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Édipo Rei é um personagem da mitologia grega e também uma tragédia escrita por volta de 427 a.C. pelo dramaturgo Sófocles (496-406 a.C.).
Trata-se de uma das tragédias gregas mais emblemáticas da história do teatro na Grécia. É baseada no mito de édipo e citada pelo filósofo grego Aristóteles em sua obra “Poética”.
Estátua de Sófocles em Atenas, Grécia
Resumo
Na lenda grega, Édipo, filho de Laio e Jocasta, era o rei de Tebas, a cidade que fora assolada por uma peste. Ao consultar o oráculo de Delfos, Édipo descobriu algo trágico sobre sua vida: ele foi amaldiçoado pelos deuses.
Ele estava destinado a casar com sua mãe, com quem teve dois filhos e duas filhas, e a matar seu pai, o rei que governava a cidade antes de Édipo.
Após saber a verdade, sua mãe-mulher se enforcou e Édipo, envergonhado de seus atos, perfurou os próprios olhos.
Tudo começou quando seu pai teve um filho com Jocasta. Um dos oráculos já lhe tinha avisado sobre seu destino trágico: ser morto por seu próprio filho.
Depois do nascimento da criança, Laio se arrepende. Pede para um de seus servos abandonar o bebê no Monte Citerão (entre Tebas e Corinto) com os pés amarrados numa árvore.
Entretanto, ele fora encontrado por um pastor e acabou sobrevivendo, sendo adotado pelo rei de Corinto Pólibo, que o considerou seu próprio filho.
Já adulto, Édipo decide abandonar Corinto e ir à Tebas consultar o oráculo que o revela sobre sua maldição: matar seu pai e casar com sua mãe.
Desconsolado com a revelação, segue em direção a cidade e no meio de sua jornada, acaba matando seu pai por uma discussão que tiveram numa encruzilhada.
Além disso, encontra a Esfinge na porta da cidade de Tebas, ser mitológico metade leão e metade mulher.
A Esfinge, aterrorizava grande parte do povo tebano com seus enigmas, posto que quem não adivinhasse era devorado por ela.
Todavia, Édipo acerta a pergunta feita por ela, e por fim, ela acaba se matando. Esse fato que o tornou um herói e assim, foi eleito o novo Rei de Tebas.
O enigma proposto pela esfinge foi: "Qual é o animal que de manhã tem quatro pés, dois ao meio dia e três à tarde?"
Sem hesitar, Édipo responde que essa figura é o homem. Isso porque na infância engatinha, na idade adulta anda ereto com os dois pés, e na velhice necessita da bengala (o terceiro pé) para se apoiar.
Personagens da Tragédia
A ação trágica passa-se em Tebas (Cadméia) e os personagens que a compõe são:
Édipo: Rei de Tebas e personagem principal da trama.
Sacerdote: porta-voz da população e sacerdote de Zeus.
Creonte: irmão da rainha Jocasta, cunhado de Édipo.
Tirésias: ancião cego e profeta.
Jocasta: mãe e mulher de Édipo.
Mensageiro: quem revela que Édipo tem pais adotivos.
Servo: ex-pastor que tenta matar Édipo.
Coro: formado por anciões de Tebas. Representa o pensamento da sociedade grega.
Psicanálise
Na psicologia, o “Complexo de Édipo” trata-se de um conceito criado por Sigmund Freud inspirado na tragédia grega de Sófocles.
É um transtorno determinado durante uma fase da vida em que o menino sente atração por sua mãe.
O contrário, ou seja, quando a menina se sente atraída pelo seu pai, dá-se o nome de "Complexo de Electra".
Na psicanálise, o Complexo (ou síndrome) de Édipo, é um conceito criado pelo psiquiatra austríaco Sigmund Freud (1856-1939). Ele foi embasado na tragédia grega Édipo Rei, de Sófocles.
Freud utilizou da literatura grega para explicar o desenvolvimento sexual infantil de uma criança do sexo masculino, que numa determinada fase cria fortes desejos pela mãe.
