terça-feira, 14 de maio de 2019

Teoria de Aprendizagem de Vygotsky

Para Vygotsky, o professor é figura essencial do saber por representar um elo intermediário entre o aluno e o conhecimento disponível no ambiente

Papel do professor na aprendizagem


Estudioso do processo de aprendizagem, Vygotsky defende que ela é resultante da atividade de cada pessoa e da reflexão que ela consegue fazer a partir daquilo. Ou seja, cada aluno é um agente ativo nesse processo.
Dessa forma, o papel do professor consiste em guiá-lo enquanto fornece as ferramentas adequadas para que seu desenvolvimento cognitivo ocorra da forma mais apropriada. Assim, a função do profissional é conduzir o indivíduo até a aquisição do conhecimento.
Estruturas mentais

Para educar, o professor deve entender as estruturas mentais e seus mecanismos. No contexto educacional, os conceitos da teoria de aprendizagem de Vygotsky percebem a escola como o local onde a intervenção pedagógica é intencional e é isso o que promove o processo de ensino-aprendizagem.
Para o estudioso, a aquisição do conhecimento ocorre por mediação, convivência, partilha e assim por diante até que diversas estruturas sejam internalizadas. Um de seus principais conceitos é a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), que destaca o papel do outro — em especial o do professor.

A ZDP, segundo seu criador, é a distância entre o desenvolvimento real de uma criança e o que ela ainda tem o potencial de aprender. Esse potencial é demonstrado pela capacidade de desenvolver uma competência com a ajuda de um adulto.
O profissional interfere de forma objetiva, intencional e direta na ZDP. O aluno é aquele que aprende os valores, a linguagem e o conhecimento que seu grupo social produz a partir da interação com o outro — no caso, o professor.
Segundo Vygotsky, o aprendizado não se subordina totalmente ao desenvolvimento das estruturas intelectuais: um aspecto se alimenta do outro. Por isso, o ensino deve se antecipar àquilo que a criança ainda não sabe e nem é capaz de aprender sozinha. Para ele, na relação entre aprendizado e desenvolvimento, o primeiro vem antes.
Mediação da aprendizagem


Nesse cenário, um dos recursos mais úteis é o trabalho de pares. Afinal, a ZDP é o caminho entre o que a criança consegue fazer sozinha e o que ela está perto de conseguir fazer sozinha.
O professor deve ser capaz de identificar essas duas capacidades e, a partir disso, determinar qual deve ser o percurso de cada aluno entre elas. Por isso, a relação entre professor e estudante deve ser de cooperação, respeito e crescimento, não de imposição.
A criança deve ser considerada ativa no processo de construção de conhecimento. O educador é o suporte para que a aprendizagem seja satisfatória. O educador deve, então, interferir na ZDP do estudante com metodologia.
Para Vygotsky, isso ocorre pela linguagem — pelo diálogo entre professor e aluno. Esse conceito é essencial na adaptação na educação infantil e o papel do professor é fazer com que a criança se sinta estimulada.

Principais definições da Teoria de Aprendizagem de Vygotsky

Segundo o estudioso, o desenvolvimento da linguagem implica o desenvolvimento do pensamento, já que é pelas palavras que o pensamento ganha existência.
Para ele, a linguagem tem duas funções básicas: intercâmbio social e pensamento generalizante. O intercâmbio social é bem visível em bebês, por exemplo: por meio de gestos, expressões e sons, eles demonstram sentimentos, desejos e necessidades.
O pensamento generalizante ocorre quando se fala uma palavra: ao dizer, por exemplo, frango, o pensamento classifica a palavra em “animais” e remete à imagem dele.
Assim, as funções psicológicas superiores, ou seja, as ações e os pensamentos inteligentes que só são encontrados no homem (como pensar, refletir, organizar, categorizar, generalizar e outros), são construídas ao longo de sua história social.

