Apenas mais um blog, de relevância para mim; uma extensão das minhas pesquisas visando ao auto estudo no processo de aprimoramento para uma formação continuada, em ambiente virtual de aprendizagem.
terça-feira, 4 de outubro de 2016
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Globalização
A globalização pode ser compreendida como a fase de expansão que o capitalismo atingiu na atualidade, impactando a economia, a política, a cultura e o espaço geográfico. Se no capitalismo comercial iniciado no final do século XV, com as grandes navegações e o colonialismo, diferentes partes do mundo passaram a estabelecer maiores relações, nos séculos seguintes essas relações se intensificaram conforme as novas tecnologias possibilitaram o avanço da produção industrial e do comércio mundial. A globalização é, sobretudo, econômica, e caracteriza-se pelo conjunto de mudanças no processo de produção de riquezas, nas relações de trabalho, no papel do Estado, nas formas de dominação sociocultural e pela facilitação dos fluxos de pessoas, capitais e informações ao redor do mundo.
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| Ilustração: violetkaipa / Shutterstock.com |
A base estrutural que possibilitou o aumento dos fluxos de informações nas últimas décadas é o avanço das telecomunicações (satélites artificiais, centrais telefônicas, cabos de fibra óptica e telefonia celular) e da informática. A evolução das tecnologias para computadores e internet permite um volume e rapidez cada vez maiores na transmissão de dados, voz, texto e imagem em todo o planeta, tornando-o cada vez mais conectado e integrado. Além das telecomunicações e informática, também houve avanços da robótica, biotecnologia e dos meios de transporte, na etapa do desenvolvimento industrial conhecida como Terceira Revolução Industrial, quando ciência, técnica e produção adquiriram maiores vínculos. A revolução tecnológica dos meios de informação e comunicação intensificou-se, possibilitando uma disputa cada vez maior entre países e empresas a partir da facilidade de circulação do capital de um país para outro, seja para a venda de mercadorias, para a instalação de filiais de empresas ou para aplicações financeiras.
O aumento da capacidade produtiva das empresas, das infraestruturas e da utilização de sistemas informatizados nas variadas atividades econômicas (indústria, agropecuária, comércio e serviços) fez com que a técnica, a ciência e a informação se tornassem mais presentes no espaço geográfico. Essa presença é, porém, desigual. Concentra-se nos países desenvolvidos, distribui-se de modo irregular nos subdesenvolvidos industrializados e é ainda escassa em países subdesenvolvidos de economia primária. Portanto, a globalização não integra o mundo todo da mesma forma. A maioria dos usuários de internet no mundo, por exemplo, concentra-se em países como EUA, Japão, China e Alemanha.
A derrocada do bloco socialista pós-Guerra Fria (1989) iniciou a chamada nova ordem mundial, levando o capitalismo ao mundo todo e impulsionando o processo de globalização. Novos mercados consumidores se abriram, ao passo que governos e grandes empresas intensificaram medidas e políticas neoliberais (que favorecem a iniciativa privada), ampliando a circulação de capitais entre os países.
Com a economia mundial globalizada, as empresas multinacionais se destacaram, espalhando suas atividades ao redor do mundo através de complexas redes de produção, distribuição, divulgação e comercialização. Seus lucros são maximizados ao dividirem as etapas de produção e demais atividades em diferentes países. Os investimentos são direcionados conforme as vantagens que o país (geralmente subdesenvolvido) fornece, como: mão-de-obra barata e qualificada, matéria-prima abundante, baixo custo para instalação de filiais, redução ou mesmo isenção de impostos. Já os centros administrativos, científicos e tecnológicos são mantidos em suas sedes, nos países de origem. Dessa forma, diversas marcas de todos os tipos de produtos, redes de fast food, supermercados, bancos e serviços em geral, tornam-se cada vez mais presentes em diversos países.
Atualmente, mercados mundiais importantes são dominados por um pequeno número de corporações multinacionais ou transnacionais, que concentraram capitais através de fusões e/ou aquisições.