Por outro lado, o menino cria certa rejeição pelo pai, indivíduo com quem divide a atenção materna e, ademais, aquele que dorme com sua mãe.
Esse amor, segundo a teoria psicanalítica, traduz um desejo incestuoso da criança com a mãe, numa fase denominada fálica, ou seja, dos 3 aos 6 anos.
Nesse momento, ela começa a descobrir seu corpo, seus órgãos genitais e compreender as diferenças sexuais. Além disso, é nessa fase que ela percebe que não é o centro do mundo, ou seja, que não é mais tão dependente de seus pais.
Com isso, segundo Freud, o garoto, nessa fase confusa de construção de libido, cria um desejo pelo sexo oposto, no caso, sua mãe.
Nesse sentido, ele começa a ver seu pai como rival, ao mesmo tempo que pretende obter seu amor e sua atenção.
Segundo Freud, esse conflito é o pai quem deve romper, de modo a estabelecer uma identidade masculina e, consequentemente, um equilíbrio no desenvolvimento afetivo-sexual do filho.
Assim, a criança continua a se espelhar no pai e, posteriormente, buscará uma mulher semelhante a sua mãe.
Note que o conceito “Complexo de Édipo” pode ser utilizado em ambos os sexos. Ou seja, os meninos sentem forte atração pela mãe, enquanto as meninas são atraídas pela figura paterna.
Contudo, no caso das meninas, o termo mais utilizado é o “Complexo de Electra”.
Sobre o conceito de “desejo edipiano” nas palavras de Freud:
“Seu destino nos move apenas porque poderia ter sido o nosso - porque o oráculo lançou a mesma maldição sobre nós antes do nosso nascimento, como sobre ele. É o destino de todos nós, talvez, dirigir nosso primeiro impulso sexual para nossa mãe e nosso primeiro ódio e nosso primeiro desejo assassino contra nosso pai”.
Complexo de Édipo Mal Resolvido
Para Freud, se o complexo de Édipo ficar mal resolvido, a pessoa pode ter consequências relacionadas com dificuldade nos relacionamentos, homossexualidade ou mesmo ter um comportamento submisso.
Complexo de Electra
O Complexo de Electra, designa um termo criado por Carl Gustav Jung (1875-1961), fundador da psicologia analítica.
Foi baseado na peça grega do dramaturgo grego, Sófocles: Electra. Essa perturbação, em contraposição ao Complexo de Édipo, assinala uma fase onde a menina, deseja seu pai e rejeita sua mãe.
Entretanto, para Freud, essa perturbação era denominada de “Complexo de Édipo Feminino”.
Édipo Rei
Édipo Rei é uma tragédia grega escrita por Sófocles (496-406 a.C.), por volta de 427 a.C.
Nela, Édipo, filho de Laio e Jocasta, diante de uma profecia, casa-se com sua mãe e mata seu pai por engano.
Após saber a verdade, sua mãe-mulher se suicida e Édipo, envergonhado, perfura os próprios olhos.
Curiosidade
Freud criou sua teoria sobre o “complexo de Édipo” e o conceito “desejo edipiano” após ver Édipo Rei no teatro. A peça foi grande sucesso em cartaz nas capitais Paris e Viena, no século XIX.
“A verdade é sempre difícil de suportar e a psicanálise acaba por mostrar a nós mesmos o que preferiríamos ignorar. Quanto mais nos aproximamos da verdade da nossa história, mais temos vontade de lhe dar as costas”.
Alguns anos mais tarde, o psicólogo Burrhus Frederic Skinner adicionou uma grande descoberta a este ramo da psicologia: o condicionamento operante.
O behaviorismo é um ramo da psicologia que, como o próprio nome indica, se baseia na observação do comportamento e análise da mesmo. O behaviorismo surgiu como uma contraposição à psicanálise e tinha como objetivo proporcionar uma base científica, demonstrável e mensurável à psicologia. Pioneiros como Watson ou Pavlov começaram a realizar experimentos com vários animais que lançaram as bases do behaviorismo e condicionamento.