Os pilares da teoria de aprendizagem de Vygotsky são:
  • as funções psicológicas têm suporte biológico, pois são produtos da atividade cerebral. O cérebro é um sistema aberto, com estruturas que são moldadas ao longo da história do homem e de seu desenvolvimento individual;
Algumas áreas do cérebro humano envolvidas no processamento da linguagem: Área de Broca (Azul), Área de Wernicke (Verde), Giro supramarginal (Amarelo), Giro angular (Laranja), Córtex auditivo primário (Rosa).
  • o funcionamento psicológico tem como base as relações sociais dentro de um contexto histórico;
  • a cultura é parte essencial do processo de construção da natureza humana;
  • a relação entre o homem e o mundo é mediada por sistemas simbólicos, que auxiliam a atividade humana.

Conceitos de aprendizagem

As observações de Vygotsky foram obtidas a partir de um estudo com primatas. Ao avaliar os animais, o teórico percebeu que existe uma inteligência prática em ação, já que eles conseguem atingir um nível em que podem resolver problemas ao seu redor com o uso de instrumentos.
A partir disso, ele formulou alguns conceitos.

Linguagem e pensamento

A fase da resolução de problemas no entorno foi chamada pelo psicólogo de “linguagem pré-intelectual”. Paralelamente, o estudioso percebeu que os primatas usam expressões faciais, gritos e urros para se comunicar — algo que chamou de “pensamento pré-verbal”.
Quando analisou crianças, ele notou que elas passam por um processo semelhante. Depois, por volta dos dois anos de idade, a linguagem pré-intelectual e o pensamento pré-verbal se unem e dão origem à linguagem intelectual e ao pensamento verbal.
Nesse momento, seu vocabulário ganha mais consistência, ela passa a questionar o que lhe intriga e sua linguagem e seu pensamento passam a ser internalizados. Isso ocorre em três momentos:
  • fala social (ou exterior): a comunicação engloba elementos do entorno e tem como finalidade apenas a comunicação com adultos;
  • fala egocêntrica: a prioridade não é ser ouvida pelo adulto, mas ela ainda não saber expressar sua fala apenas para si;
  • fala interior: quando atinge a potencialidade da reflexão.

Mediação semiótica

A mediação é um conceito central da teoria de aprendizagem de Vygotsky e representa a intervenção de um elemento intermediário em uma relação. Os mediadores podem ser instrumentos ou signos.
Instrumentos são objetos criados pelo homem para facilitar sua vida e signos são fatores psicológicos que auxiliam nos processos internos. A significação pressupõe a criação e o uso de signos por meio dos quais é possível construir novas conexões cerebrais.
Com isso, a partir dos processos mentais elementares ocorre o desenvolvimento mental superior, que usa a mediação semiótica. Tanto os instrumentos quanto os signos ajudam o homem a agir no mundo.
Assim, quando o indivíduo cria uma lista de supermercado, por exemplo, ele está usando signos. Afinal, trata-se de um suporte psicológico que pode auxiliá-lo, mais tarde, a fazer as compras no mercado.
De acordo com o teórico, quando nasce, a criança interage com o ambiente de forma típica e peculiar. A forma mais elementar de relação do homem com o ambiente tem uma ligação direta de estímulo-resposta. É por isso, por exemplo, que se retira a mão rapidamente ao ter contato com uma superfície quente.
O processo de educação ocorre, então, por meio da mediação semiótica. Ela, por sua vez, atua na construção de processos mentais superiores.
Essa construção de Vygotsky é prolongada e complexa, pois passa por uma série de transformações qualitativas em que um estágio é precondição para o próximo (que é uma ampliação ou uma inovação de um antecedente).

