segunda-feira, 3 de abril de 2023

Teoria de Skinner: behaviorismo e condicionamento operante

 

Alguns anos mais tarde, o psicólogo Burrhus Frederic Skinner
adicionou uma grande descoberta
a este ramo da psicologia: 
o condicionamento operante

O behaviorismo é um ramo da psicologia que, como o próprio nome indica, se baseia na observação do comportamento e análise da mesmo. O behaviorismo surgiu como uma contraposição à psicanálise e tinha como objetivo proporcionar uma base científica, demonstrável e mensurável à psicologia. Pioneiros como Watson ou Pavlov começaram a realizar experimentos com vários animais que lançaram as bases do behaviorismo e condicionamento.

A teoria behaviorista de Skinner


Burrhus Frederic Skinner (1904-1990) foi um importante psicólogo, inventor e escritor norte-americano reconhecido em todo o mundo por contribuir com rigor científico à psicologia. Em 1938, escreveu seu primeiro estudo chamado "O comportamento dos organismos: uma análise experimental[1]" e foi colocando no papel tudo aquilo que estudou até que, em 1974, resumiu seu trabalho em uma famosa obra chamada "Sobre o Behaviorismo[2]"

Neste livro, Skinner explica os fundamentos da análise do comportamento e como seus experimentos com animais podem ser aplicados à terapia psicológica em humanos. O autor nos explica como se pode entender a psicologia a partir de um ponto de vista operante e como nosso comportamento afeta nossos pensamentos.

O condicionamento clássico de Watson e Pavlov


Como mencionamos anteriormente, a psicologia comportamental nasceu antes de Skinner publicar seus estudos. Dois grandes pioneiros deste ramo da psicologia, John Watson e Ivan Pavlov, estudaram o que hoje conhecemos como condicionamento clássico.

O condicionamento clássico é um procedimento pelo qual podemos induzir reflexo ou uma resposta a um animal (e em alguns casos, a uma pessoa). Com experimentos como o dos cães de Pavlov ou a indução de uma fobia à uma criança de Watson, pretendia-se demonstrar que a mente humana podia ser medida, observada e modificada através do comportamento.

A psicologia comportamental


Os quatro princípios básicos da psicologia comportamental são:

  1. A psicologia é uma ciência, portanto utilizará uma metodologia empírica e demonstrável;
  2. Essa metodologia é caracterizada pelo uso de variáveis que podem ser medidas (exemplo: medir a ansiedade pelo número de batimentos cardíacos por minuto);
  3. Os resultados dos experimentos realizados em laboratório, podem ser extrapolados para a vida real;
  4. O comportamento é aprendido, não existe nenhuma forma de inatismo (rejeição total a outros ramos da psicologia).

A contribuição do condicionamento de Skinner para essa disciplina é muito importante, pois acrescentou o princípio do reforço, o conceito de recompensa e definiu o condicionamento operante, tudo através de experimentos como a famosa caixa de Skinner.

Na imagem a seguir, podemos observar o processo de condicionamento clássico, onde é induzida uma resposta de salivação a um cão (experimento de Pavlov).


A caixa de Skinner

Oficialmente chamada "câmara de condicionamento operante", a caixa de Skinner é uma das invenções mais conhecidas da história da psicologia. Foi criada com o objetivo de demonstrar que poderia induzir e modificar o comportamento de um animal (em primeiro lugar, utilizou um rato) através de estímulos externos. A caixa é um dos pilares nos quais se baseia o já conhecido behaviorismo de Skinner.

Partes da caixa

A caixa tinha os seguintes elementos:

  • Duas luzes
  • Um alto-falante
  • Um botão
  • Piso eletrificado (em alguns casos)
  • Dispensador de comida

Funcionamento da caixa de Skinner

  1. Um rato era introduzido dentro da caixa (geralmente era privado de comida antes, para que sua motivação por se alimentar fosse maior).
  2. O rato experimentava seu novo ambiente até descobrir o botão e pressioná-lo. Automaticamente saía uma unidade de comida (pellet) do dispensador depois do botão ser pressionado.
  3. O rato, motivado por conseguir mais comida, mudava seu comportamento e aprendia rapidamente a pressionar o botão para receber comida (associação de comportamento-estímulo e reforço positivo).
  4. O condicionamento também poderia ocorrer por omissão de um estímulo negativo (reforço negativo). Neste caso, o rato era introduzido na caixa com o piso eletrificado, se o botão fosse pressionado, a corrente deixava de passar pelo piso. Deste modo, o rato aprendia a pressionar o botão para deixar de sentir dor.