A teoria behaviorista de Skinner
Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) foi um importante psicólogo, inventor e escritor norte-americano reconhecido em todo o mundo por contribuir com rigor científico à psicologia. Em 1938, escreveu seu primeiro estudo chamado "O comportamento dos organismos: uma análise experimental[1]" e foi colocando no papel tudo aquilo que estudou até que, em 1974, resumiu seu trabalho em uma famosa obra chamada "Sobre o Behaviorismo[2]"
Neste livro, Skinner explica os fundamentos da análise do comportamento e como seus experimentos com animais podem ser aplicados à terapia psicológica em humanos. O autor nos explica como se pode entender a psicologia a partir de um ponto de vista operante e como nosso comportamento afeta nossos pensamentos.
O condicionamento clássico de Watson e Pavlov
Como mencionamos anteriormente, a psicologia comportamental nasceu antes de Skinner publicar seus estudos. Dois grandes pioneiros deste ramo da psicologia, John Watson e Ivan Pavlov, estudaram o que hoje conhecemos como condicionamento clássico.
O condicionamento clássico é um procedimento pelo qual podemos induzir reflexo ou uma resposta a um animal (e em alguns casos, a uma pessoa). Com experimentos como o dos cães de Pavlov ou a indução de uma fobia à uma criança de Watson, pretendia-se demonstrar que a mente humana podia ser medida, observada e modificada através do comportamento.
A psicologia comportamental
Os quatro princípios básicos da psicologia comportamental são:
A psicologia é uma ciência, portanto utilizará uma metodologia empírica e demonstrável;
Essa metodologia é caracterizada pelo uso de variáveis que podem ser medidas (exemplo: medir a ansiedade pelo número de batimentos cardíacos por minuto);
Os resultados dos experimentos realizados em laboratório, podem ser extrapolados para a vida real;
O comportamento é aprendido, não existe nenhuma forma de inatismo (rejeição total a outros ramos da psicologia).
A contribuição do condicionamento de Skinner para essa disciplina é muito importante, pois acrescentou o princípio do reforço, o conceito de recompensa e definiu o condicionamento operante, tudo através de experimentos como a famosa caixa de Skinner.
Na imagem a seguir, podemos observar o processo de condicionamento clássico, onde é induzida uma resposta de salivação a um cão (experimento de Pavlov).
A caixa de Skinner
Oficialmente chamada "câmara de condicionamento operante", a caixa de Skinner é uma das invenções mais conhecidas da história da psicologia. Foi criada com o objetivo de demonstrar que poderia induzir e modificar o comportamento de um animal (em primeiro lugar, utilizou um rato) através de estímulos externos. A caixa é um dos pilares nos quais se baseia o já conhecido behaviorismo de Skinner.
Partes da caixa
A caixa tinha os seguintes elementos:
Duas luzes
Um alto-falante
Um botão
Piso eletrificado (em alguns casos)
Dispensador de comida
Funcionamento da caixa de Skinner
Um rato era introduzido dentro da caixa (geralmente era privado de comida antes, para que sua motivação por se alimentar fosse maior).
O rato experimentava seu novo ambiente até descobrir o botão e pressioná-lo. Automaticamente saía uma unidade de comida (pellet) do dispensador depois do botão ser pressionado.
O rato, motivado por conseguir mais comida, mudava seu comportamento e aprendia rapidamente a pressionar o botão para receber comida (associação de comportamento-estímulo e reforço positivo).
O condicionamento também poderia ocorrer por omissão de um estímulo negativo (reforço negativo). Neste caso, o rato era introduzido na caixa com o piso eletrificado, se o botão fosse pressionado, a corrente deixava de passar pelo piso. Deste modo, o rato aprendia a pressionar o botão para deixar de sentir dor.