Internalização

Para o estudioso, o ambiente tem papel fundamental no desenvolvimento intelectual da criança. Ou seja, o desenvolvimento ocorre de fora para dentro. Assim, a internalização, que permite absorver o conhecimento vindo do contexto, é fundamental.
As influências sociais, então, em vez de biológicas, são a base da teoria de aprendizagem de Vygotsky. A internalização está diretamente relacionada à repetição: a criança se apropria da fala do outro e a torna sua.
Isso ocorre no processo de socialização, já que, quando se relaciona com o adulto, a criança reconstrói as formas culturais, o pensamento, as significações e os usos das palavras.
Em resumo, todos os dias, em todos os lugares, a criança observa o que as pessoas dizem, como o dizem, o que fazem e por que o fazem. Ela, então, internaliza tudo isso e o transforma em sua propriedade. Para isso, ela recria, dentro de si, as conversações e demais interações observadas.
Esse processo é essencial para o crescimento do funcionalismo psicológico humano. Afinal, ele compreende uma atividade externa que deve ser mudada para tornar-se uma atividade interna: assim, ela começa como interpessoal e se torna intrapessoal.
Dessa forma, quando uma criança está na cozinha, por exemplo, e a mãe lhe diz apenas para não mexer no fogo, ela perde a chance de lhe ensinar algo. Se, ao contrário, disser que, se mexer no fogo ela pode se machucar, a criança pode internalizar esse aprendizado e usá-lo em outras circunstâncias.
Assim, os adultos podem ajudar a ampliar o conhecimento da criança e facilitar sua aprendizagem por meio das interações que têm com ela. Dessa forma, sempre que há algum tipo de troca, há aprendizagem, já que o homem não é um ser passivo.

Zonas de desenvolvimento

Como na teoria de aprendizagem de Vygotsky, o desenvolvimento da criança está diretamente relacionado à sua socialização, ele categorizou esse processo em três níveis.
  1. Zona de desenvolvimento real: refere-se às etapas já alcançadas pela criança e que permitem que ela solucione problemas de forma independente.
  2. Zona de desenvolvimento potencial: é a capacidade que a criança tem de desempenhar tarefas desde que seja ajudada por adultos ou companheiros mais capazes.
  3. Zona de desenvolvimento proximal: é a distância entre as zonas de desenvolvimento real e potencial. Ou seja, é o caminho a ser percorrido até o amadurecimento e a consolidação de funções.
Isso significa que, antes mesmo de frequentar a escola, a criança desenvolve seu potencial a partir das trocas estabelecidas e adquire conhecimento.
Quando vai para o ambiente escolar, ela se familiariza com esse mundo e sai da zona de desenvolvimento real para, com auxílio do professor, atingir seu desenvolvimento potencial.
A noção de desenvolvimento remete a um contínuo de evolução. Assim, é como se o indivíduo caminhasse ao longo do ciclo vital. Essa evolução nem sempre é linear e ocorre nos aspectos afetivo, cognitivo, social e motor. O processo inclui tanto a maturação biológica quanto as interações com o meio.
A cultura ao redor do indivíduo é uma das principais influências nesse processo. Pela interação social, cada pessoa aprende, se desenvolve, cria formas de agir no mundo e amplia os meios de atuar no complexo contexto que a cerca.

Estágios de desenvolvimento

Além de Vygotsky, outro estudioso do desenvolvimento humano, Jean William Fritz Piaget, um biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço, concluiu que tanto os organismos vivos podem se adaptar a um novo meio quanto existe uma relação evolutiva entre eles e o ambiente.
Assim, a criança reconstrói ações e ideias quando se relaciona com novas experiências proporcionadas pelo ambiente. Para ele, o conhecimento humano é construído a partir da interação entre o homem e o meio. Para adaptar-se ao ambiente, o indivíduo deve equilibrar uma ação com outras ações.
A base desse processo está na assimilação e na acomodação. De acordo com Piaget, para adquirir pensamento e linguagem, a criança passa por várias fases de desenvolvimento psicológico, do individual para o social.
Assim, sua evolução mental ocorre a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. O progresso mental acontece de forma lenta e em estágios: sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e operatório-formal. Entenda melhor sobre eles a seguir!