A popularização do acesso à internet e comunicação instantânea através de celulares e computadores é um fato representativo dos níveis de desenvolvimento que o processo de globalização vem atingindo no século XXI.
Fontes:
GARCIA, Valquíria Pires; BELLUCCI, Beluce. Projeto Radix: geografia. São Paulo: Scipione, 2013.
LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA, Cláudio. Geografia Geral e do Brasil – ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2005.
SENE, Eustáquio de; MOREIRA, João Carlos. Geografia – volume 3. São Paulo: Scipione, 2009.
Multiculturalismo, Interculturalidade e multiculturalidade
| Interculturalidade - Conceito, o que é, Significado |
O termo interculturalidade se refere à diversidade cultural que se manifesta na sociedade atual. Se levarmos em conta como referência as grandes cidades, vamos encontrar pessoas de variadas origens étnicas, línguas diferentes e tradições culturais bem diversificadas. Para que a convivência entre as pessoas seja harmoniosa é necessário promover valores como a integração, a tolerância e o respeito mútuo. Assim, a interculturalidade é justamente uma aposta da aceitação e da normalização das diferenças sociais.
Interculturalidade e multiculturalidade
Estes dois conceitos apresentam semelhanças e diferenças e se assemelham a uma ideia fundamental: que a sociedade não é homogênea, mas sim plural. Entretanto, há uma diferença notável, já que a multiculturalidade expressa as diferenças como um fato objetivo e a interculturalidade aspira que estas diferenças se traduzam em plena integração das culturas. Desta maneira, a interculturalidade tem um componente reivindicativo e transformador, uma vez que propõe superar a multiculturalidade.
Desafios da interculturalidade
Ao longo da história, as diferenças religiosas, étnicas e culturais constituíram um argumento para justificar a exclusão social de alguns grupos
Neste sentido, a interculturalidade pretende criar um marco de convivência na qual nenhum grupo se veja discriminado por algum aspecto diferenciador.
As diferenças entre um grupo e outro não podem envolver nenhuma forma de desigualdade. Na verdade, a sociedade tradicional estabelece hierarquias baseadas nos aspectos diferenciadores. Nesta linha de pensamento, a interculturalidade se baseia em um critério ético: todas as culturas merecem o mesmo respeito.
Um dos campos de atuação da interculturalidade é área educacional
Assim, há países que colocam em prática programas escolares para que estudantes de diferentes culturas tenham uma relação satisfatória e um plano de igualdade.
A interculturalidade expressa o desejo de uma melhor convivência entre os seres humanos. No entanto, trata-se de um caminho com todo tipo de obstáculos: a superação dos preconceitos, problemas linguísticos e a hegemonia histórica de alguns grupos sobre outros. Definitivamente, a interculturalidade é uma aposta pela inclusão social do conjunto da cidadania, uma questão que deve ser abordada na escola, nos meios de comunicação, na legislação e na vida cotidiana.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Estruturalismo: Quais as origens desse método de análise?
O que determina o modo como pensamos, nos relacionamos com os outros, nos comportamos à mesa, nos vestimos e vivemos em família? Será que cultura e sociedade foram historicamente construídas pela ação do homem ou existiriam estruturas ocultas que explicariam nossos hábitos? Para o estruturalismo francês, movimento intelectual que atingiu seu apogeu na segunda metade da década de 1960, a segunda hipótese seria mais viável para investigar tais fenômenos
Pode-se dizer que o estruturalismo foi o último movimento filosófico francês a ganhar notoriedade mundial, logo após o existencialismo, corrente criticada em debates que envolveram dois dos maiores expoentes dessas escolas filosóficas, respectivamente, Michel Foucault (1926-1984) e Jean-Paul Sartre (1905- 1980).
Mas o estruturalismo reuniu pensadores de diversas áreas das ciências humanas, a ponto de ser difícil encontrar um núcleo coeso que permita classificá-lo como sistema filosófico. Na verdade, o estruturalismo é mais um método de análise, que consiste em construir modelos explicativos de realidade, chamados estruturas.
