terça-feira, 28 de junho de 2016

CIBERESPAÇO: A Cibercultura na Educação


                                                               

por Marcelo Mendonça Teixeira

                                     

Apesar dos evidentes benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, devemos repensar a influência da internet e das novas tecnologias em nossa cultura, conscientes de seus pontos fortes e limitações,  como a falta ou a precariedade de acesso à rede.O ciberespaço, responsável pela rede global de comunicação mediada, possibilita as relações tecnos sociais atuantes na sociedade contemporânea, ampliadas por redes sociais: uma sociedade conectada, colaborativa, hipertextual, destituída de presencialidade física e apoiada por interfaces da Web 2.0, mais recente, por recursos da Web semântica e pela computação em nuvem. Outros tantos atributos são delegados ao universo virtual, assim como os problemas que dela fazem parte, como isolamento e sobrecarga cognitiva, informações duvidosas, dependência e info-exclusão de milhares de pessoas que também querem fazer parte dessa cultura global, mas que, por algum motivo, geralmente de cunho econômico, estão longe de se tornar ciberculturais e integrantes de alguma geração digital.
 

O conceito de cibercultura 

 

 

 

A ausência de significado explícito na literatura nos condiciona ao étimo da palavra “cibercultura”. Assim, em sentido estrito, temos o prefixo “ciber” (de cibernética) + “cultura” (sistema de ideias, conhecimentos, técnicas e artefatos, de padrões de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade). No entanto, o ambíguo conceito sofre variações a partir do referencial etimológico, pois cada autor exprime uma conotação ideológica e descritiva própria que nem sempre é compartilhada por seus pares. Desse modo, optei por aqueles que se dedicam ao estudo das práticas tecnossociais da cultura contemporânea e de suas novas formas de sociabilidade, comutadas do mundo físico para o universo virtual (Teixeira, 2012a). 
 
Pierre Lévy, ao publicar A máquina universo (1987), lapida o conceito de cibercultura ao indagar questões pertinentes ao movimento sociotecnocultural em que a sociedade está inserida. Segundo o filósofo, este é um tema polêmico e multifacetado em que culturas nacionais fundem-se a uma cultura globalizada e cibernética, envoltas no ciberespaço e orientadas por três princípios: interconexão, comunidades virtuais e inteligência coletiva. Trata-se de um “conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (Lévy, 2010, p. 17). As “técnicas” condicionam as interações sociais, mas não representam a cultura do ciberespaço, que se incorpora no espaço virtual-cognitivo das pessoas, na partilha de sentimentos, informações e saberes. Afinal, “a virtualização é um dos principais vetores da criação da realidade” (Lévy, 2009, p. 18). 
 
Desde o final da década de 1990, a introdução das tecnologias de informação e comunicação (TICs) na educação é aceita por sistemas de ensino em todo o mundo como uma epítome do desenvolvimento educacional na história da humanidade. Nesse sentido, os governos nacionais têm investido massivamente na compra de equipamentos, softwares e formação docente contínua, à medida que surgem recursos tecnológicos inovadores.
 
Em situação contrária, o país é rotulado como uma nação pobre e infoexcluída pelo International Bureau of Education, órgão da Organização das Nações Unidas para a Educação e a Ciência (Unesco) especializado em educação com o objetivo de facilitar a oferta de educação de qualidade em todo o mundo. Na verdade, criou-se um estigma globalizado que correlaciona o aparato tecnológico da escola, da universidade ou do centro de ensino à qualidade da educação, tornando-o sinônimo de mão de obra qualificada, mas nenhuma evidência científica lastreia o argumento de que as TICs são decisivas na aprendizagem de jovens e adultos, conforme Aviram (2000).
 
Não seriam facilitado­res? Aviram propõe que o desenvolvimento mais significativo que acompanha a revolução das TICs na educação ocorre fora da escola, refletido na impressionante quantidade de alunos que não estudam em casa nem pertencem a nenhum sistema formal de ensino (prática comum no Reino Unido). Citando o caso inglês, o autor conta que os membros da classe média acreditam que as chances para o progresso educacional de seus filhos são maiores em casa (com o auxílio de materiais didáticos e grupos de apoio baseados na internet) do que na escola. O mesmo se estende à universidade, dados os milhares de alunos matriculados em cursos de nível superior on-line. A Open University, por exemplo, tem aproximadamente 250 mil estudantes no Reino Unido, na Irlanda e na Europa (www8.open.ac.uk /about/main/).
 