Estágio sensório-motor

Essa fase inclui, em geral, crianças de 0 a 2 anos e é a etapa da percepção-ação. O pequeno se concentra em sensações e movimentos, já que ocorre o desenvolvimento inicial das coordenações e das relações de ordem entre as ações.
A criança começa, então, a entender o que as sensações significam e como seus movimentos podem levar a alterações no mundo exterior. Isso acontece porque a inteligência é anterior à fala: ou seja, há uma inteligência prévia, sem linguagem, que permite perceber o real.
Nos primeiros meses de vida, o bebê ainda não controla as ações motoras de forma consciente. Com o tempo, ele ganha consciência dos movimentos: perto dos 9 meses, começa a diferenciar os objetos e o próprio corpo.
A partir daí, passa a testar as possibilidades: estica o braço para puxar o móbile, tira e coloca a chupeta na boca e assim por diante. Nessa etapa, a criança ainda tem dificuldades com tudo o que não pode ver, tocar ou sentir.
Ou seja, ela acha que só existe o que está em seu campo sensorial. É por isso que, quando se esconde um brinquedo, por exemplo, ela não o procura: para ela, aquilo deixou de existir.
O mesmo ocorre quando não vê a mãe. Como pensa que ela deixou de existir, é comum que comece a chorar. Conforme recebe estímulos, a criança passa a perceber que nem sempre os objetos que estão fora do alcance da sua visão deixam de existir.
A percepção das três dimensões do espaço e o reconhecimento no espelho vêm após 1 ano de idade. Por volta dos 18 meses, a criança passa a ter a capacidade de representar um significado a partir de um significante. Assim, nesse estágio, o campo da inteligência aplica-se a situações e ações concretas.

Estágio pré-operatório

Engloba as idades de 2 a 7 anos. Esse estágio se inicia com a capacidade do pensamento representativo — ou seja, a criança começa a gerar representações da realidade no próprio pensamento. É uma etapa representada pela capacidade de pensar um objeto por meio de outro.
Tudo isso possibilita o rápido desenvolvimento da fala e as brincadeiras de “faz de conta”. Nessa fase, há um egocentrismo evidente, mas isso faz parte do desenvolvimento cognitivo comum. É por isso que a criança fala sozinha e raramente considera o que foi dito para ela.
Além disso, na cabeça dela, as coisas acontecem por si mesmas: uma bola rola porque tem vontade (não pela ação da física), o sol se põe para que ela vá dormir (não porque o dia acaba). Esse pensamento representativo é o que permite o desenvolvimento do pensamento lógico.
É comum que, nessa fase, a criança se confunda com números e quantidades. A mesma quantidade de bebida em copos de formatos diferentes, por exemplo, a faz crer que se tratam de quantidades distintas. O mesmo ocorre com um biscoito partido ao meio e dois biscoitos: para ela, é a mesma coisa.
Nesse período, ocorre a introdução à moralidade (chega-se ao universo dos valores, das regras, das noções de certo e errado) e à linguagem. Ao serem apresentadas a novas situações, entretanto, ainda não são capazes de julgá-las — e fazem o que têm vontade. É preciso paciência até que sejam capazes de perceber sozinhas.

Estágio operatório-concreto

Ocorre dos 7 aos 12 anos e é marcado pelo início do pensamento lógico concreto. Aqui, a criança começa a manipular mentalmente as representações do que internalizou nos estágios anteriores. Isso só ocorre, porém, com coisas concretas, já que conceitos abstratos ainda não são compreensíveis para ela.
Nessa fase, ela já compreende que dois copos diferentes podem ter a mesma quantidade de suco e que duas metades de um biscoito não são equivalentes a dois biscoitos.
Outra noção mais bem desenvolvida é a da moral: as regras fazem mais sentido e, em situações simples, a criança já consegue julgar o que é correto.

Estágio operatório-formal

Após os 12 anos, já na pré-adolescência, a criança passa a ter um modo de pensar adulto e é capaz de assimilar hipóteses e conceitos abstratos. Ou seja, ela já faz representações abstratas e operações com conceitos que não têm formas físicas, como os da matemática.
Além disso, ela passa a compreender experiências vivenciadas por outras pessoas. Esse processo começa no estágio anterior, para objetos concretos, e nessa fase leva a criança a entender o ponto de vista dos outros. A linguagem, então, é usada como suporte do pensamento conceitual.
Em resumo, segundo a teoria de aprendizagem de Vygotsky, a criança nasce inserida em um meio social (sua família) e nele estabelece suas primeiras relações com a linguagem a partir da interação com os outros. No dia a dia, isso acontece espontaneamente durante o processo de uso da linguagem.
Afinal, segundo ele, o homem se produz na e pela linguagem. Essa relação é mediada por instrumentos e signos. É justamente a partir deles que o pensamento e a linguagem se associam para permitir o desenvolvimento no sentido funcional.
As práticas pedagógicas devem, então, trabalhar no sentido de esclarecer a importância da fala no processo de interação com o outro. Isso é especialmente importante na educação infantil, já que é o momento inicial do contato da criança com o mundo externo, fora do ambiente familiar.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