Por estrutura entende-se um sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo. É um método que contraria oempirismo, que vê a realidade como sendo constituída de fatos isolados. Para o estruturalismo, ao contrário, não existem fatos isolados, mas partes de um todo maior. Assim, compreende-se que:
- Alguns fenômenos podem ser explicados não pelo que deixam à mostra, mas por uma estrutura subjacente.
- Os fatos possuem uma relação interna, de tal forma que não podem ser entendidos isoladamente, mas apenas em relação aos seus pares antagônicos.
Para entender como esse método funciona, é preciso estudar suas origens, na Linguística e na Antropologia.
A linguagem O método estruturalista foi usado pela primeira vez pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913) em sua obra póstuma, editada por alunos, Curso de Linguística Geral. Nesta obra, Saussure fornece as bases teóricas para duas importantes ciências do século 20: a Linguística Estrutural e a Semiologia, ou ciência dos signos.
As teorias de Saussure podem ser explicadas por meio de quatro dicotomias. A primeira diz respeito a duas formas de se abordar a linguagem:
- Língua: o aspecto social da linguagem.
- Fala: o aspecto individual da linguagem.
A segunda refere-se a tipos de estudos da linguagem:
- Linguística sincrônica (estática ou descritiva): estuda a constituição da língua (fonemas, palavras, gramática, etc.) num dado momento.
- Linguística diacrônica (evolutiva ou histórica): estuda as mudanças da língua através dos tempos.
A originalidade de Saussure foi propor um estudo da língua enquanto sistema social de um ponto de vista sincrônico, não histórico, como vinha sendo feito antes. Ele também propõe o nome de semiologia, ou estudo do signo linguístico, que contém:
- Significante: é a expressão material do signo, como o som da palavra "árvore" ou a imagem da palavra escrita no papel.
- Significado: o conceito que o significante representa ou o conteúdo do signo, uma ideia, como a árvore que eu imagino ao ouvir ou ler a palavra escrita.
A palavra estrutura não aparece na obra do linguista suíço, mas se faz presente no conceito de sistema, que quer dizer uma análise estrutural que inclui o estudo da língua em suas relações internas, conforme a terceira dicotomia:
- Eixo sintagmático: um termo só é compreendido em oposição (relação) a outro termo. Ex.: "O semáforo está verde".
- Eixo paradigmático: o termo é associado a outros, presentes na memória. Por exemplo, na frase anterior, ao invés de semáforo, uso "sinal" e ao invés de "está verde", "abriu": "O sinal abriu".
Saussure, ao entender a linguagem como estrutura subjacente e sistema cujos elementos são solidários entre si (e que, somente assim, adquirem valor e sentido), e, ainda, vista de uma perspectiva não histórica, inaugurou o método estruturalista de análise.
Os mitos A primeira aplicação do estruturalismo fora do âmbito da linguística foi feita pelo antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908), hoje aposentado e um dos mais importantes intelectuais vivos.
Lévi-Strauss observou, ao estudar tribos indígenas de vários países, incluindo o Brasil, um conjunto de normas que se preservavam em diferentes culturas, como se fossem formas inconscientes que moldavam o pensamento e o comportamento dos povos. Diferente de uma abordagem histórica, que não veria as relações, ele empregou o método da linguística estrutural em, basicamente, dois sentidos:
- Como uma estrutura profunda ou inconsciente.
- Como elementos que só adquirem significado quando vistos dentro dessa estrutura.
Consequentemente, existiriam estruturas que determinam regras de vestuário, alimentação, parentesco, condutas morais e políticas recorrentes em diferentes povos, e que não são visíveis.
Os mitos, segundo Lévi-Strauss, são estruturados com linguagem, de modo que, da mesma forma que na língua - eu não penso em formas gramaticais quando falo, apenas falo -, também não penso em mitos quando os reproduzo inconscientemente (como Freud mostrou com o mito de Édipo, por exemplo): os mitos só funcionam quando a estrutura permanece invisível, como a linguagem.
A conclusão do antropólogo é a de que o pensamento mítico não está no homem, mas o próprio homem é que é pensado nos mitos.