O ciberespaço possibilita o autoaprendizado, facilita a interatividade e estimula a troca de informações e saberes, mas não garante o sucesso do aprendizado, comumente desmotivado pela falta de estímulo. Disso decorre a importância da escola e do professor como mediadores do conhecimento a ser construído, aliados às estratégias pedagógicas, materiais didáticos e metodologias de ensino. Ainda assim, particularidades por vezes desconhecidas, outrora ignoradas, fazem a diferença quando “lincamos” educação a cibercultura. Diante disso, Lemos (2003) indica novas possibilidades de socialização do conhecimento através de três leis da cibercultura: lei da liberação do polo da emissão, lei da conectividade e lei da reconfiguração.
 
A primeira refere-se a uma modificação no modelo de comunicação até então vigente (meio massivo unidirecional — um para todos) e cede espaço à comunicação interativo-colaborativa (meio pós-massivo multidirecional — todos para todos). A máxima é “tem de tudo na internet”, “pode-se tudo na internet”. A segunda define que a rede está em todos os lugares, generalizada, interligando tudo a todos. Mediante a crescente interconexão entre dispositivos de comunicação digital, amplia a troca de informações entre homens e homens, máquinas e homens e também entre máquinas e máquinas. A terceira é contrária à mera substituição de práticas e favorável a seu redesenho em face das novas possibilidades instrumentalizadas pelo ciberespaço, evitando a lógica da substituição ou do aniquilamento dos antigos meios, já que, em várias expressões da cibercultura, trata-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas ou espaços sem a substituição de seus respectivos antecedentes (Lima, 2011; Lemos, 2003).
 

Uma educação cibercultural

 
 
 
 
Para a educação, urge que implementemos mudanças no ensino tradicional, secularmente institucionalizado, reconfigurando práticas educomunicativas de acordo com o novo cenário sociotécnico atual, frente à emergência de novas formas de comunicação interativa (muitos para muitos) e da miríade de conteúdos informativos na rede. Doravante, acompanhar a evolução midiática e fazer uso tanto dos antigos quanto dos novos recursos comunicativos é um imenso desafio, congênere às peculiaridades de cada contexto educativo (situações ambientais e transformações da consciência coletiva em rede), obviamente, em sentido figurado, tendo em vista que a alfabetização midiática não está disponível a grande parte da população mundial.
 
Aos afortunados “nativos digitais” equivale a realidade mencionada: um universo virtual que suporta o processo de criação, produção e distribuição de produtos, informações e serviços; a inteligência coletiva, o hipertexto e a inteligência artificial; as interfaces síncronas e assíncronas de comunicação; as comunidades virtuais, a colaboração em massa e a interatividade em tempo real, onde as pessoas estão conectadas e o conhecimento é compartilhado (através de imagens, vídeos, textos, áudios) em escala global (Teixeira, 2012b). A cibercultura totaliza esse contexto, símbolo de um período da história da humanidade marcado pela comunicação eletrônica e pelas mídias digitais, influenciando, direta ou indiretamente, a educação e os modos de ensinar e aprender. 
 
A cibercultura também se faz presente na educação por meio de múltiplas linguagens, múltiplos canais de comunicação e em temporalidades distintas. As interfaces da Web 2.0, por exemplo, permitem um contato permanente entre escola, professores, alunos e seus pares no ambiente virtual de ensino. Sem fronteiras para o conhecimento, os conteúdos educativos são trabalhados interativamente na comunidade estudantil, de forma síncrona e assíncrona, com a possibilidade de produzir e compartilhar conhecimentos colaborativamente com qualquer outro estudante em qualquer parte do mundo.
 
Contudo, apesar dos evidentes benefícios para o processo de ensino-aprendizagem, devemos repensar a influência da internet e das novas tecnologias em nossa cultura, conscientes de seus pontos fortes e limitações, como a falta ou a precariedade de acesso à rede. Além disso, é fundamental avaliar a capacidade do estudante para utilizar as tecnologias propostas como instrumento de produção de conhecimentos transdisciplinares, e não apenas de informação, redefinindo a racionalidade comunicativa em estratégias educacionais no ambiente virtual.
 