TEORIAS PSICOGENÉTICAS - Parte 3

TEORIAS PSICOGENÉTICAS - Parte 2 (Vygotsky)

TEORIAS PSICOGENÉTICAS - Parte 1 (Piaget)

Construção do Conhecimento- Segundo Piaget.

Jean Piaget e Epistemologia Genética




Segundo Pirandello (1996, p. 41), “considerando em seu conjunto o grande foco de interesse da obra de Jean Piaget foi elaborar uma teoria do conhecimento, que implica saber como o ser humano consegue organizar, estruturar e explicar o mundo em que vive”. Esta preocupação conduziu este teórico a pesquisar e compreender em que circunstância se passa de um estágio de menor conhecimento para um estágio de maior conhecimento. Utilizando-se da metodologia clínica e estudando os atos infantis, Piaget construiu uma teoria a respeito do nascimento da inteligência e das operações envolvidas na construção do pensamento racional. 

Desde quando iniciaram seus estudos científicos, Piaget deu aos seus trabalhos, um caráter epistemológico. Tais trabalhos não tinham vínculo direto com a educação. No entanto despertaram grande interesse entre educadores, isso fez com que sua teoria se desenvolvesse quase que exclusivamente na área educacional. A partir da década de 50, seguindo a interdisciplinaridade constantes no Centro Educacional de Epistemologia Genética, fundado em 1955, em Genebra, pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento começaram a se dedicar a estudos direcionados a teoria piagetiana (PIRANDELLO 1996).

Kayet et al. (2002) afirma que o estudo do desenvolvimento cognitivo nos leva a uma perspectiva da evolução da capacidade de pensar e de como a mente gera os conhecimentos a partir das experiências vividas. A forma pela qual uma criança pensa, resolve problemas e compreende o mundo torna-se mais complexa à medida que a criança vai crescendo e amadurecendo. A maturação cognitiva é necessária para a aquisição da linguagem. Alterações do pensamento modelam o curso e o nível final do desenvolvimento emocional, social e moral.


 Ele introduziu o conceito de esquemas, unidades de cognição ou representações mentais internas de algumas classes de situações, que possibilitam à criança responder de maneira consistente e coordenada a uma variedade de situações análogas. Os esquemas podem ser modificados pelos processos de assimilação e acomodação. 

Na assimilação, a criança internaliza um novo conhecimento organizando os novos estímulos de acordo com os esquemas que já existem em seus repertórios. Por exemplo, uma criança que vê um cachorro beagle pela primeira vez assimila beagle no esquema de cachorros. 

A acomodação ocorre quando a aquisição de uma nova informação ou um novo estímulo provoca a expansão do esquema ou altera sua estrutura de organização. Por exemplo, um esquema que classifica todos os animais de quatro patas na categoria de cachorros tende a ser alterado quando a criança vê um gato. 

Os dois processos, acomodação e assimilação, evoluem em complexidade sempre crescente conforme a criança se desenvolve (KAY et al. 2002). 

Palangana (2001, p. 22) esclarece que: 
Piaget especifica quatro fatores como sendo responsáveis pela psicogênese do intelecto infantil: o fator biológico, particularmente, o crescimento orgânico e a maturação do sistema nervoso; o exercício e a experiência física, adquiridos na ação empreendida sobre os objetos; as interações e transmissões sociais, que se dão basicamente através da linguagem e da educação; e o fator da equilibração das ações. 