Mas vejamos outro exemplo da antropologia estrutural de Lévi-Strauss nasrelações de parentesco. Parte-se da compreensão de que fenômenos de parentesco são estruturados como fenômenos linguísticos. Então, procede-se à identificação de elementos desta estrutura: pai, mãe, filhos, tios e irmãos. Cada um desses termos só faz sentido estando em relação aos demais: o pai autoritário em relação à mãe protetora, por exemplo.
O que o antropólogo verificou, no convívio com culturas diversas, foi que, apesar das diferentes formas de filiação e relações de afetividade, hostilidade, antagonismo ou reserva (tios mais afetivos, pais mais hostis e irmãos mais conflituosos, por exemplo), a mesma estrutura de oposições - pai/mãe, tios/sobrinhos, irmãos/irmãs - permanece inalterada.
Outros estruturalistas No decorrer das décadas de 1960 e 1970, surgiram aplicações do método estruturalista em áreas como crítica literária, cinema, estudos culturais e publicidade, entre outros, o que provocou críticas de abusos.
Alguns dos mais renomados intelectuais e pensadores franceses empregaram o método em suas obras, como Jacques Lacan (1901-1981), que concebeu o inconsciente como estruturado na forma de linguagem; Foucault, que estudou estruturas discursivas que condicionavam o pensamento do homem em determinadas épocas; Roland Barthes (1915-1980), que examinou os mitos modernos, a moda e a literatura; e Louis Althusser (1918-1990), que fez uma leitura estruturalista da obra de Marx.
Leituras recomendadas Curso de Linguística Geral, de Saussure, foi publicado no Brasil pela Editora Cultrix. Uma boa introdução ao pensamento de Lévi-Strauss é Antropologia Estrutural (Tempo Brasileiro), que reúne ensaios do autor. Outros livros indicados são Mitologias (Difel), de Roland Barthes, As Palavras e as Coisas (Martins Fontes), de Foucault, e Escritos (Perspectiva), de Lacan. Para mais detalhes sobre o movimento estruturalista, História do Estruturalismo(EDUSC), de François Dosse.
Pode-se dizer que o estruturalismo foi o último movimento filosófico francês a ganhar notoriedade mundial, logo após o existencialismo, corrente criticada em debates que envolveram dois dos maiores expoentes dessas escolas filosóficas, respectivamente, Michel Foucault (1926-1984) e Jean-Paul Sartre (1905- 1980).
Mas o estruturalismo reuniu pensadores de diversas áreas das ciências humanas, a ponto de ser difícil encontrar um núcleo coeso que permita classificá-lo como sistema filosófico. Na verdade, o estruturalismo é mais um método de análise, que consiste em construir modelos explicativos de realidade, chamados estruturas.
Por estrutura entende-se um sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo. É um método que contraria oempirismo, que vê a realidade como sendo constituída de fatos isolados. Para o estruturalismo, ao contrário, não existem fatos isolados, mas partes de um todo maior. Assim, compreende-se que:
Mas o estruturalismo reuniu pensadores de diversas áreas das ciências humanas, a ponto de ser difícil encontrar um núcleo coeso que permita classificá-lo como sistema filosófico. Na verdade, o estruturalismo é mais um método de análise, que consiste em construir modelos explicativos de realidade, chamados estruturas.
Por estrutura entende-se um sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e dinamismo. É um método que contraria oempirismo, que vê a realidade como sendo constituída de fatos isolados. Para o estruturalismo, ao contrário, não existem fatos isolados, mas partes de um todo maior. Assim, compreende-se que:
- Alguns fenômenos podem ser explicados não pelo que deixam à mostra, mas por uma estrutura subjacente.
- Os fatos possuem uma relação interna, de tal forma que não podem ser entendidos isoladamente, mas apenas em relação aos seus pares antagônicos.
Para entender como esse método funciona, é preciso estudar suas origens, na Linguística e na Antropologia.
A linguagem O método estruturalista foi usado pela primeira vez pelo linguista suíço Ferdinand de Saussure (1857-1913) em sua obra póstuma, editada por alunos, Curso de Linguística Geral. Nesta obra, Saussure fornece as bases teóricas para duas importantes ciências do século 20: a Linguística Estrutural e a Semiologia, ou ciência dos signos.