Skinner e o condicionamento operante

Como vimos, o condicionamento operante é um pouco mais complicado que o condicionamento clássico de Watson e Pavlov. Neste caso, a associação não é entre um estímulo e um reflexo, mas entre um estímulo, um comportamento e um reforço.

Ou seja, no caso do condicionamento operante, é necessária uma aprendizagem sobre o que acontece após o comportamento. Por exemplo, no caso da caixa de Skinner, o rato aprende que, depois de apertar o botão, recebe um prêmio.

Reforço positivo e negativo

Como o behaviorismo se baseia em medir comportamentos, tudo o que ocorre no condicionamento de Skinner está minuciosamente analisado e classificado. Portanto, podemos distinguir dois tipos de reforços na teoria de B.F. Skinner sobre o behaviorismo e condicionamento operante:

  • O reforço positivo, um elemento que atua como prêmio, geralmente satisfaz alguma necessidade básica ou gera uma resposta agradável.
  • O reforço negativo, um elemento que nos gera uma resposta de dor, descontentamento ou desconforto, esse fator atua como punição.

Podemos encontrar exemplos de condicionamento operante em nosso dia a dia. Por exemplo, nos esforçamos em estudar porque aprendemos a receber uma recompensa depois (boas notas e reconhecimento), ou tomamos um medicamento para evitar a dor de cabeça, assim como o rato pressiona um botão para evitar a dor do piso eletrificado.

Críticas ao behaviorismo de Skinner

Apesar de ser um modelo mensurável e empírico, a teoria de Skinner sobre o behaviorismo e condicionamento é bastante simplista ao falar sobre a mente humana.

A principal crítica do behaviorismo é a falta de visão interna e a simplicidade de seu modelo, sendo pouco crível que se possa medir e compreender a psique humana através de experimentos realizados em outros animais.

Por isso, hoje em dia é proposto o modelo cognitivo-comportamental, que une o ramo cognitivo (pensamento) com o behaviorismo.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Teoria de Skinner: behaviorismo e condicionamento operante, recomendamos que entre na nossa categoria de Biografias.

Referências
  1. The Behavior of Organisms: An Experimental Analysis, 1938.
  2. Skinner, B. F., & Ardila, R. (1977). Sobre el conductismo. Fontanella.

FONTE:
https://br.psicologia-online.com/teoria-de-skinner-behaviorismo-e-condicionamento-operante-226.html




Psicologia: Condicionamento Operante x Respondente

 

Diferenças entre Condicionamento Operante x e Condicionamento Respondente (Condicionamento Clássico).

***

Conteúdo:

Algumas considerações sobre Ivan Pavlov e BF Skinner.

Condicionamento clássico e condicionamento operante são dois conceitos importantes e centrais para a psicologia comportamental.

Embora ambos resultem na aprendizagem…os processos são diferentes.

Condicionamento respondente
– Primeiro descrito por Ivan Pavlov, fisiologista russo
– Envolve a colocação de um sinal neutro antes do reflexo
– Concentra-se em comportamentos involuntários, automáticos

Condicionamento operante
– Descrito pela primeira vez por BF Skinner, um psicólogo americano
– Envolve a aplicação de reforço ou punição depois de um comportamento
– Se concentra no fortalecimento ou enfraquecimento da probabilidade de comportamentos voluntários ocorrerem novamente no futuro

Tabela comparativa:

O condicionamento respondente é passivo (involuntário), e é basicamente expresso pela equação:

S→R (estímulo – resposta)

O condicionamento operante é ativo (voluntário), e é basicamente expresso pela equação:

S: R→C (estímulo discriminativo – resposta – consequência)


FONTE:
https://pensarbemviverbem.com.br/psicologia-condicionamento-operante-x-respondente/


quinta-feira, 30 de março de 2023

DO COMPORTAMENTO À COGNIÇÃO: TRANSFORMAÇÕES EPISTÊMICAS NO PENSAMENTO BEHAVIORISTA DO SÉCULO XX






O surgimento de teorias cognitivistas no âmbito do pensamento behaviorista do século XX