Skinner e o condicionamento operante
Como vimos, o condicionamento operante é um pouco mais complicado que o condicionamento clássico de Watson e Pavlov. Neste caso, a associação não é entre um estímulo e um reflexo, mas entre um estímulo, um comportamento e um reforço.
Ou seja, no caso do condicionamento operante, é necessária uma aprendizagem sobre o que acontece após o comportamento. Por exemplo, no caso da caixa de Skinner, o rato aprende que, depois de apertar o botão, recebe um prêmio.
Reforço positivo e negativo
Como o behaviorismo se baseia em medir comportamentos, tudo o que ocorre no condicionamento de Skinner está minuciosamente analisado e classificado. Portanto, podemos distinguir dois tipos de reforços na teoria de B.F. Skinner sobre o behaviorismo e condicionamento operante:
O reforço positivo, um elemento que atua como prêmio, geralmente satisfaz alguma necessidade básica ou gera uma resposta agradável.
O reforço negativo, um elemento que nos gera uma resposta de dor, descontentamento ou desconforto, esse fator atua como punição.
Podemos encontrar exemplos de condicionamento operante em nosso dia a dia. Por exemplo, nos esforçamos em estudar porque aprendemos a receber uma recompensa depois (boas notas e reconhecimento), ou tomamos um medicamento para evitar a dor de cabeça, assim como o rato pressiona um botão para evitar a dor do piso eletrificado.
Críticas ao behaviorismo de Skinner
Apesar de ser um modelo mensurável e empírico, a teoria de Skinner sobre o behaviorismo e condicionamento é bastante simplista ao falar sobre a mente humana.
A principal crítica do behaviorismo é a falta de visão interna e a simplicidade de seu modelo, sendo pouco crível que se possa medir e compreender a psique humana através de experimentos realizados em outros animais.
Por isso, hoje em dia é proposto o modelo cognitivo-comportamental, que une o ramo cognitivo (pensamento) com o behaviorismo.
Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
Se pretende ler mais artigos parecidos a Teoria de Skinner: behaviorismo e condicionamento operante, recomendamos que entre na nossa categoria de Biografias.
Referências
The Behavior of Organisms: An Experimental Analysis, 1938.
Skinner, B. F., & Ardila, R. (1977). Sobre el conductismo. Fontanella.
Diferenças entre Condicionamento Operante x e Condicionamento Respondente (Condicionamento Clássico).
***
Conteúdo:
Algumas considerações sobre Ivan Pavlov e BF Skinner.
Condicionamento clássico e condicionamento operante são dois conceitos importantes e centrais para a psicologia comportamental.
Embora ambos resultem na aprendizagem…os processos são diferentes.
Condicionamento respondente – Primeiro descrito por Ivan Pavlov, fisiologista russo – Envolve a colocação de um sinal neutro antes do reflexo – Concentra-se em comportamentos involuntários, automáticos
Condicionamento operante – Descrito pela primeira vez por BF Skinner, um psicólogo americano – Envolve a aplicação de reforço ou punição depois de um comportamento – Se concentra no fortalecimento ou enfraquecimento da probabilidade de comportamentos voluntários ocorrerem novamente no futuro
Tabela comparativa:
O condicionamento respondente é passivo (involuntário), e é basicamente expresso pela equação:
S→R (estímulo – resposta)
O condicionamento operante é ativo (voluntário), e é basicamente expresso pela equação:
O surgimento de teorias cognitivistas no
âmbito do pensamento behaviorista do século XX
1. Introdução
O behaviorismo refere-se a um conjunto de teorias e técnicas voltado à
explicação e intervenção sobre o comportamento humano. Em linhas gerais, esta
corrente de pensamento afirma que o comportamento consiste em respostas a estímulos
ambientais, aprendidas ao longo do desenvolvimento dos indivíduos. O behaviorismo
tem sua formulação inicial com os estudos de Ivan Pavlov e John Watson. A partir de
experimentos realizados com animais, o primeiro autor dedicou-se a descrever a apresentação de comportamentos reflexos por sujeitos de pesquisa, adquiridos mediante
a associação entre estímulos condicionados e não-condicionados (PAVLOV, 2003).