Em outras palavras, a abstenção não é realmente uma opção para instituições de ensino, professores e gestores educacionais, já que a introdução das TICs na educação faz parte de uma revolução sociocultural mais ampla e profunda que está mudando a cultura do mundo contemporâneo. Quem deseja sobreviver profissionalmente a essas mudanças ciberculturais não tem outra opção senão adaptar-se à época em que vivemos, marcada por novos modos de comunicação, estilos de vida, identidades, entretenimento, interatividade às novas formas de ensinar e aprender.
 
A adaptação, porém, requer uma estratégia bem definida, com base em uma clara compreensão da nova cultura emergente, dos valores explícitos e objetivos educacionais, evitando o instrucionismo mecanizado. Por isso, torna-se necessária uma literacia informática prévia entre educadores e educandos, como meio de melhorar competências, conhecimentos, atitudes e perspectivas sobre o futuro da aprendizagem, que é cada vez mais colaborativa. Os consumidores tornam-se produtores e os produtores tornam-se consumidores de conteúdos, bens e serviços, em um novo modelo econômico planetário, sem restrições ou barreiras, induzido por um processo contínuo de colaboração massiva (Tapscott e Williams, 2010).
 
Portanto, o conceito de cibercultura está em permanente transformação, com muitas conotações, idealizadas notoriamente pelas práticas tecnossociais da cultura contemporânea e de suas novas formas de sociabilidade no universo virtual, ou seja, uma virtualização cultural da realidade humana, fruto da migração do espaço físico para o virtual mediado pelas TICs e regida por códigos, signos e relações sociais dentro e fora dos espaços escolares. 

Referências


AVIRAM, A. (2000). “Computers in the classroom” to mindful radical adaptation by education systems to the emerging cyber culture. Journal of Educational Change, v. 1, n. 4, p. 331-352, dez. 2000.

LEMOS, A. Cibercultura: alguns pontos para compreender a nossa época. In: LEMOS, A.; CUNHA, P. Olhares sobre a cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2003. p. 11-23.

LÉVY, P. La machine univers: création, cognition et culture informatique. Paris: La Découverte, 1987. 
___. Cibercultura. São Paulo: Edi­tora 34, 2009.
___. O que é virtual? São Paulo: Editora 34, 2010.

LIMA, M. (2011). Educação na cibercultura: novas possibilidades para o ensino-apren­di­zagem. Disponível em: 

TAPSCOTT, D.; WILLIAMS, A. Wikinomics: how mass colla­boration changes everything. New York: Penguin Group, 2010.

TEIXEIRA, M. Cyberculture: from Plato to the virtual universe. The architecture of collective intelligence. Munique: Grin Verlag, 2012a.
___.  As faces da comunicação. Munique: Grin Verlag, 2012b.

  • Marcelo Mendonça Teixeira Mestre em Tecnologia Educativa, professor e consultor em tecnologias de informação aplicadas às plataformas de e-learning. marcelo.uminho.pt@gmail.com 
                                    

sábado, 25 de junho de 2016

Como compreender o computador e a internet como instrumentos culturais de aprendizagem?

O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social” (VYGOTSKY)

Vygotsky tem uma concepção do conhecimento que avança em relação às teorias
psicológicas subjetivistas e objetivistas que se apresentam fragmentadas e a-históricas,
considerando o sujeito de forma abstrata e descontextualizada. Dessa forma, acentuam a
natureza individual do homem em detrimento das circunstâncias sociais que o envolvem. A
insatisfação com os dois modelos psicológicos objetivistas e subjetivistas levou Vygotsky à
busca de uma superação numa perspectiva que, baseando-se na dialética marxista, pudesse
compreender o homem real e concreto. Ao empreender uma crítica da psicologia de seu
tempo, apresentou não uma terceira via para se compreender a construção do conhecimento,
mas foi mais longe, realizando de fato um rompimento ao articular sua proposta psicológica
inovadora. Essa é a perspectiva histórico-cultural, para a qual o conhecimento não é
adquirido, mas construído na relação com o outro. Uma relação dialética entre sujeito e
objeto, isto é, entre o sujeito e o meio histórico. É uma questão de base social, de uma
relação não só com objetos, mas principalmente uma relação entre pessoas, entre sujeitos.