As teorias de Saussure podem ser explicadas por meio de quatro dicotomias. A primeira diz respeito a duas formas de se abordar a linguagem: - Língua: o aspecto social da linguagem.
- Fala: o aspecto individual da linguagem.
A segunda refere-se a tipos de estudos da linguagem: - Linguística sincrônica (estática ou descritiva): estuda a constituição da língua (fonemas, palavras, gramática, etc.) num dado momento.
- Linguística diacrônica (evolutiva ou histórica): estuda as mudanças da língua através dos tempos.
A originalidade de Saussure foi propor um estudo da língua enquanto sistema social de um ponto de vista sincrônico, não histórico, como vinha sendo feito antes. Ele também propõe o nome de semiologia, ou estudo do signo linguístico, que contém: - Significante: é a expressão material do signo, como o som da palavra "árvore" ou a imagem da palavra escrita no papel.
- Significado: o conceito que o significante representa ou o conteúdo do signo, uma ideia, como a árvore que eu imagino ao ouvir ou ler a palavra escrita.
A palavra estrutura não aparece na obra do linguista suíço, mas se faz presente no conceito de sistema, que quer dizer uma análise estrutural que inclui o estudo da língua em suas relações internas, conforme a terceira dicotomia: - Eixo sintagmático: um termo só é compreendido em oposição (relação) a outro termo. Ex.: "O semáforo está verde".
- Eixo paradigmático: o termo é associado a outros, presentes na memória. Por exemplo, na frase anterior, ao invés de semáforo, uso "sinal" e ao invés de "está verde", "abriu": "O sinal abriu".
Saussure, ao entender a linguagem como estrutura subjacente e sistema cujos elementos são solidários entre si (e que, somente assim, adquirem valor e sentido), e, ainda, vista de uma perspectiva não histórica, inaugurou o método estruturalista de análise.
Os mitos A primeira aplicação do estruturalismo fora do âmbito da linguística foi feita pelo antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908), hoje aposentado e um dos mais importantes intelectuais vivos.
Lévi-Strauss observou, ao estudar tribos indígenas de vários países, incluindo o Brasil, um conjunto de normas que se preservavam em diferentes culturas, como se fossem formas inconscientes que moldavam o pensamento e o comportamento dos povos. Diferente de uma abordagem histórica, que não veria as relações, ele empregou o método da linguística estrutural em, basicamente, dois sentidos: - Como uma estrutura profunda ou inconsciente.
- Como elementos que só adquirem significado quando vistos dentro dessa estrutura.
Consequentemente, existiriam estruturas que determinam regras de vestuário, alimentação, parentesco, condutas morais e políticas recorrentes em diferentes povos, e que não são visíveis.
Os mitos, segundo Lévi-Strauss, são estruturados com linguagem, de modo que, da mesma forma que na língua - eu não penso em formas gramaticais quando falo, apenas falo -, também não penso em mitos quando os reproduzo inconscientemente (como Freud mostrou com o mito de Édipo, por exemplo): os mitos só funcionam quando a estrutura permanece invisível, como a linguagem.
A conclusão do antropólogo é a de que o pensamento mítico não está no homem, mas o próprio homem é que é pensado nos mitos.
Mas vejamos outro exemplo da antropologia estrutural de Lévi-Strauss nasrelações de parentesco. Parte-se da compreensão de que fenômenos de parentesco são estruturados como fenômenos linguísticos. Então, procede-se à identificação de elementos desta estrutura: pai, mãe, filhos, tios e irmãos. Cada um desses termos só faz sentido estando em relação aos demais: o pai autoritário em relação à mãe protetora, por exemplo.
O que o antropólogo verificou, no convívio com culturas diversas, foi que, apesar das diferentes formas de filiação e relações de afetividade, hostilidade, antagonismo ou reserva (tios mais afetivos, pais mais hostis e irmãos mais conflituosos, por exemplo), a mesma estrutura de oposições - pai/mãe, tios/sobrinhos, irmãos/irmãs - permanece inalterada.