O autor destaca que o fator da equilibração, desempenha um papel muito importante no processo de desenvolvimento, colocando-se como o alicerce da teoria de Piaget, e sendo inclusive necessário para explicar todos os outros fatores. Em sua obra Psicologia e Epistemologia (1978, p. 54-55) o teórico explica que o desenvolvimento individual é, na realidade, função de atividades múltiplas em seus aspectos de exercícios, de experiência e de ação. 

coordenação destas ações propõe um sistema de auto regulação ou equilibração que dependerá das circunstâncias e das potencialidades epigenéticas. Ou seja, quando a assimilação e acomodação entram em harmonia, o indivíduo está adaptado, isso quer dizer que ele está em equilíbrio. 

Conforme as estruturas intelectuais disponíveis se fazem insuficientes para operar com a nova experiência, acarretando contradições em seu conhecimento atual, ocorre o desequilíbrio. Procedendo em um movimento espiral, de maneira natural, estas estruturas começam um novo processo de adaptação às novas circunstâncias, indo em direção ao estágio superior e mais complexo de equilíbrio. 

Segundo Martí (1996, p. 23 apud CORREIA, 2001 p. 557) a partir da teoria de Piaget é possível fazer algumas considerações no que diz respeito às diretrizes educacionais:

Conforme as estruturas intelectuais disponíveis se fazem insuficientes para operar com a nova experiência, acarretando contradições em seu conhecimento atual, ocorre o desequilíbrio. Procedendo em um movimento espiral, de maneira natural, estas estruturas começam um novo processo de adaptação às novas circunstâncias, indo em direção ao estágio superior e mais complexo de equilíbrio. 

Segundo Martí (1996, p. 23 apud CORREIA, 2001 p. 557) a partir da teoria de Piaget é possível fazer algumas considerações no que diz respeito às diretrizes educacionais: 

Outorgar ao aluno um papel central em suas aprendizagens, aceitar que o processo de aprendizagem é um processo reconstrutivo, lento, no qual o aluno deve carregar o peso da atribuição de significados, pensar que o processo de equilibração é essencial em qualquer construção de conhecimentos, defender que o ensino deve favorecer as situações nas quais ocorra esta aprendizagem significativa e que não deve ser um processo mecânico e repetitivo. 

As fases do desenvolvimento descritas pelo teórico que segundo a concepção piagetiana se compreende em quatro estágios

 Sensório-Motor (do nascimento aos 2 anos): os bebês recém-nascidos demonstram a capacidade de aprender por meio de associações. A rede cognitiva permite que os bebês procurem estimulação e possam interagir com os adultos. Entre 2 e 3 semanas, é desenvolvida a fluência modal cruzada – o reconhecimento de características inalteráveis dos estímulos percebidos por ele associado com a capacidade de interpretar estas características por meio de modalidades sensoriais – é demostrada pela capacidade de fazer imitações as expressões da face (KAY E TASMAN 2002). 
Um desenvolvimento importante durante este estágio é o crescimento de uma consciência de permanência de objetos. Durante os 12 e 18 meses de vida, a criança parece não ter consciência de que as coisas continuam a existir mesmo depois de não estarem mais presentes no seu campo de visão, mas antes dos dois anos, este tipo de consciência já se manifestou (FONTANA 1998). 


• Pré-Operatório: (2 a 7 anos). Segundo Fontana (1998) Piaget dividiu este estágio em dois subestágios, o subestágio pré-conceitual e o subestágio intuitivo. No pré-conceitual, o desenvolvimento cognitivo é cada vez mais dominado pelo surgimento de atividades simbólicas, onde a criança torna-se capaz de utilizar símbolos para representar ações, sendo capazes de representar estas ações para si mesmas, ou seja, ela passa a interiorizar ações. Com o desenvolvimento das habilidades de linguagem, as crianças a possuir os chamados signos, ou seja, sons que embora não tenham uma relação concreta com os objetos, são usados para representa-los. No subestágio intuitivo surgem as principais estruturas cognitivas utilizadas agora pela criança, denominadas egocentrismo, centração e irreversibilidade. 