Para o autor, a relação do sujeito com o conhecimento não é, portanto, uma relação
direta, mas mediada. Essa mediação se processa via um outro, via instrumentos e signos.

Vygotsky (1995), ao formular o princípio
geral de sua teoria dizendo que as funções mentais superiores especificamente humanas têm
uma origem social, está dizendo que na história do homem há um duplo nascimento: 
o
biológico e o cultural. 
A inserção na cultura pela interação com o outro via linguagem é que
possibilita a criança se tornar de um simples ser biológico em um ser cultural, humano.

Pensando o computador e internet com o olhar da perspectiva histórico-cultural,
procuro inicialmente compreender como, a partir da idéia de cultura em Vygotsky, posso
chamá-los de culturais.
Computador e internet
introduzem uma forma de interação com as informações, com o conhecimento e com as outras
pessoas, totalmente nova, diferente da que acontece em outros meios como a máquina de
escrever, o retroprojetor. No uso do computador e da internet a ação do sujeito se faz de forma
interativa e enquanto lê/escreve, novos fatores intelectuais são acionados: a memória (na
organização de bases de dados, hiperdocumentos, organização de arquivos); a imaginação
(pelas simulações); a percepção (a partir das realidades virtuais, telepresença). Outros tipos de
comunicação afetam os usuários por vários canais sensoriais, combinando texto, imagem, cor,
som, movimento. Trata-se de uma nova modalidade comunicacional absolutamente diferente

possibilitada pelo digital: a interatividade.

(...)

Computador e internet
introduzem uma forma de interação com as informações, com o conhecimento e com as outras
pessoas, totalmente nova, diferente da que acontece em outros meios como a máquina de
escrever, o retroprojetor. No uso do computador e da internet a ação do sujeito se faz de forma
interativa e enquanto lê/escreve, novos fatores intelectuais são acionados: a memória (na
organização de bases de dados, hiperdocumentos, organização de arquivos); a imaginação
(pelas simulações); a percepção (a partir das realidades virtuais, telepresença). Outros tipos de
comunicação afetam os usuários por vários canais sensoriais, combinando texto, imagem, cor,
som, movimento. Trata-se de uma nova modalidade comunicacional absolutamente diferente
possibilitada pelo digital: a interatividade.

(...)
Essa
comunicação interativa apresenta-se como um desafio para a escola que está centrada no
paradigma da transmissão. Instaura-se, com essa nova modalidade comunicacional, uma nova
relação professor-aluno centrada no diálogo, na ação compartilhada, na aprendizagem
colaborativa na qual o professor é um mediador. Computador e internet se mostram como
adequados a uma concepção social de aprendizagem, que se realiza na interação.
(...)
A internet permite à escola o desenvolvimento de diferentes atividades: a) busca ágil
de informações (pesquisa escolar, visitas a museus e outros lugares, visitas a sites interativos,
artes plásticas, música, literatura, cursos virtuais); b) interações com pessoas (fóruns e listas
de discussão, comunidades virtuais, chats e-mails);c) ambientes virtuais de aprendizagem-
AVA (como o moodle); d)entretenimento (jogos, simulações). Essas atividades ampliam o
espaço da aula presencial e permitem aos alunos um maior acesso às informações que,
trabalhadas em conjunto com colegas e professores, podem se transformar em conhecimento.




Esses conceitos discutidos até aqui, propostos pela teoria histórico-cultural, têm
tudo a ver com a compreensão do computador e da internet como instrumentos culturais

de aprendizagem.
(...)
computador e internet são instrumentos
tecnológicos construídos pelo homem que não se configuram como meras máquinas. Eles
vão muito além disso. São de fato mediadores do conhecimento enquanto ferramenta
material, mas, principalmente, são mediadores do conhecimento, enquanto um
instrumento simbólico, e permitem a mediação com o outro. Computador e internet
abrem novas possibilidades de aprendizagem por permitirem o acesso a uma infinidade
de informações, pelas formas de pensamento que são por eles potencializadas, pelas

interações possibilitadas e pela interatividade que proporcionam.
(...)
Portanto, eles
possibilitam a construção compartilhada de conhecimento, via interatividade, de que fala
a teoria histórico-cultural. Estimulam novas formas de pensamento no enfrentamento
com a hipertextualidade neles presente pela inter-relação de diversos gêneros textuais
expressados por diversas linguagens (sons, imagens estáticas e dinâmicas, textos). A
plasticidade interativa própria das tecnologias digitais trazidas pelo computador e internet
permitem, ainda, a construção de diversos percursos de aprendizagem através da

atividade do sujeito que interage com o outro e com o objeto do conhecimento.