Por sua vez, no início do século XX, Watson aplica resultados da pesquisa de
Pavlov ao estudo do comportamento humano. Em seus trabalhos, ele demonstra que
determinadas respostas, tais como o medo, podem ser aprendidas por semelhante
associação entre estímulos neutros e estímulos que naturalmente suscitam a reação
emocional em questão (WATSON; RAYNER, 1920).
(...) Segundo o autor, apenas o comportamento diretamente observável configura objeto do
saber científico. A Psicologia científica deve, portanto, abandonar a pretensão de
investigar fenômenos internos aos indivíduos.
Esta premissa é assumida por F. B. Skinner, o qual, a partir da década de 1930
ampliará o arcabouço teórico behaviorista. Aos estudos de Pavlov e Watson, Skinner
acrescenta, entre outras contribuições, a noção de condicionamento operante. Conforme
esta noção, comportamentos são aprendidos não apenas pela associação de estímulos,
mas também em razão das consequências que produzem (SKINNER, 1970). Ou seja, na
medida em que um comportamento leva a consequências reforçadoras para o sujeito, ele
tenderá a se repetir, assim como um comportamento que conduz a consequências não reforçadoras tenderá a se extinguir (SKINNER, 1970).
(...)
2. O surgimento do Behaviorismo com John Watson e Ivan Pavlov
(...)
A Psicologia
havia se constituído como disciplina científica autônoma, no final do século XIX, mais
precisamente em 1879. Desde então, seu principal objeto de pesquisa era a consciência
humana e seu principal método, a introspecção (WEITEN, 2016).
Porém, como Watson afirma, a consciência é intangível, ela não pode ser vista,
sentida, medida. Para produzirmos um conhecimento científico, devemos ter como
objeto de estudo fenômenos que são diretamente observáveis (WATSON, 1913). Logo,
a Psicologia deverá se dedicar apenas ao estudo do comportamento humano e de outros
animais. E, por conseguinte, seu método não deve ser mais a introspecção, e sim
técnicas para medir este comportamento (WATSON, 1913).
É importante ressaltar que Watson, tal como outros behavioristas que surgirão
posteriormente, não negava a existência da consciência. O que Watson estabelecia era a
impossibilidade de se estudá-la cientificamente. Desta maneira, além de se restringir ao
comportamento, o behaviorismo deveria explicá-lo considerando apenas a influência de
fatores ambientais e não fatores internos ao sujeito (como impulsos, desejos, fantasias).
Conforme Schneider e Morris (1987, p. 31), o behaviorismo watsoniano recebeu
distintas designações ao longo de seu desenvolvimento, sendo que “behaviorismo
extremo é o termo que mais frequentemente encontramos como designação da
psicologia de Watson”. Porém, como ressalta Lashley (apud STRAPASSON;
CARRARA, 2008), os estudos iniciais deste psicólogo habilitam-nos a denominar seu
pensamento também pelo termo Behaviorismo Metodológico.
O Behaviorismo Metodológico assume como premissa epistemológica e
ontológica que “fatos da consciência existem, mas não servem a nenhuma fonte de
tratamento científico” (LASHLEY apud STRAPASSON; CARRARA, 2008, p. 2). Em
outras palavras, se por um lado Watson reconhece a existência de fenômenos mentais,
por outro a ciência psicológica deve renunciar a estudá-los, caso contrário, incorreria no campo da metafísica. Assim sendo, “a natureza dos eventos psicológicos não é passível
de investigação científica” (STRAPASSON; CARRARA, 2008, p. 2).
Watson considerava o comportamento como sendo uma resposta de determinado
organismo (humano ou não) a estímulos ambientais. Em decorrência, a tarefa central do
behaviorismo tornou-se compreender como ocorre a formação destas respostas
(WATSON, 1913). Ou seja, como ocorre a aprendizagem. Para o estudo da
aprendizagem, Watson baseou-se nas pesquisas desenvolvidas pelo cientista russo Ivan
Pavlov.
