e um poder de escolha, entretanto somente tomar partido de uma das partes às vezes é pouco. A sociedade pode ficar alienada ao que vem mastigado pelos programas televisivos e não ser capaz de ver outros ângulos e hipóteses de um mesmo acontecimento. 

Por outro lado podemos ver a TV com o um grande fator na educação. Em 1996, o Ministério da Educação, por meio da recém-criada Secretaria da Educação a Distância, lançou nacionalmente o programa TV na Escola, cuja finalidade era a qualidade da educação e oferecer às escolas um riquíssimo acervo de recursos didáticos capaz de enriquecer o projeto pedagógico das instituições e de valorizar os professores da educação. O foco da TV na Escola era os professores e alunos. 

Com base nas experiências e pesquisas feitas, esse curso foi elaborado com a proposta de capacitar o educador, no uso critico e criativo da TV e do vídeo. Toda a experiência com o curso TV na Escola, em especial tinha o propósito de formar professores profissionais no uso da TV e vídeo. Todavia, era preciso atualizar a linguagem, integrar as tecnologias, renovar estratégias didáticas, garantir aos educadores condições de produção em diferentes linguagens e mídias, para que os alunos recebessem toda a tecnologia com sucesso. Esse fator com certeza traria para a sala de aula algo novo e inusitado para os alunos.

2.3.4 As Influências Negativas e Positivas da Televisão na Sociedade

Parece mentira, mas infelizmente é verdade. Novelas e filmes da televisão estão fazendo apologia ao crime e a violência. A qualquer hora do dia ligando a Televisão, só vemos tiros, facadas, sequestros, destruição, mortes, e muitas vezes nos perguntamos, será que o mundo é só isso?

Segundo Hoinef (1991), a televisão é uma forma de privação de sentidos, causando desorientação e confusão. Ela suprime e substitui o imaginário humano, encoraja a passividade da massa e treina as pessoas para aceitar a autoridade.

O autor compara a televisão a um veneno que se expandiu pelo mundo, com enorme poder de destruir padrões de comportamentos, atitudes e valores que culturas e subculturas reverenciam para sobreviver, e ainda exercem sobre nós um poder de influência muito grande, nos fazendo aceitar o que é imposto.

A luta pela audiência, de toda a forma tem levado emissoras brasileiras a trocar o bom-gosto e o respeito pelo público por um verdadeiro festival de baixarias, incluindo sexo, violência etc. A onipotência da televisão, o seu poder sem limites, impede que se possa ensinar ética a sociedade.

Desde que a televisão surgiu sempre nos acrescenta “pratos de má qualidade”, para disfarçar o seu gosto detestável e insípido, pois infelizmente este veículo de comunicação não nasceu para isso, mas sempre se confunde a realidade e ficção com a maior tranqüilidade.

A modernidade na educação básica do Brasil é algo muito importante e deve ser tratado com muita responsabilidade e sabedoria. Primeiramente devemos analisar a necessidade de incorporar as novas tecnologias educacionais aos conceitos de modernização, com isso percebemos que o Brasil tem cerca de 1.300.000 professores em todos os graus. Pode ser considerada uma operação de guerra a reciclagem destes em relação ao processo midiático, que por sinal é um elemento essencial ao processo, para que mensagens modernas formem a informação aos alunos.

Nesta busca pela modernização, o papel da televisão educativa é de grande importância, pois o aluno tem mais facilidade em aprender através de recursos audiovisuais. A televisão pode ser usada como um instrumento auxiliar do processo ensino-aprendizagem, usando em cada escola um rádio, um DVD e uma televisão, por exemplo.

Além disso, a televisão ajuda no desenvolvimento da sociedade, quando é informativa e cultural. Ela traz ao público informações sobre outros povos, outros modos de vestir, comer e educar. 

Segundo Torres (1998), a televisão contribuiu para reforçar a democracia, pois fala em linguagem simples sobre assuntos variados. Toda informação passada pela televisão atinge todos os cidadãos, fornecendo o discernimento sobre vários assunto, e contribuindo para aumentar a participação na comunidade. 