Fonte: JANELA SOBRE A UTOPIA: COMPUTADOR E INTERNET A PARTIR DO OLHAR DA
ABORDAGEM HISTÓRICO-CULTURAL
Maria Teresa de Assunção Freitas – UFJF
Agência Financiadora: CNPq e FAPEMIG

sexta-feira, 24 de junho de 2016

MARIA TERESA DE ASSUNÇÃO FREITAS

MARIA TERESA DE ASSUNÇÃO FREITAS

Possui graduação em Pedagogia pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia Ciências e Letras (1966), mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1978) e doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1992). Professor associado III da Universidade Federal de Juiz de Fora, aposentou-se em Setembro de 2011, mas atua voluntariamente no PPGE/UFJF na orientação de doutorandos, como professor convidado, sem ônus e sem vínculo empregatício com a instituição. 

É Professora Visitante Nacional Senior( PVNS-CAPES) no Programa de Pós-Graduação em Educação-PPEDU da Universidade Federal de São João del- Rei-UFSJ desde julho de 2012. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Psicologia da Educação, trabalhando com o enfoque teórico da psicologia histórico-cultural (Vygotsky, Luria, Leontiev e Mikhail Bakhtin e seu Círculo).

Atua principalmente nos seguintes temas: pesquisa na abordagem histórico-cultural, práticas sócio-culturais de leitura e escrita, letramento digital, tecnologia s digitais, cinema e educação, formação de professores. 

É pesquisadora do CNPq com bolsa de produtividade de pesquisa nível 1D e foi pesquisadora do programa "Pesquisador Mineiro da FAPEMIG" até 2014. 

Autora e organizadora de vários livros envolvendo temáticas relacionadas à perspectiva histórico-cultural e aos objetos das pesquisa desenvolvidas. É coordenadora do Grupo de Pesquisa Linguagem, Interação e Conhecimento (LIC-UFJF) que foi criado pela pesquisadora em 1995. 

Em 18 de dezembro de 2013 foi agraciada com a Medalha Juscelino Kubitschek de Oliveira que é a maior honraria concedida pela Universidade Federal de Juiz de Fora(UFJF) por serviços prestados à sociedade e por sua contribuição para o desenvolvimento da UFJF.

Informações coletadas do Lattes em 30/05/2016
Fonte: 
http://www.escavador.com/sobre/3841423/maria-teresa-de-assuncao-freitas

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Surgimento do Método Científico



A criação do método científico é atribuída a Descartes, mas tem suas raízes um pouco mais profundas em dois pensadores de nomes semelhantes: Roger e Francis Bacon.

Roger Bacon (1220-1292) foi um dos primeiros acadêmicos de Oxford e o primeiro a defender a experimentação como fonte de conhecimento. Junto com Duns Scotus e Guilherme de Ockham, Roger Bacon foi o responsável pelo que seria a base do empirismo, o pensamento de que a razão e o conhecimento não devem depender apenas da fé mas também dos nossos sentidos, pois podemos aprender aquilo que tivermos experimentado. Com isso, eles separavam o caminho para o conhecimento em dois caminhos distintos: o conhecimento sobre Deus deveria continuar sendo a fé, porém o caminho do mundo terreno, substancialmente diverso do primeiro mundo místico e metafísico, deveria ser as experiências terrenas, as experiências dos sentidos. Estava derrubada a concepção medieval do mundo.

Das discussões desses três pensadores derivaram duas correntes diferentes de pensamento o “construtivismo” e o “positivismo”.