1. Introdução 

O behaviorismo refere-se a um conjunto de teorias e técnicas voltado à explicação e intervenção sobre o comportamento humano. Em linhas gerais, esta corrente de pensamento afirma que o comportamento consiste em respostas a estímulos ambientais, aprendidas ao longo do desenvolvimento dos indivíduos. O behaviorismo tem sua formulação inicial com os estudos de Ivan Pavlov e John Watson. A partir de experimentos realizados com animais, o primeiro autor dedicou-se a descrever a apresentação de comportamentos reflexos por sujeitos de pesquisa, adquiridos mediante a associação entre estímulos condicionados e não-condicionados (PAVLOV, 2003).

Por sua vez, no início do século XX, Watson aplica resultados da pesquisa de Pavlov ao estudo do comportamento humano. Em seus trabalhos, ele demonstra que determinadas respostas, tais como o medo, podem ser aprendidas por semelhante associação entre estímulos neutros e estímulos que naturalmente suscitam a reação emocional em questão (WATSON; RAYNER, 1920). 

(...) Segundo o autor, apenas o comportamento diretamente observável configura objeto do saber científico. A Psicologia científica deve, portanto, abandonar a pretensão de investigar fenômenos internos aos indivíduos.

Esta premissa é assumida por F. B. Skinner, o qual, a partir da década de 1930 ampliará o arcabouço teórico behaviorista. Aos estudos de Pavlov e Watson, Skinner acrescenta, entre outras contribuições, a noção de condicionamento operante. Conforme esta noção, comportamentos são aprendidos não apenas pela associação de estímulos, mas também em razão das consequências que produzem (SKINNER, 1970). Ou seja, na medida em que um comportamento leva a consequências reforçadoras para o sujeito, ele tenderá a se repetir, assim como um comportamento que conduz a consequências não reforçadoras tenderá a se extinguir (SKINNER, 1970).


(...)

2. O surgimento do Behaviorismo com John Watson e Ivan Pavlov

(...) 

A Psicologia havia se constituído como disciplina científica autônoma, no final do século XIX, mais precisamente em 1879. Desde então, seu principal objeto de pesquisa era a consciência humana e seu principal método, a introspecção (WEITEN, 2016).

Porém, como Watson afirma, a consciência é intangível, ela não pode ser vista, sentida, medida. Para produzirmos um conhecimento científico, devemos ter como objeto de estudo fenômenos que são diretamente observáveis (WATSON, 1913). Logo, a Psicologia deverá se dedicar apenas ao estudo do comportamento humano e de outros animais. E, por conseguinte, seu método não deve ser mais a introspecção, e sim técnicas para medir este comportamento (WATSON, 1913).

É importante ressaltar que Watson, tal como outros behavioristas que surgirão posteriormente, não negava a existência da consciência. O que Watson estabelecia era a impossibilidade de se estudá-la cientificamente. Desta maneira, além de se restringir ao comportamento, o behaviorismo deveria explicá-lo considerando apenas a influência de fatores ambientais e não fatores internos ao sujeito (como impulsos, desejos, fantasias). 

Conforme Schneider e Morris (1987, p. 31), o behaviorismo watsoniano recebeu distintas designações ao longo de seu desenvolvimento, sendo que “behaviorismo extremo é o termo que mais frequentemente encontramos como designação da psicologia de Watson”. Porém, como ressalta Lashley (apud STRAPASSON; CARRARA, 2008), os estudos iniciais deste psicólogo habilitam-nos a denominar seu pensamento também pelo termo Behaviorismo Metodológico.

O Behaviorismo Metodológico assume como premissa epistemológica e ontológica que “fatos da consciência existem, mas não servem a nenhuma fonte de tratamento científico” (LASHLEY apud STRAPASSON; CARRARA, 2008, p. 2). Em outras palavras, se por um lado Watson reconhece a existência de fenômenos mentais, por outro a ciência psicológica deve renunciar a estudá-los, caso contrário, incorreria no  campo da metafísica. Assim sendo, “a natureza dos eventos psicológicos não é passível de investigação científica” (STRAPASSON; CARRARA, 2008, p. 2).