Outros estruturalistas No decorrer das décadas de 1960 e 1970, surgiram aplicações do método estruturalista em áreas como crítica literária, cinema, estudos culturais e publicidade, entre outros, o que provocou críticas de abusos.
Alguns dos mais renomados intelectuais e pensadores franceses empregaram o método em suas obras, como Jacques Lacan (1901-1981), que concebeu o inconsciente como estruturado na forma de linguagem; Foucault, que estudou estruturas discursivas que condicionavam o pensamento do homem em determinadas épocas; Roland Barthes (1915-1980), que examinou os mitos modernos, a moda e a literatura; e Louis Althusser (1918-1990), que fez uma leitura estruturalista da obra de Marx.
Leituras recomendadas Curso de Linguística Geral, de Saussure, foi publicado no Brasil pela Editora Cultrix. Uma boa introdução ao pensamento de Lévi-Strauss é Antropologia Estrutural (Tempo Brasileiro), que reúne ensaios do autor. Outros livros indicados são Mitologias (Difel), de Roland Barthes, As Palavras e as Coisas (Martins Fontes), de Foucault, e Escritos (Perspectiva), de Lacan. Para mais detalhes sobre o movimento estruturalista, História do Estruturalismo(EDUSC), de François Dosse.
José Renato Salatiel, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é jornalista e professor universitário.
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3034414634056562020#editor/target=post;postID=2076067652786282726
domingo, 25 de setembro de 2016
O que é Mercosul
Mercosul é a abreviação de Mercado Comum do Sul,
um bloco econômico sul-americano formado oficialmente pelo Brasil, Argentina,Uruguai, Paraguai e Venezuela.
O principal objetivo do Mercosul é garantir a construção de uma consolidação econômica, política e social entre os países membros, colaborando para o aumento da qualidade de vida dos cidadãos que habitam os Estados que constituem o bloco.
Como o próprio nome sugere, o Mercosul visa a definição de um mercado comum entre os governos pertencentes ao bloco e, para atingir esta meta, define algumas regras, como:
- Garantir da livre circulação de bens, serviços e produtos entre os países membros;
- Garantia da TEC (Tarifa Externa Comum) em negociações comerciais com Estados que não pertencem ao bloco econômico;
- Políticas macroeconômicas e setoriais nos Estados Partes;
- Compromisso em fortalecer a integração entre todos os membros efetivos da organização.
O Mercosul foi criado a partir do Tratado de Assunção, assinado em 26 de março de 1991 pelos governos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Porém atualmente, o MERCOSUL é regido com base no Protocolo de Ouro Preto, firmado em 17 de dezembro de 1994 e em vigor desde dezembro de 1995.

Quase todos os países da América do Sul estão ligados ao Mercosul, seja como membros efetivos ou associados.
A partir de 2012, os membros considerados como “Estados Partes” do bloco são: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai (desde 26 de março de 1991) e Venezuela (desde 7 de dezembro de 2012).
Já os países classificados como “Estados Associados” são: Chile (desde 1996), Peru (desde 2003), Colômbia, Equador (desde 2004), Guiana,Suriname (desde 2013) e Bolívia (atualmente em processo para se tornar um Estado Parte).
A principal diferença entre os Estados Parte e os Estados Associados está no poder de decisão que os primeiros possuem em relação aos assuntos importantes do bloco. Os associados, por exemplo, não têm o direito de votar para a aprovação do ingresso de novos estados-membros à organização.
Os Estados Associados também são usufruem do TEC (Tarifa Externa Comum), que consiste numa taxa padrão sobre os produtos que são exportados para os países fora do bloco. A TEC ajuda a evitar concorrência comercial internacional e privilegia os membros efetivos deste acordo.
Também existem os países denominados “observadores”, como o México, por exemplo, embora este seja regido NAFTA (North American Free Trade Agreement).
Dados Básicos do Mercosul

Fonte dos dados: http://www.mercosul.gov.br/
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