Pavlov foi um fisiologista russo que se dedicou, entre outros temas, ao estudo da digestão. Ao realizar experimentos sobre a salivação em cães, este cientista identificou um fenômeno bastante peculiar. Em seus experimentos, Pavlov apresentava comida a cães e media a salivação dos animais diante do alimento. Todavia, ele percebeu que aqueles cães que já estavam acostumados com o experimento, salivavam antes da chegada da comida, apenas por ouvirem o barulho do dispositivo mecânico que fornecia o alimento (PAVLOV, 2003).
O cientista decidiu então estudar este fenômeno específico. Como resultado, ele constatou que: um estímulo neutro (como o som de uma máquina), pode produzir respostas (como a salivação do cão), caso este estímulo seja associado a um segundo estímulo que naturalmente produz a resposta (no caso a carne, que naturalmente faz os cães salivarem) (PAVLOV, 2003). Em outras palavras, pela associação do barulho de uma máquina com um alimento fornecido, os cães passavam a salivar meramente por ouvirem este barulho. Eles emitiam, assim, o que hoje se chama de resposta condicionada.
Watson buscou aplicar a descoberta de Pavlov ao estudo do comportamento
humano. O psicólogo realizou experimentos com um bebê de 11 meses, identificado
pelo nome de Albert B. Nestes experimentos, o bebê era colocado para brincar com um
camundongo. O pesquisador emitia então um ruído estridente, sempre que Albert tocava
o animal, provocando no bebê reações de medo e choro (WATSON; RAYNER, 1920).
Após o pareamento destes dois estímulos por diversas vezes, Albert passou a
emitir reações de medo, choro e estresse meramente diante do camundongo. Além disto,
tal resposta condicionada também foi generalizada para outros estímulos, que mantinha
alguma semelhança com o camundongo, tais como animais peludos (como coelhos e
cães), objetos felpudos, como casacos ou mesmo uma máscara de Papai Noel
(WATSON; RAYNER, 1920).
"Neste vídeo, mostramos trechos do original experimento de Watson com a criação de uma resposta condicionada (medo) através de um estímulo neutro. Embora polêmico pela utilização de um bebê, foi de grande avanço no estudo do comportamento humano na época."
Watson publicou os resultados deste experimento no ano de 1920, procurando demonstrar que a aprendizagem descrita por Pavlov ocorre em humanos. Esta aprendizagem é chamada hoje de condicionamento clássico. O condicionamento clássico apresenta algumas características que cumpre sintetizarmos aqui.
Uma primeira característica é que sua aquisição depende, como visto, da
contiguidade dos estímulos, isto é, eles serem apresentados juntos no tempo e no
espaço. Quanto maior a contiguidade, mais forte será o condicionamento (MALOTT,
2008). Em segundo lugar, uma resposta condicionada pode ser extinta. A extinção desta
resposta depende do enfraquecimento da contiguidade (MALOTT, 2008). Por exemplo,
quanto mais o camundongo for apresentado a Albert sem o ruído, menos ele provocará
reações de medo.
Há, no entanto, uma terceira característica do condicionamento clássico. Ela se
refere ao fato de que uma resposta condicionada que foi extinta, pode ser recuperada
espontaneamente (MALOTT, 2008). Pavlov observou que mesmo após extinguir a
resposta de salivação de seus cães, em alguns cães esta resposta reaparecia em ocasiões
futuras. Ou seja, os cães voltavam a salivar.