Watson considerava o comportamento como sendo uma resposta de determinado organismo (humano ou não) a estímulos ambientais. Em decorrência, a tarefa central do behaviorismo tornou-se compreender como ocorre a formação destas respostas (WATSON, 1913). Ou seja, como ocorre a aprendizagem. Para o estudo da aprendizagem, Watson baseou-se nas pesquisas desenvolvidas pelo cientista russo Ivan Pavlov. 


Pavlov foi um fisiologista russo que se dedicou, entre outros temas, ao estudo da digestão. Ao realizar experimentos sobre a salivação em cães, este cientista identificou um fenômeno bastante peculiar. Em seus experimentos, Pavlov apresentava comida a cães e media a salivação dos animais diante do alimento. Todavia, ele percebeu que aqueles cães que já estavam acostumados com o experimento, salivavam antes da chegada da comida, apenas por ouvirem o barulho do dispositivo mecânico que fornecia o alimento (PAVLOV, 2003).
O cientista decidiu então estudar este fenômeno específico. Como resultado, ele constatou que: um estímulo neutro (como o som de uma máquina), pode produzir respostas (como a salivação do cão), caso este estímulo seja associado a um segundo estímulo que naturalmente produz a resposta (no caso a carne, que naturalmente faz os cães salivarem) (PAVLOV, 2003). Em outras palavras, pela associação do barulho de uma máquina com um alimento fornecido, os cães passavam a salivar meramente por ouvirem este barulho. Eles emitiam, assim, o que hoje se chama de resposta condicionada.

Watson buscou aplicar a descoberta de Pavlov ao estudo do comportamento humano. O psicólogo realizou experimentos com um bebê de 11 meses, identificado pelo nome de Albert B. Nestes experimentos, o bebê era colocado para brincar com um camundongo. O pesquisador emitia então um ruído estridente, sempre que Albert tocava o animal, provocando no bebê reações de medo e choro (WATSON; RAYNER, 1920).

Após o pareamento destes dois estímulos por diversas vezes, Albert passou a emitir reações de medo, choro e estresse meramente diante do camundongo. Além disto, tal resposta condicionada também foi generalizada para outros estímulos, que mantinha alguma semelhança com o camundongo, tais como animais peludos (como coelhos e cães), objetos felpudos, como casacos ou mesmo uma máscara de Papai Noel (WATSON; RAYNER, 1920).



"Neste vídeo, mostramos trechos do original experimento de Watson com a criação de uma resposta condicionada (medo) através de um estímulo neutro. Embora polêmico pela utilização de um bebê, foi de grande avanço no estudo do comportamento humano na época."

Watson publicou os resultados deste experimento no ano de 1920, procurando demonstrar que a aprendizagem descrita por Pavlov ocorre em humanos. Esta aprendizagem é chamada hoje de condicionamento clássico. O condicionamento clássico apresenta algumas características que cumpre sintetizarmos aqui.

Uma primeira característica é que sua aquisição depende, como visto, da contiguidade dos estímulos, isto é, eles serem apresentados juntos no tempo e no espaço. Quanto maior a contiguidade, mais forte será o condicionamento (MALOTT, 2008). Em segundo lugar, uma resposta condicionada pode ser extinta. A extinção desta resposta depende do enfraquecimento da contiguidade (MALOTT, 2008). Por exemplo, quanto mais o camundongo for apresentado a Albert sem o ruído, menos ele provocará reações de medo.

Há, no entanto, uma terceira característica do condicionamento clássico. Ela se refere ao fato de que uma resposta condicionada que foi extinta, pode ser recuperada espontaneamente (MALOTT, 2008). Pavlov observou que mesmo após extinguir a resposta de salivação de seus cães, em alguns cães esta resposta reaparecia em ocasiões futuras. Ou seja, os cães voltavam a salivar.