• Operações Concretas (7 a 11 anos) a criança atinge um sistema simbólico de pensamento organizado e coerentes que lhes permite antecipar e controlar o ambiente. O pensamento infantil avança de maneira considerável, se torna menos egocêntrico e as crianças desenvolvem a capacidade de demonstrar tanto a descentralização como a reversão. A partir daí surge a conservação, neste caso a conservação de substâncias vem primeiro entre os sete e oito anos e, posteriormente a de peso, entre os nove e dez anos, e a conservação de volumes por volta dos doze anos. Nesta fase a criança também desenvolve a capacidade de agrupamento, onde são capazes de reconhecer os membros de uma classe lógica real e, assim, organizar objetos e acontecimentos em conjuntos em termos de suas características definidoras comuns. Este agrupamento lhes possibilita encontrar sentidos nas experiências, solucionar problemas e avançar para um enquadre mais realista e preciso do mundo (FONTANA 1998). 


• Operações Formais (a partir dos 12 anos), período conhecido por todos nós como adolescência. Agora as crianças já são capazes de acompanhar a forma de um argumento ou de formular hipóteses sem necessitar da experiência efetiva de objetos ou situações concretas de que eles antes dependiam. Começa também a compreender conceitos individuais ou categorias isoladas durante os estágios anteriores do desenvolvimento, conseguem entender que eles podem ser interdependentes em algumas circunstâncias. O adolescente passa a desenvolver o raciocínio hipotético-dedutivo, pois é capaz de criar hipóteses e fazer deduções a partir dos resultados, ampliando assim a compreensão do material com que está lidando (FONTANA 1998). 

Compreender o desenvolvimento humano pela perspectiva deste teórico nos dá bases importantes para moldar ações pedagógicas apropriadas a cada idade obedecendo ao desenvolvimento de cada criança. 

FONTE
por COLUNISTA PORTAL - EDUCAÇÃO

Método de Ensino - CELESTIN FREINET

Princípios da Pedagogia Freinet. Acreditando que educar é construir juntos, a Pedagogia Freinet se alicerça em quatro eixos fundamentais:
  • Cooperação: como forma de construção social do conhecimento;
  • Comunicação: como forma de integrar esse conhecimento;
  • Documentação: registro da história que se constrói diariamente;
  • Afetividade: elo de ligação ente as pessoas e objeto de conhecimento.

 

Princípios que Freinet considera invariáveis: “As Invariantes Pedagógicas”.

  • A criança e o adulto têm a mesma natureza.
  • Ser maior não significa necessariamente estar acima dos outros.
  • O comportamento escolar depende de seu fisiológico e orgânico, de toda a sua constituição.
  • A criança e o adulto não gostam de imposições nem disciplinas rígidas, quando significam obedecer passivamente a uma ordem externa
  • Ninguém gosta de fazer determinados trabalhos por coerção, mesmo que, em si, eles não desagradem. Toda atitude coerciva é paralisante.
  • Todos gostam de escolher seu próprio trabalho, mesmo que a escolha não seja a mais vantajosa.
  • A motivação é fundamental para o trabalho.
  • Todos querem ser bem sucedidos. O fracasso inibe, destrói o ânimo e o entusiasmo
  • O jogo não é natural à criança mas, sim, o trabalho
  • Não são a observação, a explicação e a demonstração - processos essenciais da escola – as únicas vias normais de aquisição de conhecimento, mas a experiência tateante, que é uma conduta natural e universal.
  • A memória, tão preconizada pela escola, só é válida e aceitável, quando integrada no tateamento experimental, onde é posta a serviço da vida.
  • As aquisições não ocorrem pelo estudo de regras e leis, como, ás vezes, se crê, mas sim pela experiência. Estudar primeiro as regras e leis é colocar o carro à frente dos bois.
  • A inteligência não é uma faculdade específica, que funciona como um círculo fechado, independentemente dos demais elementos vitais do indivíduo, como ensina a escolástica.
  • A escola cultiva apenas uma forma abstrata de inteligência, que atua fora da realidade viva, fixada na memória por meio de palavras e idéias.
  • A criança não gosta de receber lições “ex-cathedra”.
  • A criança não gosta de sujeitar-se a m trabalho em rebanho. Ela prefere o trabalho individual ou de equipe numa comunidade cooperativa.
  • A ordem e a disciplina são necessárias à aula.
  • Os castigos são sempre um erro. São humilhantes, não conduzem ao fim desejado e não possam de paliativo
  • A nova vida da escola supõe a cooperação escolar, isto é, a gestão da vida e do trabalho escolar pelos envolvidos, incluindo o educador
  • A sobrecarga das classes constitui sempre um erro pedagógico.
  • A concepção atual dos sistemas escolares conduz professores e alunos ao anonimato, o que é sempre um erro e cria sérias barreiras.
  • A democracia de amanhã prepara-se pela democracia na escola.
  • Umas das primeiras condições para a renovação da escola é o respeito á criança e, por sua vez, a criança ter respeito aos seus professores; só assim é possível educar dentro da dignidade.
  • Temos que contar com a reação pedagógica que manifesta uma posição social e política.
  • É preciso ter esperança otimista na vida.