Francis Bacon (1561-1626) foi, porém, quem terminaria por fixar a base do que Descartes transformaria no moderno método científico. Bacon deu ao conhecimento um caráter mais funcional. Segundo ele o saber científico deveria ser usado em prol do desenvolvimento humano e a natureza deveria ser transformada e modificada em benefício do homem. Segundo ele mesmo expressa em sua obra “Novo Organum” é necessário “...investigar a possibilidade de realmente estender os limites do poder ou da grandeza do homem e tornar mais sólidos os seus fundamentos...”. A nova abordagem de Bacon foi fortemente influenciada por descobertas de cientistas como Copérnico eGalileu Galilei que o levaram a propor uma nova abordagem da investigação científica através dopensamento indutivo em contraposição ao pensamento dedutivo que desde Aristóteles predominava sobre as ciências.

Mas foi na obra “Discurso do Método” que René Descartes (1596-1650) lançou de fato, os fundamentos do método científico moderno. Embora Descartes tenha concordado com Bacon no sentido de que a natureza deve ser entendida e modificada em favor do homem, ele discordava no sentido de que para ele os sentidos devem ser questionados e não constituem o caminho para o conhecimento verdadeiro. Segundo Descartes a única coisa da qual não se pode duvidar é o pensamento (o que o leva à máxima “cogito ergo sum” – “penso, logo existo”) que é fruto da razão, a única da qual se pode ter certeza.

O método cartesiano (de “Descartes”) foi o que possibilitou o desenvolvimento tecnológico e científico sem precedentes das Eras Moderna e Contemporânea.

Por outro lado, Descartes transcende ao pensamento baconiano ao propor uma instrumentalização da natureza, a explicação matemática e racional dos fenômenos e das coisas e a sua mecanização: tudo passa a ser entendido em razão das partes que o compõem: para se compreender o todo, basta compreender as partes. O pensamento indutivo proposto por Bacon sai de cena para dar lugar à dedução cartesiana onde as experiências servem apenas para confirmar os princípios gerais delineados pela razão.

O método científico proposto por Descartes e que predominou até o final do século XIX e o início do século XX, ficou conhecido como “Determinismo Mecanicista” e se resume aos seguintes princípios: o conhecimento é o resultado da captura de verdades por um sujeito sobre um objeto; o sujeito percebe o objeto a partir de exercícios sensitivos e racionais que devem ser organizados de forma metodológica a fim de se obter o conhecimento verdadeiro; o objeto é separado do observador; conhecer o objeto é igual a dominá-lo; para conhecer o todo, basta conhecer as partes; o método cartesiano, nesse sentido, implica em uma simplificação onde o objetivo é encontrar lei universal que explique todas as coisas; o mundo pode ser expresso por meio de equações matemáticas; o mundo deve ser compreendido, dominado e modificado em favor do homem.
Estava enfim definido o método científico. Porém ele ainda receberia mais uma contribuição importante de outro grande pensador, Auguste Comte (1798-1857).

Comte em sua “Lei dos três estados” afirma que o conhecimento humano havia evoluído do estado teológico, onde o conhecimento se voltava para explicação do mundo através do divino e sobrenatural, para o estado metafísico, onde os agentes sobrenaturais do primeiro estado concebem em si mesmos os fenômenos naturais. E que este teria evoluído para um terceiro e último estado, o estado positivo, onde não mais se procuraria as causas últimas das coisas mas as leis efetivas da natureza.

Comte defendia que a natureza é composta por classes de fenômenos e, portanto, a ciência deveria obedecer esta ordem para descrevê-la. Assim, ele organiza todo o conhecimento da natureza em cinco ciências distintas entre si: a astronomia, física, química, filosofia e a física social. A estas ele ainda somaria a matemática que diz tratar-se da ciência superior devido ao seu grau de abstração e ao fato de que todas as outras dependem também dela. Desta forma, Comte leva o método de Descartes das ciências naturais para as ciências sociais e humanas completando o método que seria seguido por muitos anos ainda.

Mas, como a ciência é um campo em constante mudança, o método científico de Descartes passa a ser questionado no início do século XX, após as descobertas de Einstein sobre a relatividade e de Niels Bohr sobre a física quântica que põe em cheque um dos preceitos fundamentais do modelo mecanicista de Descartes. Mas isso já é outro assunto...