Em quarto lugar, como mostra o experimento de Albert, as respostas condicionadas podem ser generalizadas (MALOTT, 2008). Isto significa que um organismo, que aprendeu a responder a estímulos específicos (como o camundongo), é capaz de responder igualmente a estímulos semelhantes ao original (o coelho, a roupa, a máscara). Em contrapartida, pode também ocorrer no condicionamento clássico um fenômeno inverso. Trata-se da discriminação do estímulo. Ela implica que as respostas condicionadas só serão emitidas diante de estímulos idênticos ao original (MALOTT, 2008) 




"O condicionamento clássico (ou condicionamento pavloviano ou condicionamento respondente) é um processo que descreve a génese e a modificação de alguns comportamentos com base nos efeitos do binómio estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central dos seres vivos. O termo condicionamento clássico encontra-se historicamente vinculado à "psicologia da aprendizagem" ou ao "comportamentalismo" (Behaviorismo) de John B. Watson, Ivan Pavlov e Burrhus Frederic Skinner."

3. B. F. Skinner e o condicionamento operante


(...) A teoria elaborada por ele ficará conhecida como Behaviorismo Radical.

Como afirmam Schneider e Morris (1987), este termo foi utilizado pelo próprio Skinner, em 1945, para designar seus estudos. O Behaviorismo Radical sustenta que todos os fenômenos animais (humanos ou não) consistem em processos físicos, entidades naturais, e que, portanto, devem ser estudados segundo os mesmos métodos e princípios que regem as ciências da natureza. Entre as principais contribuições de Skinner para o estudo do comportamento, está o conceito de comportamento operante (SKINNER, 1970).

Enquanto o condicionamento clássico refere-se a comportamentos reflexos, que estão fora do controle do indivíduo (como salivar ou ter reações fisiológicas de estresse), o condicionamento operante refere-se a comportamentos voluntários, controláveis pelo indivíduo (como atos de estudar, trabalhar, relacionar-se com outras pessoas) (SKINNER, 1970).
Para Skinner, estes comportamentos voluntários foram aprendidos, com base em estímulos consequentes, isto é, com base nas consequências que provocam. Assim, o princípio fundamental do condicionamento operante estabelece que: as ações que produzem consequências reforçadoras tendem a se repetir, e aquelas que não produzem tais consequências, tendem a se extinguir (SKINNER, 1970).

Consequências reforçadoras podem ser de caráter tanto positivo quanto negativo.


(...) De tal maneira, segundo Skinner (1970), um comportamento aumentará ou diminuirá em frequência, conforme as consequências que ele produz (SKINNER, 1970). Por exemplo, os indivíduos estão mais propensos a consumir uma droga ou outra substância, quando esta provoca efeitos prazerosos (reforço positivo) ou aliviam sensações desagradáveis (reforço negativo). Em contrapartida, os indivíduos estão menos propensos a usarem uma droga ou outra substância, quando esta provoca consequências desagradáveis (punição).

Para Skinner, comportamentos aprendidos por condicionamento operante estão presentes nas mais diversas circunstâncias de nossas vidas, tais como nossos comportamentos na família, na escola, nas relações conjugais e de amizade, no trabalho, em relação às religiões, entre outros. O condicionamento operante possui características que cumpre apresentarmos.

(...) Modelagem: 

Ela é necessária quando um organismo não emite, de imediato, a resposta a ser reforçada. Com isto, pela modelagem, reforçam-se os comportamentos que vão sucessivamente se aproximando desta resposta. Por exemplo, se é esperado que um indivíduo cesse o consumo de drogas e ele ainda não é capaz de fazê-lo no momento, devemos então reforçar comportamentos aproximados, como a redução progressiva do consumo. 

(...) Esquemas de reforço: 

(...) Podem ser usados para se condicionar um comportamento.

(...) Extinção dos comportamentos aprendidos por condicionamento operante. 

Esta extinção ocorre tanto pela punição, quanto pelo reforço de comportamentos alternativos (CHIESA, 1994). 




(...)

Leitura do artigo completo em:

DO COMPORTAMENTO À COGNIÇÃO: TRANSFORMAÇÕES EPISTÊMICAS NO PENSAMENTO BEHAVIORISTA DO SÉCULO XX 

FROM BEHAVIOR TO COGNITION: EPISTEMIC TRANSFORMATIONS IN TWENTIETHCENTURY BEHAVIORIST THINKING

Autor: Rafael Nogueira Furtado



terça-feira, 28 de março de 2023

A teoria de Melanie Klein


Teoria: 
São três os pilares fundamentais da teoria Kleiniana - Primeiramente existe um mundo interno, formado a partir das percepções do mundo externo, colorido com as ansiedades do mundo interno. Com isso os objetos, pessoas e situações adquirem um colorido todo especial. O seio materno, primeiro objeto de relação da criança com o mundo externo, tanto é percebido como bom quando amamenta, daí o nome de “seio bom” a esse objeto no mundo interno, quanto é percebido como “seio mau”, quando não alimenta na hora em que a criança assim deseja. Como é impossível satisfazer a todos os desejos da criança, invariavelmente ela possui os dois registros desse seio, um bom e um mau. Esse conceito também é muito importante no estudo da formação de símbolos e desenvolvimento intelectual.