Em quarto lugar, como mostra o experimento de Albert, as respostas
condicionadas podem ser generalizadas (MALOTT, 2008). Isto significa que um
organismo, que aprendeu a responder a estímulos específicos (como o camundongo), é
capaz de responder igualmente a estímulos semelhantes ao original (o coelho, a roupa, a
máscara). Em contrapartida, pode também ocorrer no condicionamento clássico um
fenômeno inverso. Trata-se da discriminação do estímulo. Ela implica que as respostas
condicionadas só serão emitidas diante de estímulos idênticos ao original (MALOTT,
2008)
"O condicionamento clássico (ou condicionamento pavloviano ou condicionamento respondente) é um processo que descreve a génese e a modificação de alguns comportamentos com base nos efeitos do binómio estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central dos seres vivos. O termo condicionamento clássico encontra-se historicamente vinculado à "psicologia da aprendizagem" ou ao "comportamentalismo" (Behaviorismo) de John B. Watson, Ivan Pavlov e Burrhus Frederic Skinner."
3. B. F. Skinner e o condicionamento operante
(...) A teoria elaborada por ele ficará conhecida como Behaviorismo Radical.
Como afirmam Schneider e Morris (1987), este termo foi utilizado pelo próprio Skinner, em 1945, para designar seus estudos. O Behaviorismo Radical sustenta que todos os fenômenos animais (humanos ou não) consistem em processos físicos, entidades naturais, e que, portanto, devem ser estudados segundo os mesmos métodos e princípios que regem as ciências da natureza. Entre as principais contribuições de Skinner para o estudo do comportamento, está o conceito de comportamento operante (SKINNER, 1970).
Enquanto o condicionamento clássico refere-se a comportamentos reflexos, que estão fora do controle do indivíduo (como salivar ou ter reações fisiológicas de estresse), o condicionamento operante refere-se a comportamentos voluntários, controláveis pelo indivíduo (como atos de estudar, trabalhar, relacionar-se com outras pessoas) (SKINNER, 1970).
Para Skinner, estes comportamentos voluntários foram aprendidos, com base em estímulos consequentes, isto é, com base nas consequências que provocam. Assim, o princípio fundamental do condicionamento operante estabelece que: as ações que produzem consequências reforçadoras tendem a se repetir, e aquelas que não produzem tais consequências, tendem a se extinguir (SKINNER, 1970).
Consequências reforçadoras podem ser de caráter tanto positivo quanto negativo.
(...) De tal maneira, segundo Skinner (1970), um comportamento aumentará ou
diminuirá em frequência, conforme as consequências que ele produz (SKINNER, 1970).
Por exemplo, os indivíduos estão mais propensos a consumir uma droga ou outra
substância, quando esta provoca efeitos prazerosos (reforço positivo) ou aliviam
sensações desagradáveis (reforço negativo). Em contrapartida, os indivíduos estão
menos propensos a usarem uma droga ou outra substância, quando esta provoca consequências desagradáveis (punição).
Para Skinner, comportamentos aprendidos por condicionamento operante estão
presentes nas mais diversas circunstâncias de nossas vidas, tais como nossos
comportamentos na família, na escola, nas relações conjugais e de amizade, no trabalho,
em relação às religiões, entre outros. O condicionamento operante possui características
que cumpre apresentarmos.
(...) Modelagem:
Ela é necessária quando um organismo não emite, de
imediato, a resposta a ser reforçada. Com isto, pela modelagem, reforçam-se os
comportamentos que vão sucessivamente se aproximando desta resposta. Por exemplo,
se é esperado que um indivíduo cesse o consumo de drogas e ele ainda não é capaz de
fazê-lo no momento, devemos então reforçar comportamentos aproximados, como a
redução progressiva do consumo.
(...) Esquemas de reforço:
(...) Podem ser usados para se condicionar um comportamento.
(...) Extinção dos comportamentos aprendidos
por condicionamento operante.
Esta extinção ocorre tanto pela punição, quanto pelo
reforço de comportamentos alternativos (CHIESA, 1994).
(...)
Leitura do artigo completo em:
DO COMPORTAMENTO À COGNIÇÃO: TRANSFORMAÇÕES
EPISTÊMICAS NO PENSAMENTO BEHAVIORISTA DO SÉCULO XX
FROM BEHAVIOR TO COGNITION: EPISTEMIC TRANSFORMATIONS IN TWENTIETHCENTURY BEHAVIORIST THINKING