Fonte: http://www.infoescola.com/ciencias/surgimento-do-metodo-cientifico/

A RAZÃO CARTESIANA




Para que seja possível compreendermos a ascensão dos princípios da razão iluminista, somos obrigados a recuar nossos olhares para outras tantas manifestações que embasaram as do século XVIII, o “século das luzes”. Entre elas, damos destaque especial ao debate empreendido pelo filósofo francês René Descartes. Vivendo no século anterior ao iluminismo, esse intelectual lançou os avatares que explicam muitas das concepções defendidas entre os ilustrados.
Segundo este autor, a razão é a única via segura pela qual o conhecimento do mundo pode ser obtido. Particularmente, a visão racionalista de Descartes defende a possibilidade de alcance de uma verdade absoluta, incontestável. Mas afinal, como seria viável desenvolver o conhecimento em busca desse tipo de verdade superior? De acordo com o pensamento cartesiano, era necessário primeiramente duvidar de todo conhecimento acumulado anteriormente sobre um assunto.
Passado o momento em que as novas questões sobre o objeto surgiram, era necessário que a experimentação e a observação fossem realizadas para a abertura de novos caminhos que pudessem explicar melhor aquilo que foi estudado. As novas conclusões elaboradas deveriam, dessa maneira, compor um conjunto de leis que pudessem esgotar todos os aspectos que se relacionam com a compreensão do objeto. À medida que se mostrassem eficazes, essas leis comprovariam a tese elaborada por um estudioso.
Esse caminho constituído pela dúvida, a experimentação e a formulação de leis demonstra visivelmente as influências que viriam a predominar na constituição dos preceitos racionalistas do iluminismo. No século XVII, a razão cartesiana foi claramente respaldada pelo grande número de obras, teorias e concepções desenvolvidas no âmbito das ciências da natureza. Áreas do conhecimento como a Matemática, a Física e a Astronomia aplicavam noções semelhantes às que foram sugeridas por Descartes.
Ao chegarmos ao século XVIII, vemos que diversos dos intelectuais que pensaram as instituições políticas, as relações sociais e a economia foram de alguma forma influenciados pelas concepções de verdade, razão e conhecimento anteriormente acumuladas. Do mesmo jeito que Kepler e Newton conseguiram racionalmente teorizar leis físicas e astronômicas, pensadores como Montesquieu e Adam Smith pensavam ser possível compreender e apontar os princípios das instituições humanas.
É bem verdade que essas noções oferecidas pelo pensamento cartesiano puderam estabelecer pontos diversos dos princípios iluministas. No campo político, por exemplo, diversos pensadores do século XVIII concordavam ser imprudente a fusão entre os assuntos políticos e os valores religiosos. Além disso, por meio da reflexão sobre a condição humana, não conseguiam aceitar a validade das tradições jurídicas oriundas do mundo feudal.
Em contrapartida, vemos que as concepções do pensamento cartesiano foram responsáveis pelo desenvolvimento de uma noção bastante rígida de razão. No século XIX, a filosofia positivista passou superestimar o racionalismo chegando ao ponto de não estabelecer os limites que o mesmo possuiu ao representar uma das várias formas que o homem pode entender o mundo. Ao longo do século XX, novas descobertas no campo das ciências humanas e exatas colocaram a razão cartesiana em xeque.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola 
Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:
SOUSA, Rainer Gonçalves. "A razão cartesiana"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/a-razao-cartesiana.htm>. Acesso em 22 de junho de 2016.

Televisão Digital: Interativa ou Reativa?

(...) O que temos percebido (...) é que os programas e serviços interativos oferecidos atualmente por algumas emissoras da TV digital, seguem uma programação pré-definida pela emissora de forma que, apenas podemos caracterizar essa interação como sendo reativa, segundo a perspectiva de análise de Primo (2007), pois mesmo que o interagente possa escolher novos caminhos ou clicar em opções diferentes a cada nova entrada no programa, o resultado será sempre aquele que a emissora pré-estabeleceu para o seu roteiro, sem a possibilidade de modificar, alterar ou propor novos rumos.

(...)A TV digital apresentada como interativa é, na verdade, uma TV digital de interação reativa em que cabe ao interagente tão somente selecionar opções e caminhar por trilhas já pré-estabelecidas. Não é oportunizado a ele fazer seu próprio roteiro ou criar novos rumos. 