Em segundo lugar os bebês sentem, logo quando nascem, dois sentimentos básicos: amor e ódio. É como se a vida fosse um filme em branco e preto, ou se ama, ou se odeia. É fácil, portanto, perceber que a criança ama o “seio bom” e odeia o “seio mau”. O problema é que na fantasia da criança, o “seio mau”, esse objeto interno, vai se vingar dela pelo ódio e destrutividade direcionados a ele.

Esse medo de vingança é chamado de ansiedade persecutória. Quando nos defrontamos diante de um perigo, como por exemplo, quando caminhando em um parque nos defrontamos diante de uma cobra, temos o instinto de fugir. Essa reação diante do perigo é chamada em psicanálise de defesa. O conjunto de ansiedade persecutória e suas respectivas defesas são chamados por Klein de “posição esquizoparanóide”.

Com o desenvolvimento o bebê percebe que o mesmo objeto que odeia (seio mau) é o mesmo que ama (seio bom). Ele percebe que ambos os registros fazem parte de uma mesma pessoa. Agora o bebê teme perder o seio bom, pois teme que seus ataques de ódio e voracidade o tenham danificado ou morto. Esse temor da perda do objeto bom é chamado por Klein de “ansiedade depressiva”. O conjunto de ansiedade depressiva e suas respectivas defesas são chamados por Klein de “posição depressiva”.

O conceito de posições é muito importante na escola kleiniana, pois o psiquismo funciona a partir delas, e todos os demais desenvolvimentos são invariavelmente baseados em seu funcionamento. Nesse sentido, o desenvolvimento em fases, proposto por Freud (fase oral, anal e genital), é aqui substituído por um elemento mais dinâmico que estático, pois as três fases estão presentes no bebê desde os três primeiros meses de vida. Klein não nega essa divisão, muito pelo contrário, mas dá a elas uma dinâmica até então ainda não vista em psicanálise.

Alias, é essa palavra que distingue o pensamento kleiniano do freudiano. Para Klein, o psiquismo tem um funcionamento dinâmico entre as posições esquizoparanóide e depressiva, que se inicia como o nascimento e termina com a morte. Todos os problemas emocionais, como neuroses, esquizofrenias e depressão são analisados a partir dessas duas posições. Por isso, em uma análise kleiniana, não basta trabalhar os conteúdos reprimidos, é preciso “equacionar” as ansiedades depressivas e persecutórias. É necessário que o paciente perceba que o mundo não funciona em preto e branco, e que é possível amar e odiar o mesmo objeto, sem medo de destruí-lo. Em outras palavras, não adianta trabalhar o sintoma (neurose) se não trabalhar os processos que levaram seus surgimentos (ansiedades persecutória e depressiva).

Análise infantil e a controvérsia Melanie Klein e Anna Freud:
Klein conseguiu desenvolver estudos sobre as ansiedades arcaicas porque dedicou quase toda a sua vida à análise de crianças. Seu primeiro paciente foi seu próprio filho, Hans, que apresentava sérios distúrbios de aprendizagem. Aos poucos Klein foi percebendo estruturas psíquicas que estavam fora do esquema freudiano, e, a partir da investigação dessas estruturas chamadas “arcaicas”, foi possível o desenvolvimento de suas teorias. Alguns paradigmas precisaram ser quebrados para que isso fosse possível e isso lhe rendeu uma série de inimizades.

O primeiro e principal paradigma para a época era a questão da possibilidade da análise infantil. Para Freud era impossível a análise de crianças muito pequenas, pois as mesmas não possuíam uma estrutura de linguagem suficientemente desenvolvida para a elaboração e livre verbalização de ideias.