Enfim, se a televisão for utilizada para informar ela será uma arma a favor da população, tanto para se qualificar como para estar sempre a par das informações ao redor do mundo. Além disso, não importa o programa que é transmitido pela TV, importa se o público tem uma visão crítica e sabe separar o que é bom e o que é ruim, o que deve ser guardado e transmitido. A pessoa deve ler as mensagens subliminares, entender quais idéias são passadas e assim poder dominar a televisão e não ser dominado por ela.

3 CONCLUSÃO

Através de pesquisas realizadas pode-se concluir que a mídia tem seus méritos e também seus deméritos, mas cabe aos pais e professores, saber utilizá-la para meios didáticos e benéficos em nossas vidas.

A mídia é toda a tecnologia que nos rodeia, e essa tecnologia tem crescido dia após dia. Se a escola não introduzir o aluno nesse mundo tecnológico, seja através da televisão ou do computador, mais tarde o mercado de trabalho vai cobrar isso dele e será muito mais difícil a sua inserção na sociedade.

Nota-se que a mídia na educação se bem utilizada pode trazer grandes resultados, e até ajudar na formação de um indivíduo. A aprendizagem, por exemplo, fica mais fácil para os alunos quando o professor utiliza filmes, cartazes, livros ou qualquer outro tipo de mídia. É mais fácil a absorção de conteúdos na escola com uso de recursos que estão no dia-a-dia dos estudantes.

Outro fator importante que discutido foi a EaD, Educação a Distância, muitos educadores e até mesmo alunos não concordam com o ensino a distância, mas como percebemos, é um ensino onde o aluno é o coordenador de seu próprio tempo, seu desempenho é maior e sem duvidas ele é merecedor de um diploma, assim como o aluno de um curso presencial. No ensino a distância, o aluno também se dedica e com certeza se dispõe de tempo e estudos mesmo estando longe da sala de aula. Ele é beneficiado pela tecnologia que lhe promove a oportunidade de estar em casa acessando as matérias, através da rede de computadores e assim pode obter certificação.

A televisão também é um meio de comunicação muito utilizado, e pode auxiliar no processo de ensino aprendizagem. Porém, se mal utilizada em casa ou até mesmo na escola, pode causar grandes problemas, pois ao se deixar influenciar, o individuo se torna escravo dela. A mídia tem o poder de criar, formar e transformar um indivíduo, dependendo de como for utilizada. Cabe a cada um dos pais e professores auxiliar e até mesmo aprender a usar a mídia para o nosso beneficio.

Por fim, entende-se que o governo deve investir em tecnologia nas escolas, especialmente nas escolas públicas, haja vista para as grandes desigualdades sociais e regionais que ainda persistem em nosso país. É necessário adotar políticas públicas diferenciadas por região e contar com a participação de toda a sociedade, para que o Brasil figure entre aqueles países com tecnologia de ponta, principalmente advinda de uma educação inclusiva.


FONTES: A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NA EDUCAÇÃO. 
Uzias Ferreira Adorno Júnior¹. Faculdade Albert Einstein. Brasília. 2009.

http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/a-influencia-da-midia-na-educacao/36848/


REFERÊNCIAS

DALE, Edgar. Metodos de Enseñanza Audiovisual. México: Editorial Reverte Mexicana, 1966.

GAGNÉ, R. Como se realiza aprendizagem. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1971. 

HOINEF, N. TV em Expansão. Rio de Janeiro: Editora Record, 1991.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Publicações. Brasília, 29 jan. 2009. Disponível em: <http://www.publicacoes.inep.gov.br>. Acesso em: 03 dez. 2009. 

MAIA, João Domingues. Português-Novo Ensino Médio. Volume único. 10.ª edição – São Paulo: Editora Ática, 2003.

MOORE, M. G., KEARSLEY, G. Distance Education: a systems view. Belmont (USA): Wadsworth Publishing Company, 1996.

TORRES, Eduardo Cintra. Ler televisão. Oeiras: Celta Editora, 1998.

VALENTE, J. A. . Diferentes usos do computador na Educação. In: VALENTE JA. (Org.). Computadores e conhecimento: repensando a educação. 2ª ed. Campinas: Gráfica Central UNICAMP, 1998, v. , p. 1-27.

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