(...) A falta de interatividade ou de interação mútua na TV digital hoje, não é causada por limitações técnicas, mas, sim, devido a definições que, em última instância, representam interesses políticos, econômicos e ideológicos por parte das emissoras de TV que não desejam modificar o modelo hegemônico de negócio historicamente consolidado com a televisão analógica.

Essas e outras questões estiveram presentes desde o início do processo de implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD), instituído no Brasil em 2003 por meio do Decreto 4.901/03, que tinha como um dos seus objetivos “propiciar a criação de rede universal de educação à (sic) distância”. Em função do processo de implantação do SBTVD, grande expectativa foi criada em torno do que poderia ser a televisão digital no Brasil, já que um grande consórcio entre universidades e empresas havia sido formado e essas discussões teóricas e técnicas estavam no centro do debate, gerando uma grande expectativa sobre o futuro nessa área. No entanto, em 2006, de forma não satisfatória, foram estabelecidos os padrões para o SBTVD por meio do Decreto 5.820/06. Esse decreto prevê no seu artigo 13 a possibilidade de implantação de um Canal de Educação voltado “para transmissão destinada ao desenvolvimento e aprimoramento, entre outros, do ensino à (sic) distância de alunos e capacitação de professores”.

Mesmo assim, são grandes as possibilidades tecnológicas da TV digital e, para tal, torna-se importante discutir quais as possibilidades trazidas para a educação pela TV, já que ela potencializa a interatividade liberando o pólo da emissão, por meio do canal de retorno, para que todos possam ser interagentes autônomos e capazes para construir interações mútuas. Para a educação isso é de extrema importância, pois não precisamos de mais uma TV, agora em formato digital, que seja apenas reativa, onde os sujeitos não possam ao mesmo tempo buscar informações e disponibilizar seus saberes e suas culturas. A TV digital possui, potencialmente, as condições tecnológicas que precisamos para construir educações em redes digitais que proporcionem uma interação mútua, problematizadora e em constante transformação.

Fonte: AS NOVAS EDUCAÇÕES E OS POTENCIAIS DA TV E DAS REDES DIGITAIS
Simone de Lucena Ferreira – UNIT
Nelson De Luca Pretto – UFBA
Agência Financiadora: FAPESB





Alex Primo

Alex Primo é professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS e pesquisador com bolsa produtividade do CNPq. Possui mestrado em Jornalismo (Ball State University) e doutorado em Informática na Educação (UFRGS). Sua tese de doutorado foi premiada pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e pela Sociedade Brasileira de Informática na Educação (SBIE). Foi secretário da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação – Compôs (2005-2007) e editor dos periódicos e-compôs e Intexto. Prestou consultoria para a equipe do Orkut, na sede do Google, na Califórnia. Publicou o livro “Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição”. Atualmente pesquisa gêneros e interações em blogs e conversações online. Coordena o Laboratório de Interação Mediada por Computador (LIMC). Consultor de mídias sociais (Google EUA, Google Brasil). 

Para Primo (2007) há dois tipos de interação: a mútua e a reativa. Esses dois tipos de interação se distinguem, porém não são homogêneos, podendo conter no seu interior intensidades diferentes e características particulares. Interação significa “ação entre” e comunicação é uma “ação compartilhada” (PRIMO, 2007).

Visão:
Na interação mútua, explanada por Primo (2007), os interagentes desenvolvem
relações interdependentes e processos de negociação em que cada um participa da

construção inventiva e cooperada do relacionamento, afetando-se mutuamente.São
exemplos de espaços de interação mútua a troca de e-mails, as conversas nas salas de
bate-papo, debates em fórum de discussão. Nesses espaços os interagentes realizam
modificações recíprocas, pois cada comportamento na interação é construído em virtude
das ações anteriores.
(...)na interação reativa (...) as trocas de mensagens ocorrem dentro de um
script, de um roteiro pré-definido na programação do sistema. São respostas
automáticas em que não há uma problematização ou uma construção colaborativa.


A psicopedagogia no Brasil: Novas Perspectivas

Palestrante: Pp. Jossandra Barbosa Presidente do Sindicato dos Psicopedagogos do Brasil - SINDPSICOPP-BR Historiadora Psicopedagoga Neuropsi...