Sua maior opositora nesse campo foi Anna Freud, que na época também trabalhava com crianças. Robert Young descreve essa relação da seguinte forma “Onde Anna Freud disse que crianças muito pequenas não podiam realizar livre associação, Klein viu um rico mundo de fantasias refletidas no brincar. Onde Anna Freud viu a si mesma como uma professora com suas obrigações educadoras, Klein foi mais fundo, interpretando ansiedades sobre seios e outras partes do corpo, sobre ódio, sofrimento, luto e inveja que chocaram os não-kleinianos.”

Em 1939, com o advento do nazismo, a família Freud se muda para Londres, e um antagonismo que já existia entre Klein e Anna Freud, em função da convivência entre as duas na mesma sociedade psicanalítica, causa um racha na Sociedade Britânica de Psicanálise. Uma série de reuniões e artigos são publicados entre 1940 e 1944, chamados Controvérsia Freud Klein, para se tentar chegar a um acordo, porém, até a presente data esse racha persiste na sociedade Britânica.

Desenvolvimentos Posteriores:
Mesmo quando Klein era viva, o movimento Kleiniano foi, dizendo do ponto de vista psicanalítico, ambivalente. Ao mesmo tempo em que Klein evitava um confronto direto com Freud, a partir de 1935 era impossível manter essa posição. Certo radicalismo se instaurou na Sociedade Psicanalítica Britânica, que praticamente foi dividida em três partes: os freudianos, os kleinianos e os neutros. É importante aqui frisar que essa divisão, apesar de meramente técnica, também tinha aspectos políticos, que devem ser levados em consideração quando se estuda psicanálise. Não se pode dizer que outros psicanalistas não tenham contribuições importantes, somente porque não rezam essa ou aquela cartilha. Ciência não se faz dessa maneira, e se assim o fosse, o ego do psicanalista estaria acima das necessidades dos pacientes. A verdade deve ser um dos princípios que norteiam o movimento psicanalítico, acima de tudo.

Entre os neutros estava Dr. D. Winnicott, um importante psicanalista, que também trabalhou com crianças. As maiores contribuições de Winnicott para a psicanálise foram sobre o “ambiente e os processos de maturação”, ou seja, a figura da mãe como responsável pelo desenvolvimento da criança. Klein estava tão absorta no mundo de fantasias da criança que não se aprofundou na relação mãe – bebe. Coube a Winnicott esse desenvolvimento. Outros pontos também são importantes, como por exemplo, os objetos transicionais, falso self, etc. Apesar de suas discordâncias, e de alguns autores atribuírem uma rivalidade teórica maior do que realmente existiu, Winnicott é de extrema importância em um trabalho psicanalítico sério, e suas contribuições para a psicanálise são de extremo valor.

Por Alê Esclapes

FONTE: https://www.apsicanalise.com/index.php/blog/121-artigos/323-melanie-klein-vida-e-obra


sábado, 25 de março de 2023

Cérebro ou mente: existe diferença entre eles e quais são?

 

Nossa cabeça


 (...) Há muito mais coisas na nossa cabeça do que a gente imagina!

Sensores que nos dizem a temperatura, o som, os sabores, o que enxergamos e até mesmo o sensor que nos mantém equilibrados e em pé. Não é apenas a “nossa cabeça” e sim a área responsável por abrigar tudo aquilo que nos difere dos demais mamíferos.

Além disso, nossa cabeça é onde se localiza o crânio, capa óssea que reveste nossos dois pontos de discussão: o cérebro e a mente humana. Ele é como nosso próprio guardião, afinal, é nele que estão protegidas formações importantes.

Outro ponto que precisamos levar em consideração vai além da ciência. Algumas religiões fazem uso dessa divisão para explicar suas crenças, mostrando como o corpo humano só poderia ter sido projetado por um “ser Divino” para ser tão perfeito e complexo ao mesmo tempo.

(...) Agora que conhecemos a nossa cabeça, vamos nos aprofundar mais nesse quesito.

Eu lhes apresento a massa cinzenta.



O cérebro

Este bonito aí é o responsável por nossas funções motoras, enviando sinais elétricos por todo nosso corpo para que ele funcione da forma que foi “planejado” para fazer.

O cérebro é o responsável por criar a imagem que, poderá ou não, ter alguma relação emocional (gerada pela mente humana).