A  Pedagogia Freinet é uma prática libertadora, uma vez que os problemas da vida e da prática social são discutidos em grupos e avaliados cooperativamente para realização e reorganização do trabalho em conjunto.
O conjunto das práticas que fundamentam a Proposta Pedagógica na Escola é conhecida como Técnicas ou Pedagogia Freinet.

As principais técnicas que congregam a prática da Pedagogia Freinet;

  • A expressão livre
  • A roda da conversa
  • O conselho de cooperativa
  • O texto livre
  • O livro da vida
  • Os cantos de atividades diversificadas
  • A imprensa na escola
  • Duplicadores (mimiógrafos, limógrafos, máquina de escrever, papel carbono, xérox, fax, impressora de computador).
  • O jornal escolar
  • O jornal mural
  • O jornal falado – na classe, no gravador, no rádio, no vídeo
  • Os fichários para consulta ou auto correção
  • Os planos de trabalho (semanais e mensais)
  • As palestras dos alunos
  • Avaliação formativa – os brevês
  • A biblioteca de classe
  • A aula das descobertas – a aula passeio
  • O estudo do meio (ecológico – social – cultural e político)
  • A troca de saberes entre crianças
  • A correspondência (Inter- escolar e Inter – professores) do correio à internet
  • O encontro dos correspondentes
  • A expressão livre – Artes Plásticas, Dança, Teatro, Música, Fotografia, Vídeo, Cd- rom, Moda
  • As exposições organizadas pelos alunos

" A escola Moderna não é nem uma capela nem um clube mais ou menos restrito, mas, na realidade uma via que nos conduzirá àquilo que ,todos juntos, construirmos."
Célestin Freinet

O DIA A DIA DA SALA DE AULA FREINET

Cada turma possui conteúdos específicos, elaborados pelo curriculo da escola, oportunizando um melhor aprendizado.

LIVRO DA VIDA

Livro coletivo elaborado pela turma com folhas grandes, é nele que ficam registrados os acontecimentos importantes da turma. Este livro é um verdadeiro documento de classe. Trabalha-se o registro da história.

REGISTROS DO DIA

Quadro de lideranças, registros de tempo, calendário, assembléias de entrada e saída, onde são discutidos assuntos da organização da sala e planejamento cooperativo.
As paredes vivas todos os trabalhos são desenvolvidos pelos alunos, e ficam em exposição.

NOME DO GRUPO

A cada semestre os alunos escolhem o nome do grupo ( turma) e fazem uma pesquisa elaborada sobre ele. Os nomes são variados de acordo com a proposta dos alunos, no ano de 2007 foram escolhidos alguns como: Grupo dos Animais, Grupo do Bicho Preguiça, Grupo da Vitória Régia, entre outros.

CAIXAS DE TRABALHO

Conjunto de materiais para construção.

AULA PASSEIO

Os alunos com a aula passeio tem um maior contato com a realidade do meio em que vive, tendo um aprendizado natural e agradável, tem a oportunidade de: ampliar a vivência, experimentar, confirmar, ampliar o relacionamento com os colegas, professores e pais.

 

A psicopedagogia no Brasil: Novas Perspectivas

Palestrante: Pp. Jossandra Barbosa Presidente do Sindicato dos Psicopedagogos do Brasil - SINDPSICOPP-BR Historiadora Psicopedagoga Neuropsi...