Basicamente, nosso cérebro é o comandante do batalhão chamado corpo humano. Cada soldado no corpo depende dos envios elétricos de informações que ele é responsável.

Sem isso não há funcionamento.


Quer um exemplo?

Quando alguém disser que um paciente morreu de morte cerebral significa que o comandante caiu, e mesmo os demais órgãos em perfeito estado, sem os sinais elétricos do cérebro eles não sabem como e quando funcionar.

Entendeu agora?

Pois bem, então vamos falar da responsável pelo conto de fadas.

A mente humana

Bom, vamos aos fatos!

A mente humana é complexa e vem sendo alvo de estudos já milênios. Isso porque ela envolve quem nós realmente somos, é nela que se abrigam os sentimentos e emoções mais poderosas.

Obra que o cérebro cria a imagem com base na emoção que a mente desenvolveu? É exatamente assim que funciona.

Nossa mente é tão poderosa que pode desenvolver medos surreais, bem como a sensação de tranquilidade e paz na mesma proporção.

Em resumo, a mente é o estado de consciência ou subconsciência que possibilita a expressão da nossa natureza como humanos. Não é algo palpável e tangível, e pode ser exemplificada como se fosse a programação de um computador.

Além disso, de acordo com um dos maiores nomes da Hipnoterapia, Dave Elman, a mente humana pode ser dividida em três partes.

modelo da mente foi estipulado por Elman para explicar que nossa mente é formada por etapas específicas, as quais são responsáveis por funções distintas.




Mente Consciente

É o local da mente que passamos a maior parte do tempo. Aqui também estão as partes analítica, racional, memória de curto prazo e força de vontade.

É aqui que a mente define se algo é certo ou errado, crítica alguma decisão, se recorda de algo recente e até mesmo fornece aquela forcinha de vontade para ir à academia na segunda-feira pela manhã.

Ela é o nosso guarda costas.

Mente Inconsciente

Eis o responsável por nossas funções básicas. A mente inconsciente garante que nossos órgãos funcionem sempre sem a necessidade de que nós demos essa ordem a eles conscientemente.

Afinal, você não para e diz “coração, bata por favor!”. Ele simplesmente bate lindo e eficiente todos os momentos da sua vida.

O mesmo acontece com o funcionamento do seu sistema nervoso, sua circulação, respiração e tudo aquilo que é involuntário, mas a mente humana da um jeito de executar.

Mente Subconsciente

Aqui é lugar que representa 95% de quem nós realmente somos. O subconsciente tem a capacidade de guardar informações forma de emoção e isso é o que define a nossa personalidade, nossos gostos, manias, crenças e tudo mais.

Basicamente o subconsciente é tudo o que nós somos. Nele foram programadas as nossas maiores crenças, é nele também que nós guardamos emoções boas e ruins sobre nós mesmos e sobre outras pessoas.

E são essas emoções que fazem com que uma doença física ou psicossomática se desenvolva no corpo e na mente. Sem o tratamento correto dessas emoções, por meio da hipnoterapia, por exemplo, não há como aliviar ou eliminar os efeitos das doenças no corpo.

Aqui fica a nossa memória de longo prazo, nossos hábitos, nossa autopreservação e muito mais.

O subconsciente é, basicamente, a memória RAM da sua CPU.

O desenvolvimento pessoal nisso tudo

Sabendo que o subconsciente é o responsável por armazenar nossas emoções, e que muito do nosso consciente é feito com base nas programações emocionais, como se desenvolver?

É necessário utilizar técnicas que consigam acessar o subconsciente e assim ressignificar emoções que, de alguma forma, estão prejudicando sua vida.

Na verdade, primeiro você precisa relaxar e ser sincero consigo mesmo.

A psicoterapia é uma técnica excelente para isso, a meditação também, mas de todas as que conhecemos hoje, a Hipnoterapia é a campeã.

Hipnoterapia  pode ser conhecida também como hipnose clínica e seu objetivo é oferecer uma sessão terapêutica para tratamento de transtornos emocionais, físicos, psicológicos, hábitos arraigados e até sentimentos indesejáveis baseada na técnica de hipnose.

por/  

Postagem completa, acesse o link abaixo:

https://omnihypnosis.com.br/blog-mente-humana/


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